Alteia (Althaea officinalis, )
Folhas cobertas por penugem branco-acinzentada distinguem a alteia (Althaea officinalis), herbácea perene das Malvaceae nativa da Europa, da Ásia ocidental e do norte da África. Sua preferência por terrenos úmidos, inclusive salinos, separa a espécie de outras malvas cultivadas em jardins.
Ler maisAlteia, Malvaísco, Malva-branca, Malva-isco e Alteia-medicinal
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Distribuição global
A distribuição nativa de Althaea officinalis abrange a Europa, da Dinamarca à Espanha e do Reino Unido à Rússia e à Ucrânia, a Ásia temperada, da Turquia ao Xinjiang chinês, e o norte da África. Introduzida na América do Norte e nos países bálticos, naturalizou-se frequentemente junto a cursos de água e em terrenos úmidos abandonados.
- Nativo7
- Introduzido2
- França
- Reino Unido
- Dinamarca
- Rússia
- Turquia
- Argélia
- China
- Letônia
- Estados Unidos
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Alteia (Althaea officinalis L., 1753) é uma herbácea perene do gênero Althaea, da família Malvaceae, também chamada de malvaísco e malva-branca. O nome do gênero remonta ao grego antigo althaía, usado para a mesma planta medicinal por Teofrasto e Dioscórides, séculos antes da descrição de Lineu com esse binômio. 7 1
Já o nome francês guimauve combina o antigo baixo-frâncico wit, branco, com o baixo-latim malva: literalmente, malva branca. A referência é à folhagem clara, e não às flores, que tendem ao rosa pálido. O epíteto officinalis deriva do latim officina, a oficina em que o boticário preparava remédios e pomadas com plantas medicinais. 6
Reconhecimento
Uma touceira ereta de 60 cm a 1,5 m se desenvolve sobre uma base perene com raiz pivotante profunda. As folhas alternas recebem penugem fina, responsável pelo tom verde-acinzentado, quase esbranquiçado. Esse revestimento contrasta com Malva sylvestris, cujas folhas têm verde vivo e muito menos pelos, mesmo antes de aparecerem as flores. 3 2
Flores solitárias ou em grupos de duas a quatro surgem nas axilas das folhas. Medem 2,5 a 4 cm, são brancas com rosa muito claro e exibem uma coluna central de estames com anteras violeta-escuras. Abrem no verão do clima temperado de referência, mais tarde e mais discretas que as flores rosa-vivas de Malva sylvestris. 2
Apesar do porte ereto, os caules permanecem flexíveis: inclinam-se ao vento sem se romper facilmente, comportamento compatível com margens de rios e costas expostas. A combinação entre essa flexibilidade e a penugem clara permite reconhecer a silhueta a certa distância, antes de examinar cada flor de perto. 3
Taxonomia útil
Publicado em 1753, o nome aceito Althaea officinalis L. pertence a um dos poucos gêneros de Malvaceae efetivamente adaptados aos terrenos úmidos e salinos europeus. A identificação botânica continua ligada a esse nome, qualquer que seja a finalidade ornamental ou tradicional atribuída à planta. 1
O POWO reúne cerca de quinze sinônimos, incluindo dois homotípicos, baseados no mesmo tipo nomenclatural: Malva althaea E.H.L.Krause e Malva officinalis (L.) K.F.Schimp. & Spenn.. Esses nomes se referem à mesma planta e são remetidos ao nome aceito nas revisões modernas. 1 8
As antigas variedades botânicas var. rotundifolia Gray e var. pallida Regel & Herder ainda aparecem em catálogos históricos, mas não têm valor comercial atual. Para comprar ou citar a espécie com precisão, o ponto estável continua sendo o binômio Althaea officinalis. 1
Habitat e distribuição
Da Dinamarca à Espanha e do Reino Unido à Rússia e à Ucrânia, a alteia ocupa extensa área nativa europeia. Sua distribuição prossegue pela Ásia temperada, da Turquia ao Xinjiang chinês, e pelo norte da África. Introduções na América do Norte e nos países bálticos deram origem a populações naturalizadas, frequentemente junto a cursos de água. 1
No oeste atlântico da França, cresce sobretudo entre ervas altas em terrenos úmidos e ricos, comunidade chamada megaforbial. Ocorre no litoral, em prados salinos, margens de rios e pântanos pouco perturbados. A tolerância ao sal, incomum nessa família, explica sua presença tanto na costa quanto junto a cursos de água interiores, ambientes evitados por muitas malvas próximas. 6
A redução dessas áreas úmidas motivou proteção regional francesa em Nord-Pas-de-Calais, Lorraine e Picardie. Esse enquadramento se refere à França. Globalmente, a espécie continua considerada pouco preocupante, sem ameaça geral demonstrada para o conjunto de sua distribuição. 6
Ciclo e reprodução
Com solo mantido úmido e temperatura de 18 a 20 °C, as sementes germinam em 14 a 21 dias. No primeiro ano, forma-se apenas uma roseta basal de folhas aveludadas, sem caule ereto. A floração chega na segunda estação de crescimento, depois que a raiz pivotante e a base perene se estabelecem. 4
Da floração de verão resulta um esquizocarpo, fruto seco que se divide ao amadurecer em unidades independentes. O disco de cerca de 8 mm reúne 15 a 20 carpelos amarelados em círculo. No cultivo, semeadura na primavera e divisão de touceiras são as formas mais confiáveis de multiplicação; estacas de raiz também funcionam, desde que retiradas de exemplares já bem estabelecidos. 3 4
Usos e riscos
A história alimentar da alteia está ligada ao precursor do marshmallow moderno. O doce levava mucilagem extraída da raiz, substância vegetal que incha na água e produz um gel viscoso, protetor das mucosas. A gelatina substituiu esse ingrediente, enquanto o nome histórico permaneceu. Raízes jovens e pouco carnosas também são consumidas escaldadas, e folhas tenras podem ser preparadas como espinafre. 4 5
Todas as partes contêm polissacarídeos mucilaginosos, mas a maior proporção está na raiz, chegando a 25 a 35% do peso seco. Esse teor elevado explica o uso tradicional para suavizar mucosas irritadas na fitoterapia, sem transformar a tradição em prova de eficácia clínica. 9
As flores em infusão, isoladas ou com folhas, são usadas tradicionalmente contra a tosse. A maceração da raiz em água morna produz líquido menos espesso que a decocção e mais agradável de beber. Nenhuma dessas práticas equivale a um tratamento médico validado. 4
Segundo a USDA, não há sintomas tóxicos documentados para humanos, gatos ou cães. A situação permanece incerta para cavalos, por falta de dados publicados específicos para esse animal; essa ausência de informação deve acompanhar a leitura do perfil de segurança. 5
Variedades, confusões e plantas próximas
Ao contrário de malváceas ornamentais como a malva-rosa, a alteia não dispõe de uma verdadeira gama de cultivares de jardim. As raras variedades mencionadas nos catálogos antigos, como var. pallida, de flores mais claras, representam formas botânicas, e não seleções hortícolas estabilizadas. 2
Três espécies próximas podem provocar confusão durante a observação:
- Malva sylvestris apresenta folhas verde-vivas e flores rosa-vivas muito mais vistosas;
- a malva-rosa (Alcea rosea) supera bastante a alteia em altura e não conserva a penugem densa nos caules;
- Lavatera trimestris tem flores maiores e folhagem claramente menos pilosa.
Entre essas plantas, a penugem branco-acinzentada da alteia continua sendo o sinal mais confiável. Ela permite separar as espécies ainda na fase vegetativa, sem depender da chegada da floração ou da comparação da intensidade do rosa das pétalas.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Althaea officinalis L.
- Royal Horticultural Society, Althaea officinalis: detalhes
- Missouri Botanical Garden Plant Finder, Althaea officinalis
- Plants For A Future, Althaea officinalis
- USDA PLANTS Database, Althaea officinalis: perfil da espécie
- INPN / MNHN, Althaea officinalis L., 1753 proteção legal na França
- Tela Botanica, síntese BDTFX de Althaea officinalis
- Integrated Taxonomic Information System, Althaea officinalis L.
- PubMed, investigação fitoquímica das sementes de Althea officinalis L.
Perguntas frequentes
A alteia é tóxica para gatos e cães?
Não. As referências não apontam princípio tóxico documentado na planta fresca ou seca para humanos, gatos ou cães. Para cavalos, a situação continua incerta por falta de dados específicos.
Qual é a relação entre alteia e marshmallow?
O doce era preparado originalmente com a mucilagem extraída da raiz de Althaea officinalis. A receita moderna usa gelatina em seu lugar, sem relação botânica com a planta, mas preserva o nome histórico.
Como distinguir a alteia de Malva sylvestris?
A alteia possui folhas cobertas por penugem branco-acinzentada, enquanto Malva sylvestris apresenta verde vivo e poucos pelos. As flores da alteia também são menores e mais claras.
A alteia é protegida na França?
Há proteção regional em Nord-Pas-de-Calais, Lorraine e Picardie, devido à redução das áreas úmidas onde cresce. Globalmente, a espécie permanece na categoria pouco preocupante.
Quando colher a raiz de alteia?
No outono, a partir do segundo ano, quando a planta está bem estabelecida. Nessa fase, a mucilagem pode representar 25 a 35% do peso da raiz.
É possível cultivar alteia em vaso?
Sim, em recipiente grande, com substrato rico e sempre úmido. Desenvolve-se melhor no solo, perto de água, onde sua raiz pivotante encontra espaço para crescer.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.




