alfafa (Medicago sativa, )
alfafa (Medicago sativa) é uma leguminosa perene da família Fabaceae, cultivada desde a Antiguidade como importante planta forrageira. As flores violetas originam vagens enroladas em espiral, um traço que a diferencia dos trevos. Sua raiz pivotante profunda favorece a resistência à seca e abriga bactérias simbióticas que fixam nitrogênio atmosférico. Por isso, também é valorizada como adubo verde na rotação de culturas.
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Distribuição global
A área nativa de Medicago sativa vai da bacia mediterrânea à Ásia central e ao Irã, segundo POWO/WCVP. Domesticada muito cedo no Oriente Próximo, a planta seguiu rotas comerciais até a Grécia e Roma antes da era cristã, depois até a Espanha e as Américas. Hoje é cultivada em todos os continentes de clima temperado e não consta entre as plantas exóticas invasoras na França.
- Nativo4
- Irã
- Turquia
- Armênia
- Cazaquistão
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
A alfafa (Medicago sativa L., 1753), também chamada Luzerna, Alfalfa ou Lucerne, é uma leguminosa perene da família Fabaceae, subfamília Faboideae. Cultivada desde a Antiguidade para feno, pastejo e silagem do gado, recebe o apelido agronômico de “rainha das forrageiras”. O título se deve ao seu valor nutritivo e à capacidade de enriquecer o solo com nitrogênio de maneira duradoura. 1 2
Na língua francesa, luzerne vem do provençal luzerno, literalmente “vaga-lume” ou “lâmpada”, uma imagem associada ao brilho das sementes maduras e à palavra antiga luiserne, “lâmpada”, registrada desde o século XII. As grafias lauserne, de 1566, e luzerne, de 1600, em Le Théâtre d’agriculture, de Olivier de Serres, consolidaram a forma francesa moderna. 5
Reconhecimento
De uma coroa lenhosa parcialmente enterrada partem vários caules eretos e ramificados da alfafa. As folhas são trifolioladas, com folíolos estreitos e dentes apenas no terço superior. Nos trevos, do gênero Trifolium, os dentes percorrem toda a margem: esse detalhe permite separar os gêneros já na observação da folha. A altura habitual é de 30 a 90 cm. 2 3
Pequenas flores em racemos curtos nas axilas das folhas exibem tons de violeta a azul-violeta. Essa cor separa a alfafa cultivada das flores amarelas de Medicago lupulina e Medicago falcata. Após a fecundação, cada flor origina uma vagem enrolada em espiral, com duas a três voltas, característica quase exclusiva do gênero Medicago que a diferencia das vagens retas dos trevos. 2
A profundidade da raiz pivotante já chega a 90 cm após dois meses e a 1,80 m depois de cinco meses. Em plantas com mais de vinte anos, em solo solto, ela às vezes ultrapassa 15 m. Esse sistema radicular explica a boa tolerância à seca da alfafa estabelecida, enquanto as plântulas ainda dependem de irrigação regular. 2
Taxonomia útil
Cruzamentos naturais entre a alfafa cultivada e sua parente próxima Medicago falcata L., de flores amarelas, ocorrem com facilidade. Eles originam populações de flores azuis, violetas ou amarelo-esverdeadas, às vezes chamadas de alfafa híbrida ou Medicago sativa nothosubsp. praefalcata (Sinskaya) C.R.Gunn. Por isso, a cor das flores sozinha não basta para distinguir as duas espécies no campo. 1
Entre outros táxons semelhantes dos prados, Medicago lupulina L. tem pequenas flores amarelas e vagens pretas em forma de rim, sem enrolamento. Já Medicago falcata L. apresenta vagens em meia-lua, em vez de uma espiral completa.
A denominação genérica Medicago, adotada por Linné em 1753, guardaria uma referência à antiga Média, região do atual Irã que os autores gregos associavam à introdução da planta na Europa. 2
Habitat e distribuição
Da bacia mediterrânea à Ásia central e ao Irã, situa-se a área nativa indicada por POWO/WCVP. A alfafa cresce espontaneamente em pousios, prados secos, taludes e margens de caminhos, em solos calcários e bem drenados. Evita claramente os terrenos ácidos ou encharcados. 1 3
As rotas comerciais levaram a alfafa, domesticada muito cedo no Oriente Próximo, à Grécia e a Roma antes da era cristã. Depois ela chegou à Espanha e às Américas com a colonização. O espanhol alfalfa, de origem árabe, ganhou amplo uso corrente nas Américas. Hoje a cultura ocupa mais de 30 milhões de hectares em mais de oitenta países e está entre as forrageiras mais valorizadas nos Estados Unidos. 2 8
Ciclo e reprodução
Nos nódulos das raízes, bactérias simbióticas do gênero Rhizobium fixam nitrogênio atmosférico e enriquecem o solo. Essa associação fundamenta o uso da alfafa na rotação de culturas e como adubo verde. 2
Geneticamente, a alfafa cultivada é autotetraploide, com 2n = 32 cromossomos, e autoincompatível. Uma flor não consegue se autofecundar, o que exige polinização cruzada por insetos e torna mais complexa a seleção varietal clássica. 8
Entre o fim da primavera e o verão do Hemisfério Norte temperado ocorre a floração, seguida pela frutificação do verão ao início do outono. Depois de cada corte, a coroa regenera rapidamente novos caules. Conforme o clima e a irrigação, essa capacidade permite até treze cortes de feno por estação. 3 2
A ressemeadura densa em uma área antiga de alfafa, porém, costuma apresentar baixa emergência. Raízes envelhecidas liberam compostos que inibem as novas plântulas, fenômeno conhecido como autotoxicidade do solo. Os produtores deixam a área em repouso ou intercalam outro cultivo antes de semear alfafa novamente no mesmo local. 3
Usos e riscos
Rico em proteínas, cerca de 16 %, e em vitaminas A, D, E e K, o feno de alfafa é um alimento de referência para vacas leiteiras, cavalos e coelhos. Brotos novos e sementes germinadas também são consumidos crus em saladas por seres humanos. 2 3
Para ruminantes, o principal perigo é o timpanismo, que pode ser fatal. Em pastagem fresca e pura de alfafa, proteínas solúveis e saponinas formam uma espuma estável que impede a eructação. Oferecer feno antes do pastejo ou escolher variedades de digestão inicial lenta reduz esse risco. 4
Os brotos de alfafa contêm L-canavanina, aminoácido associado a crises de lúpus em pessoas sensíveis. Autoridades sanitárias desaconselham seu consumo cru por crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas. Em contrapartida, as bases veterinárias não classificam a alfafa como tóxica para gatos ou cães. 3 6
Variedades, confusões e plantas próximas
Na produção agrícola, a classificação das variedades se apoia sobretudo na dormência de inverno, segundo uma escala numérica norte-americana, em vez de nomes hortícolas. As variedades LIRD, de digestão inicial lenta, reduzem o risco de timpanismo durante o pastejo. 4
Em prados, é comum confundir a alfafa com Trifolium repens e Trifolium dubium. Esses trevos têm folíolos com dentes em toda a margem e vagens curtas, não enroladas, escondidas no cálice. Lotus corniculatus, com folíolos mais arredondados e vagens dispostas como os dedos de um “pé de pássaro”, oferece outra possibilidade de confusão. Diante dessas diferenças, a espiral de duas a três voltas da vagem madura é um critério mais seguro que a cor das flores, inclusive em plantas já sem flores.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Medicago sativa L.
- Encyclopaedia Britannica, alfalfa
- Plants For A Future, Medicago sativa
- Merck Veterinary Manual, Bloat in Ruminants
- CNRTL, etimologia do francês “luzerne”
- ASPCA, base de plantas tóxicas e não tóxicas
- WCVP / Plants of the World Online, Medicago sativa
- Chen e colaboradores, montagem do genoma da alfafa cultivada, PMC
Perguntas frequentes
A alfafa é um trevo?
Não. A alfafa pertence ao gênero Medicago, diferente do gênero Trifolium dos trevos. A vagem madura é o melhor critério: enrolada em espiral na alfafa, reta ou curva nos trevos.
A alfafa é tóxica para animais?
Ela não é classificada como tóxica para gatos ou cães, mas oferece risco de timpanismo aos ruminantes em pastagem fresca e pura. As sementes germinadas também contêm L-canavanina e são desaconselhadas cruas a pessoas imunodeprimidas.
Por que a alfafa pode ser cortada várias vezes por ano?
A coroa lenhosa parcialmente enterrada regenera rapidamente novos caules após cada corte, permitindo até treze colheitas de feno por estação, conforme o clima e a irrigação.
Posso semear alfafa em uma área antiga de alfafa?
Não é aconselhável no curto prazo. As raízes antigas liberam compostos que inibem a emergência de novas plântulas, fenômeno documentado como autotoxicidade do solo.
Como distinguir alfafa de Medicago lupulina?
Medicago lupulina tem pequenas flores amarelas e vagens pretas em forma de rim, sem espiral. A alfafa cultivada tem flores violetas e vagem enrolada em uma espiral completa.
De onde vem o nome francês luzerne?
Vem do provençal luzerno, “vaga-lume”, em alusão ao brilho das sementes maduras. A forma alfalfa, usada em inglês, deriva do árabe por intermédio do espanhol.
A alfafa realmente enriquece o solo?
Sim. Suas raízes abrigam bactérias Rhizobium que fixam nitrogênio atmosférico nos nódulos, um mecanismo muito aproveitado na rotação de culturas e como adubação verde.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.





