Abacate (Persea americana, Mill. 1768)

O abacate, ou abacateiro (Persea americana), é uma árvore perene da família Lauraceae, nativa do sul do México e da América Central. Seu fruto rico em lipídios é hoje cultivado nos trópicos e em várias regiões mediterrâneas, apesar de uma toxicidade bem documentada para muitos animais.

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Nome científicoPersea americana
GêneroPersea
FamíliaLauraceae
OrdemLaurales

Abacateiro, Avocado e Alligator pear

Identidade
Toxicidade
Tóxico para animaisCuidado : humanos, gatos e cães · Tóxico : cavalos
Nível de cuidados
Moderado
Tipo de planta
Árvore · Árvore frutífera
Tipo de folhas
Perenifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
MéxicoGuatemalaCosta Rica
Habitat
Floresta tropical e subtropical com estação seca marcada; encostas bem drenadas, sol pleno
Sazonalidade
Época de floração
Primavera
Colheita
OutonoInverno
Crescimento
Ciclo
Perene
Dormência
Sem dormência
Velocidade de crescimento
7/10
Tempo de maturação
O fruto amadurece depois da colheita, nunca de fato no pé
Propagação
Enxertia, Semeadura, Estaquia
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
40–60 km/h
Umidade
40–70 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo profundo, Solo muito bem drenado
Solo salino
Tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Observação sobre a luz
Sol pleno, sem sombreamento
Interior
Estufa fria, Varanda iluminada
Área externa
Jardim mediterrâneo, Pomar, Jardim em vasos
Vasos
Recipiente grande, Vaso com drenagem
Aparência
Altura8–20 mLargura6–12 m
Folhas
Verde
Flores
VerdeAmareloTamanho0.5–1.5 cm
Frutos
VerdeRoxoMarrom
Porte
Abacate (Persea americana): origem e usos — porte 1
Casca
Marrom

Distribuição global

A área nativa estrita de Persea americana vai do centro do México à Costa Rica, segundo o POWO. Os relatos hortícolas e arqueológicos costumam ampliar essa origem do México ao Peru; convém, portanto, separar área nativa, regiões de domesticação antiga e regiões de cultivo comercial recente.

  • Nativo3
  • Introduzido1
  • México
  • Guatemala
  • Costa Rica
  • Peru

Hexágonos: regiões documentadas. Pontos verdes: área nativa. Status segundo POWO (Kew).

Identidade

O abacate, ou abacateiro (Persea americana Mill., 1768), é uma árvore perene da família Lauraceae, parente da canforeira e do louro. Uma diferença o separa com nitidez desses primos de folhagem parecida: no abacateiro, a flor abre em dois tempos, feminina num dia e masculina no seguinte, um mecanismo de dicogamia que impede a autopolinização da mesma flor. O porte adulto, de 8 a 20 m de altura conforme o manejo, e o fruto com um único caroço grande o distinguem facilmente das outras Lauraceae ornamentais. A autoridade Mill. remete ao botânico inglês Philip Miller, que publicou o nome no seu Gardener's Dictionary em 1768. 1 2

O espanhol aguacate, origem de avocado e de outros nomes europeus, vem do náuatle āhuacatl, que designava originalmente um testículo, por analogia com a forma do fruto. A palavra guacamole guarda a mesma raiz: ahuacamolli significa literalmente “molho de abacate”. O antigo nome inglês alligator pear descreve a casca escura e rugosa de alguns frutos. 3 2

Reconhecimento

Em pomar conduzido, a árvore atinge com frequência 8 a 12 m, e chega a 20 m quando pouco podada ou em estado silvestre. A casca acinzentada racha com a idade, e a copa continua densa e folhosa o ano todo, embora parte das folhas velhas caia quando surgem as brotações novas. 3 4

Alternas e elípticas, as folhas medem 20 a 30 cm de comprimento, verde-escuras e brilhantes na face superior, mais foscas embaixo. Conforme a raça hortícola, elas soltam ou não um cheiro de anis quando amassadas: um bom indício, já que a raça mexicana tem aroma nítido de anis, ao contrário das raças guatemalteca e antilhana. 5 3

Minúsculas e amarelo-esverdeadas, as flores se agrupam em panículas densas na axila das folhas. O fruto, uma baga de caroço único, mede 7 a 20 cm de comprimento e pesa de 100 g a 1 kg, com forma de pera a ovoide conforme a cultivar. 3

Taxonomia útil

Um único nome aceito, Persea americana, é reconhecido pelo POWO, com área nativa descrita do centro do México à Costa Rica. Mesmo assim, três raças hortícolas históricas organizam toda a diversidade cultivada: a raça mexicana (a mais resistente ao frio, casca fina, folhas com cheiro de anis), a raça guatemalteca (casca grossa e granulosa) e a raça antilhana (a menos resistente ao frio, casca flexível, baixo teor de óleo). 1 5

As três raças se cruzam com facilidade, e a maioria das cultivares comerciais, entre elas Hass e Fuerte, descende desses cruzamentos. O que permanece estável na taxonomia é o nome aceito; raça e cultivar descrevem comportamentos hortícolas, não espécies distintas. 1

Habitat e distribuição

Do sul do México à Guatemala e à Costa Rica, a área nativa estrita ocupa florestas tropicais e subtropicais com estação seca marcada. A espécie cresce em encostas bem drenadas e não tolera solo encharcado. 1 4

Domesticado há pelo menos 10.000 anos, segundo restos encontrados em Huaca Prieta, no Peru, e na caverna de Coxcatlán, no México, o abacate se espalhou muito além da sua área de origem. Hoje é cultivado do México ao Peru, na Califórnia, em Israel, na África do Sul, na Espanha e até em alguns trechos do litoral mediterrâneo francês. A IUCN classifica a espécie como pouco preocupante. 2 6

Ciclo e reprodução

Poucas plantas mostram uma dicogamia protogínica de dois tipos tão clara: nas cultivares do tipo A, a flor abre feminina na manhã do primeiro dia, fecha e reabre masculina na tarde do segundo dia; nas cultivares do tipo B, a ordem se inverte. Numa árvore isolada, essa defasagem impede quase toda autopolinização, porque as flores femininas e masculinas do mesmo indivíduo nunca abrem juntas. 2 5

No pomar, combinar uma cultivar do tipo A (Hass, Reed, Pinkerton) com uma do tipo B (Fuerte, Bacon, Zutano) favorece a polinização cruzada, necessária numa espécie de floração dicógama. Um pé de semente isolado pode florir em abundância sem vingar um único fruto. 5

Na produção comercial, a multiplicação é feita por enxertia sobre porta-enxerto de semente, que fixa a cultivar e antecipa a primeira colheita para 2 a 3 anos, contra 6 a 8 anos num pé de semente. O fruto amadurece sobretudo depois de colhido, nunca de fato no pé: essa particularidade permite colhê-lo bem antes do consumo. 4 5

Usos e riscos

Rico em lipídios, o fruto maduro é consumido ao natural, em guacamole ou prensado para dar óleo comestível; as folhas às vezes entram em chás ou como tempero. Nada indica risco particular para pessoas quando o fruto está bem maduro, fora raras reações alérgicas. 4 3

Quem corre perigo são sobretudo os animais: folhas, casca, caroço e fruto verde contêm persina, uma toxina que já provocou mastite, edema e dificuldade respiratória em cavalos, cabras, bovinos e coelhos, às vezes fatal em poucas horas. A ASPCA classifica o abacate como tóxico em especial para o cavalo, e as aves domésticas também são muito sensíveis. 7 5 8

Solo mal drenado ou regado em excesso favorece Phytophthora cinnamomi, o patógeno da podridão das raízes e principal ameaça nos pomares; a antracnose e as moscas-das-frutas completam a lista de problemas comuns. Terra que continua encharcada depois da chuva é um alerta mais confiável que os sintomas nas folhas, que só aparecem quando a podridão já está instalada. 5

Variedades, confusões e plantas próximas

Com casca rugosa que escurece na maturação, a Hass, cultivar do tipo A, domina hoje o mercado mundial. A Fuerte, do tipo B e de casca mais fina, sustentou a expansão californiana antes da Hass. Bacon, Zutano e Ettinger resistem melhor ao frio e muitas vezes servem de polinizadoras. 5

A folhagem do abacateiro pode ser confundida com a de outras Lauraceae de porte e textura parecidos, como a canforeira ou o louro; só o fruto em forma de pera, com caroço grande, resolve a dúvida sem ambiguidade. A muda nascida de caroço, muitas vezes cultivada como curiosidade dentro de casa, não reproduz fielmente a cultivar do fruto de origem e em geral leva de 6 a 8 anos para frutificar, se chegar a frutificar. 2 4

Principais fontes

Perguntas frequentes

O abacate é tóxico para animais?

Folhas, casca e caroço contêm persina, uma toxina documentada em cavalos, cabras, gado e aves domésticas. Gatos e cães são menos sensíveis, mas distúrbios digestivos continuam possíveis em caso de ingestão.

Dá para cultivar um abacateiro a partir do caroço?

Sim, o caroço germina com facilidade, mas a árvore jovem não reproduz fielmente a cultivar do fruto de origem e costuma levar de 6 a 8 anos para frutificar, contra 2 a 3 anos para uma muda enxertada.

Por que meu abacateiro não dá frutos?

A causa mais frequente é a falta de um polinizador compatível. As flores do tipo A e do tipo B abrem em momentos diferentes; uma árvore isolada pode florescer sem nunca vingar frutos.

O que significam as cultivares do tipo A e do tipo B?

Elas descrevem a ordem de abertura floral. No tipo A, a flor é feminina de manhã e depois masculina na tarde do dia seguinte; no tipo B, a ordem se inverte. Combinar os dois tipos melhora a polinização.

De onde vem a palavra abacate?

Como o espanhol aguacate e o inglês avocado, remonta ao náuatle āhuacatl, que designava um testículo por analogia com a forma do fruto. Guacamole compartilha a mesma raiz.

O fruto verde, ainda imaturo, é perigoso?

Para pessoas, nenhum risco importante está documentado além de raras reações alérgicas. Para muitos animais, porém, o fruto imaturo continua sujeito à toxicidade da persina, assim como as folhas e a casca.

Onde o abacate é cultivado no mundo?

Sua área nativa vai do centro do México à Costa Rica. Hoje é cultivado do México ao Peru, além da Califórnia, da Espanha, de Israel, da África do Sul e de alguns trechos do litoral mediterrâneo francês.

Plantas semelhantes

Dados botânicos compilados de fontes de referência (RHS, Kew Gardens, POWO). O conteúdo desta ficha é informativo e não substitui a orientação de um botânico ou veterinário em caso de dúvida sobre toxicidade.