Picão-preto (Bidens pilosa, L. 1753)

Picão-preto (Bidens pilosa L., 1753) é uma Asteraceae anual nativa da América tropical e subtropical, hoje presente como planta espontânea em quase todos os continentes. Os aquênios pretos com cerdas farpadas se prendem a roupas, pelos e penas, favorecendo sua dispersão mundial. Reconhecida como invasora na Polinésia Francesa e em Reunião, a espécie também é uma hortaliça tradicional em várias regiões africanas.

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Nome científicoBidens pilosa
GêneroBidens
OrdemAsterales

Picão-preto

Identidade
Toxicidade
Não tóxico : humanos, incluindo crianças, gatos, cães e animais · A verificar : cavalos
Nível de cuidados
Alto
Tipo de planta
Erva anual · Erva daninha invasora
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Anual
País de origem
MéxicoBrasilAmérica Central
Habitat
Solos perturbados, lavouras, estradas, obras, jardins, margens e bordas de mata, até 2.400 m
Sazonalidade
Época de floração
VerãoOutono
Colheita
VerãoOutono
Crescimento
Dormência
Dormente no inverno
Velocidade de crescimento
8/10
Tempo de maturação
Flores seis semanas após emergir; sementes maduras quatro semanas depois
Propagação
Semeadura
Clima e água
Temperatura tolerada
Resistência ao vento
Aquênios farpados dispersos por vento, água e animais
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
Tipos de solo
Solo perturbado, Solo de cultivo, Solo à beira da estrada
Solo salino
Tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Após aclimatação gradual, ofereça algumas horas de sol direto por dia, de preferência pela manhã ou no fim da tarde.

Sol pleno a meia-sombra leve
Área externa
À beira da estrada, Margem de campo, Canteiro de obras, Horta
Aparência
Altura30–180 cm
Folhas
Verde
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — folhas 1
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — folhas 2
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — folhas 3
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — folhas 4
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — folhas 5
Flores
BrancoAmareloTamanho0.6–1.2 cm
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — flores 1
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — flores 2
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — flores 3
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — flores 4
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — flores 5
Frutos
PretoMarrom
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — frutos 1
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — frutos 2
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — frutos 3
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — frutos 4
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — frutos 5
Porte
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — porte 1
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — porte 2
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — porte 3
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — porte 4
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — porte 5
Casca
Verde
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — casca 1
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — casca 2
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — casca 3
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — casca 4
Picão-preto (Bidens pilosa): origem e usos — casca 5

Distribuição global

O POWO situa a área nativa de Bidens pilosa na América tropical e subtropical, do México ao norte da Argentina. A espécie se naturalizou em quase todos os continentes. Consta das listas de invasoras de Reunião e da Polinésia Francesa, onde foi introduzida em 1838. Na França continental, a presença permanece localizada e documentada sobretudo em época recente.

  • Nativo3
  • Introduzido3
  • Invasivo4
  • México
  • Brasil
  • América Central
  • África subsaariana
  • Estados Unidos
  • França continental
  • Austrália
  • Nova Caledônia
  • Polinésia Francesa
  • Reunião

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Picão-preto (Bidens pilosa L., 1753) é uma espécie aceita do gênero Bidens, na família Asteraceae. O nome do gênero reúne as palavras latinas bi- e dens, “dois dentes”, em referência às cerdas farpadas na extremidade de cada aquênio. A palavra pilosa descreve a penugem que recobre os caules e as folhas jovens. 1

Na nomenclatura francesa, o INPN adota “bident poilu”; outros nomes, como “piquants noirs”, “sornet” e “herbe aiguille”, circulam no uso popular e na literatura etnobotânica africana. Essas denominações descrevem sobretudo o fruto preto, fino e pontiagudo, em vez da planta inteira. São nomes de outras línguas, úteis para acompanhar os registros da espécie. 2 4

Sem interesse horticultural reconhecido na Europa, o picão-preto se destaca por dois aspectos botânicos e de uso. É uma planta espontânea de dispersão mundial, cuja identificação tem importância no campo, e mantém um uso alimentar tradicional em diversas regiões tropicais. O mesmo táxon pode, assim, ser uma infestante de lavouras e um alimento aproveitado localmente. 4

Reconhecimento

Erva anual de crescimento ereto, o picão-preto tem caule quadrangular, verde a púrpura, e mede geralmente 30 cm a 1 m, podendo chegar a 1,8 m em condições favoráveis. As folhas opostas e decussadas são pinadas, com três ou cinco folíolos dentados; o terminal é sempre maior do que os laterais. 4 8

Os capítulos têm 6 a 12 mm de diâmetro. Conforme a população, apresentam de quatro a oito lígulas brancas a amareladas, às vezes rosadas, ou nenhuma lígula. No centro, as flores do disco permanecem tubulares e amarelas. Por isso, uma planta sem “pétalas” brancas ainda pode ser identificada como Bidens pilosa. 4

Para reconhecer a espécie, o fruto é o caráter mais seguro: um aquênio preto, linear, de 4 a 13 mm, com costelas e duas a três cerdas farpadas voltadas para trás, ocasionalmente cinco. São essas cerdas que permitem prender os frutos a roupas e pelos de animais, transportando-os para longe da planta que os produziu. 5

Taxonomia e nomes

A combinação Bidens pilosa L. é o nome aceito pelo POWO. Ela reúne uma longa lista de sinônimos acumulados desde o século XVIII, entre eles Kerneria pilosa (L.) Lowe, Cosmea pilosa (L.) Spreng., Coreopsis leucantha L. e Bidens hirsuta Nutt.. Esses nomes históricos não representam, por si sós, espécies diferentes do picão-preto. 1

Mais de 200 espécies integram o gênero Bidens, reunido com Coreopsis na tribo Heliantheae. Alguns autores propõem até unir os dois gêneros, sinal de uma classificação que a própria literatura científica considera insatisfatória. Essa discussão sobre os limites genéricos não impede o uso do nome aceito para identificar a espécie. 4

Dentro de Bidens pilosa, a variação é ampla: plantas eretas ou espalhadas, folhas simples a muito recortadas, capítulos discoides ou radiados e aquênios sem cerdas ou com duas a cinco. Diferentes níveis de ploidia provavelmente participam dessa diversidade. A identificação deve considerar o conjunto de caracteres, sem depender apenas da aparência das flores. 4

Habitat e distribuição

Do México ao norte da Argentina se estende a área nativa tropical e subtropical indicada pelo POWO. Depois, o picão-preto se naturalizou em quase todos os continentes. Agricultura, comércio e o simples transporte de frutos presos a viajantes contribuíram para levar a espécie além da região americana de origem. 1

Solos perturbados, lavouras com capina tardia, margens de estradas, obras e jardins são ocupados do nível do mar até 2.400 m. A germinação é ótima entre 25 e 30 °C e desfavorável abaixo de 15 °C ou acima de 45 °C. A planta tolera pH de 4 a 9 e salinidade de até 100 mM de NaCl, incomum para uma infestante anual. 4

Nos territórios franceses ultramarinos, consta das listas de invasoras de Reunião e da Polinésia Francesa. Nesta última, a introdução data de 1838 e a ocupação ocorre sobretudo em ambientes perturbados. Na França continental, a presença está localizada em apenas dois departamentos documentados. Esses registros descrevem o contexto francês, sem definir o enquadramento de outros países. 6 7 3

Ciclo e reprodução

Cerca de seis semanas após a emergência começam as flores, que continuam a surgir sem interrupção até a senescência, dois a três meses depois. O picão-preto é autofértil, embora os insetos também participem da polinização cruzada. A produção não depende, portanto, exclusivamente da chegada de pólen de outra planta. 4

As primeiras sementes amadurecem quatro semanas depois do início da floração. Cada planta apresenta pelo menos 80 capítulos e pode produzir até 3.000 sementes por geração. Em clima favorável, são possíveis até quatro gerações no mesmo ano. Os aquênios das flores centrais germinam melhor do que os das flores periféricas. 4

A elevada fecundidade se combina com uma dispersão externa eficiente por animais, chamada epizoocoria. As cerdas farpadas prendem os aquênios a roupas, pelos e penas. A água corrente também carrega os frutos por longas distâncias. Essa combinação de produção de sementes e transporte facilita a chegada a novos locais. 5

Usos e toxicidade

Não há toxicidade alimentar documentada para humanos, gatos ou cães. Para cavalos, a segurança continua incerta por falta de dados publicados. A diferença entre esses estados deve ser mantida: a ausência de informação para um animal não permite atribuir a ele a mesma avaliação dada aos demais. 4

Na África subsaariana, folhas frescas e brotos jovens são cozidos em molhos ou secos e moídos para a estação seca. Constituem um alimento de escassez apreciado de Serra Leoa a Moçambique. Cem gramas de folhas frescas fornecem cerca de 43 kcal, 3,8 g de proteína e 1.800 μg de betacaroteno. O consumo cru é desaconselhado, pois são ricas em saponinas. 4

Raízes, folhas e sementes aparecem em farmacopeias tradicionais da África, Ásia e América tropical contra feridas, dores de cabeça, infecções ou malária. Um extrato etanólico inibiu até 90% do crescimento de Plasmodium falciparum in vitro, sem estabelecer uso médico validado. O nome inglês “soldier vegetable” se refere aos soldados americanos que consumiam as folhas durante a Guerra do Vietnã. 4 5

Variedades, confusões e plantas próximas

Não há cultivar horticultural reconhecido de picão-preto; as principais confusões envolvem espécies próximas. A erva-rapa (Bidens frondosa), mais frequentemente registrada como infestante na França continental, costuma ter lígulas ausentes e aquênios com apenas duas cerdas. Já Bidens bipinnata apresenta folhagem mais finamente recortada, um contraste útil ao observar as folhas. 1

Folhas dentadas e pequenos capítulos amarelos também podem lembrar Galinsoga parviflora, outra Asteraceae espontânea comum nos jardins. Seus aquênios, porém, não têm cerdas farpadas e não grudam na roupa. Em todos esses casos, o fruto oferece um caráter de campo mais confiável do que a cor ou a presença de lígulas, ambas variáveis. 4

Fontes principais

Perguntas frequentes

O picão-preto é tóxico?

Não há toxicidade alimentar documentada em humanos, gatos ou cães. A segurança para cavalos permanece incerta por falta de dados publicados.

É possível comer o picão-preto?

Sim, cozido. Folhas e brotos jovens são uma hortaliça tradicional em várias regiões da África subsaariana, mas o consumo cru é desaconselhado pelo alto teor de saponinas das folhas frescas.

Por que as sementes grudam na roupa?

O aquênio tem duas a três cerdas farpadas voltadas para trás, que se prendem a fibras, pelos e penas. Essa dispersão por epizoocoria ajuda a explicar a rápida expansão mundial da espécie.

O picão-preto é invasor na França?

Consta das listas oficiais de invasoras de Reunião e da Polinésia Francesa. Na França continental, a presença é localizada e documentada sobretudo em época recente.

Como distinguir Bidens pilosa de Bidens frondosa?

Bidens frondosa, mais frequente na França continental, costuma ter aquênios com duas cerdas e lígulas muitas vezes ausentes. Bidens pilosa pode apresentar até cinco cerdas por aquênio.

De onde vem o picão-preto?

Sua área nativa fica na América tropical e subtropical, do México ao norte da Argentina. Depois, a espécie se naturalizou em quase todos os continentes.

O picão-preto tem usos tradicionais?

Sim. Além do uso alimentar, aparece em várias farmacopeias tradicionais da África, Ásia e América tropical, em usos contra feridas, dores de cabeça e algumas febres.

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Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.