Trifoliata (Citrus trifoliata, )
Trifoliata (Citrus trifoliata) é um arbusto de folhas caducas da família Rutaceae, originário da China. Por muito tempo separado no gênero Poncirus, distingue-se dos cítricos cultivados pelas folhas com três folíolos, pelos espinhos longos e pela queda das folhas no inverno. Sua resistência excepcional ao frio o torna um porta-enxerto de referência para cultivar cítricos fora das zonas tropicais.
Ler maisTrifoliata, Laranjeira-trifoliata, Poncirus, Hardy orange e Karatachi
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Taken Jun 25, 2014 by Tela Botanica − Yoan MARTIN (cc-by-sa)
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Distribuição global
A área nativa de Citrus trifoliata fica no centro e sul da China; várias floras regionais também incluem a Coreia. Introduzida há muito tempo no Japão e amplamente plantada em outros lugares por sua resistência ao frio, naturalizou-se no sudeste dos Estados Unidos, onde consta como invasora em vários estados.
- Nativo2
- Introduzido2
- Invasivo1
- China
- Coreia
- Japão
- Leste da Austrália
- Estados Unidos (sudeste)
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Trifoliata (Citrus trifoliata L., 1763), também chamada laranjeira-trifoliata, é um arbusto de folhas caducas da família Rutaceae. Por muito tempo isolada no gênero Poncirus, foi incluída em Citrus nas classificações atuais. Sua aparência é singular entre os cítricos cultivados: casca verde-viva repleta de espinhos e folhagem que cai a cada outono. 1 2
O nome histórico Poncirus trifoliata (L.) Raf. continua muito usado na horticultura e na literatura científica antiga. Ele e Citrus trifoliata designam a mesma planta, de modo que a diferença entre os nomes não indica duas espécies distintas. 1
Originária da China, a espécie cresce há séculos em bordas de florestas e cercas vivas. Sua expansão passou depois pela Coreia e pelo Japão, favorecida pela resistência ao frio que já despertava interesse nessas regiões. Essa circulação explica parte de sua longa história de cultivo no leste asiático. 3
Reconhecimento
As folhas trifoliadas são o primeiro sinal de reconhecimento: cada folha possui três folíolos ligados a um pecíolo alado, organização singular entre os cítricos cultivados. Ao contrário da maioria dos Citrus, de folhas persistentes, a trifoliata é caducifólia e perde toda a folhagem no inverno. 3 4
Caules angulosos de cor verde-viva apresentam espinhos longos e rígidos em cada nó. O contato firme pode causar arranhões, razão de seu emprego para impedir a passagem. O arbusto forma uma estrutura densa, com 2 a 6 m de altura e cerca de 2 a 5 m de largura. 4 2
Brancas e solitárias, as flores têm quatro ou cinco pétalas e chegam a 7 cm de diâmetro. Abrem na primavera, muitas vezes antes de a folhagem se completar. O fruto arredondado e pubescente fica amarelo-opaco no outono; a casca áspera e levemente aveludada o distingue ao toque dos cítricos comuns. 4 3
Taxonomia útil
Ao longo do tempo, diferentes autores alteraram a posição dessa espécie. No século XX, suas folhas caducas e trifoliadas sustentaram a separação no gênero Poncirus. Uma revisão taxonômica mais recente voltou a incluí-la em Citrus, sem eliminar o uso horticultural do nome anterior. 1
Os principais sinônimos associados à espécie são:
- Poncirus trifoliata (L.) Raf., nome histórico da mesma espécie
- Citrus trifoliata var. monstrosa T.Itô, variedade de caules contorcidos
- Poncirus trifoliata f. monstrosa (T.Itô) H.Hara, combinação associada à forma contorcida
A variedade monstrosa, de caules retorcidos, está na origem do cultivar ornamental Flying Dragon. Embora Citrus trifoliata seja o nome científico aceito atualmente, Poncirus trifoliata continua aparecendo no comércio horticultural e em descrições de porta-enxertos. A identificação deve considerar os dois nomes. 1 9
Habitat e distribuição
No centro e sul da China fica a área nativa, à qual várias floras regionais acrescentam a Coreia. Introduzida há muito tempo no Japão, a planta é cultivada ali como karatachi, especialmente em cercas vivas defensivas ao redor dos campos. 3 1
Amplamente plantada pela resistência ao frio, naturalizou-se no sudeste dos Estados Unidos. Coloniza bordas de florestas, cercas rurais e terrenos baldios e consta oficialmente como invasora no Alabama, Geórgia, Carolina do Sul e Virgínia. Cada planta produz muitas sementes, que germinam facilmente sob cobertura florestal e favorecem a expansão pelo sub-bosque e pelas margens das estradas. 7 3
Na França, o cultivo como porta-enxerto de cítricos ou cerca viva ornamental predomina, sem situação invasora documentada. Esse quadro é regional e não deve ser tomado como descrição automática da espécie em outros países, onde as condições de naturalização e os registros podem ser diferentes. 8
Ciclo e reprodução
Durante a primavera, flores perfumadas surgem isoladamente nos ramos formados no ano anterior. A época exata varia com o clima e o hemisfério. O fruto demora vários meses para amadurecer e cai no outono, frequentemente depois das primeiras folhas, acompanhando o encerramento do período de crescimento. 4 2
Para multiplicar a planta, usa-se sobretudo a semeadura, após várias semanas de estratificação a frio, ou a estaquia de ramos semilenhosos no verão. Uma planta originada de semente geralmente leva 3 a 5 anos até a primeira floração, sem produzir flores imediatamente após a germinação. 5
O principal interesse agronômico está na resistência ao frio. Uma variedade de Citrus enxertada sobre suas raízes ganha vários graus de tolerância à geada em comparação com a mesma planta sobre raízes próprias. Por isso, a trifoliata é um porta-enxerto de referência para cultivar cítricos fora das zonas tropicais. 5 9
Usos e riscos
No leste da Ásia, o fruto imaturo seco participa da preparação do remédio digestivo tradicional Zhi Shi. Foi sua principal fonte até a dinastia Song, quando a laranjeira-amarga Citrus aurantium, considerada mais ativa, passou a substituí-lo. Trata-se de um uso tradicional historicamente documentado. 3
Cru, o fruto é muito ácido e amargo, inadequado para consumo direto. Seu aproveitamento se concentra em geleias e bebidas ácidas. O interesse do fruto processado, portanto, não significa que ele seja agradável para comer fresco como uma tangerina ou uma laranja-doce. 5
Como a maioria dos cítricos, a planta contém óleos essenciais e psoralenos irritantes. Essa combinação pode causar distúrbios digestivos e dermatite de contato ao manipular folhas ou casca do fruto sob sol forte. A ASPCA a classifica como tóxica para gatos, cães e cavalos. 6 3
Além dos compostos irritantes, os espinhos longos e rígidos oferecem risco mecânico. Sua capacidade de ferir ao contato explica o uso tradicional em cercas defensivas difíceis de atravessar, mais do que como planta ornamental isolada. Esse caráter deve ser considerado ao escolher onde plantá-la. 4
Variedades, confusões e plantas próximas
Entre as seleções, Flying Dragon, com caules retorcidos e espinhos muito curvos, é a ornamental mais difundida e também serve como porta-enxerto ananicante para cítricos em vasos. Rubidoux se destaca pelo vigor; Pomeroy é usada em pesquisa para distinguir biótipos de nematoides dos cítricos. 9
A confusão mais comum ocorre com mudas de outros Citrus. O sinal confiável é o conjunto de folhas trifoliadas e caducas, com três folíolos por folha. Nenhum cítrico comercial clássico reúne essa organização e a perda de toda a folhagem no inverno, mesmo que também apresente espinhos. 4 3
Nos cruzamentos com outros Citrus, como citranges e citrumelos, há transmissão de espinhos e melhor tolerância ao frio para as plantas enxertadas, sem reproduzir a folhagem caduca do parental trifoliado. Essas plantas próximas precisam ser reconhecidas como cruzamentos, mantendo a distinção em relação à espécie de origem.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Citrus trifoliata L.
- Royal Horticultural Society, Citrus trifoliata, laranjeira-amarga-japonesa
- North Carolina Extension Gardener Plant Toolbox, Citrus trifoliata
- Missouri Botanical Garden Plant Finder, Poncirus trifoliata
- Plants For A Future, Poncirus trifoliata
- ASPCA, toxicidade da laranja (Citrus)
- Invasive Plant Atlas of the United States, laranjeira-trifoliata
- INPN / MNHN, Poncirus trifoliata (L.) Raf.
- Givaudan Citrus Variety Collection / UC Riverside, variedades de porta-enxertos
Perguntas frequentes
A trifoliata é um cítrico de verdade?
Sim, no sentido botânico. Pertence à família Rutaceae e ao gênero Citrus na classificação atual, embora tenha sido separada por muito tempo no gênero Poncirus pelas folhas caducas e trifoliadas, muito diferentes das de outros Citrus.
O fruto da trifoliata pode ser consumido?
O fruto cru é muito ácido e amargo, praticamente impossível de comer diretamente. Serve sobretudo para geleias e bebidas ácidas; o fruto imaturo seco também entra em um remédio tradicional do leste asiático.
Por que a trifoliata é usada como porta-enxerto?
Suas raízes conferem uma resistência ao frio bem maior que a dos Citrus comuns. Uma variedade enxertada nela suporta geadas que a mesma planta sobre suas próprias raízes não toleraria.
A trifoliata é invasora?
É invasora no sudeste dos Estados Unidos, onde coloniza bordas de florestas e terrenos baldios e consta em várias listas oficiais de espécies invasoras. Na França, permanece principalmente cultivada, sem situação invasora documentada.
A trifoliata é tóxica para gatos e cães?
Como a maioria dos cítricos, contém óleos essenciais e psoralenos irritantes. A ASPCA a classifica como tóxica para gatos, cães e cavalos, com possíveis distúrbios digestivos após a ingestão.
Qual é a diferença entre Citrus trifoliata e Poncirus trifoliata?
São dois nomes para a mesma planta. Poncirus trifoliata é o nome histórico, ainda muito usado na horticultura; Citrus trifoliata é o nome atualmente adotado pelas principais bases taxonômicas.
Como podar a trifoliata em uma cerca viva?
Pode logo após a floração, usando luvas grossas e mangas compridas por causa dos espinhos. Uma poda anual basta para limitar o crescimento sem comprometer a floração do ano seguinte.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.






