Castanha-de-água-chinesa (Eleocharis dulcis, (Burm.f.) Trin. ex Hensch. 1833)

Eleocharis dulcis é uma herbácea aquática perene da família Cyperaceae, nativa da Ásia tropical e subtropical, da África tropical e da Oceania. Sem folhas verdadeiras, apresenta caules tubulares verde-vivos e produz, sob o lodo, cormos arredondados de polpa branca e crocante, cultivados há muito tempo como hortaliça aquática.

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Nome científicoEleocharis dulcis
GêneroEleocharis
OrdemPoales

Castanha-de-água-chinesa, Chinese water chestnut, Water chestnut, Bíqí e Mǎtí

Identidade
Toxicidade
Não tóxico : humanos, incluindo crianças, gatos e cães · A verificar : cavalos
Nível de cuidados
Moderado
Tipo de planta
Erva aquática · Herbácea perene
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
ChinaTailândiaÍndiaFilipinasAustráliaÁfrica tropical e austral
Habitat
Pântanos, arrozais alagados e águas rasas paradas, a pleno sol
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Colheita
Outono
Crescimento
Dormência
Dormente no inverno
Velocidade de crescimento
8/10
Tempo de maturação
Cormos maduros colhidos 6 a 8 meses após o plantio, no fim do verão
Propagação
Divisão, Semeadura
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
40–60 km/h
Umidade
80–100 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo franco-arenoso, Solo úmido
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Sol pleno em água rasa e ensolarada
Área externa
Margem de lago, Horta
Vasos
Cesta aquática, Recipiente
Aparência
Altura40–150 cmLargura20–60 cm
Folhas
Verde
Flores
Marrom
Frutos
Marrom
Eleocharis dulcis: origem e usos — frutos 1
Eleocharis dulcis: origem e usos — frutos 2
Casca
Verde

Distribuição global

A área nativa de Eleocharis dulcis abrange a Ásia tropical e subtropical, a África tropical e a Oceania, chegando ao norte da Austrália. Hoje é amplamente cultivada no leste e sudeste da Ásia e introduzida comercialmente em outras regiões quentes.

  • Nativo6
  • Introduzido1
  • China (Guangxi, Guangdong)
  • Tailândia
  • Índia
  • Filipinas
  • Austrália (Território do Norte)
  • África tropical e austral
  • Estados Unidos (Flórida, Califórnia)

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Eleocharis dulcis (Eleocharis dulcis (Burm.f.) Trin. ex Hensch., 1833) é uma herbácea aquática perene da família Cyperaceae, conhecida como castanha-de-água-chinesa. O nome não indica parentesco com as castanheiras do gênero Castanea: vem apenas da forma e da crocância do cormo subterrâneo, a única parte comestível da planta. 3 1

O cormo não é tóxico, mas pode transmitir fasciolopsíase quando consumido cru sem ser descascado nem lavado. Sua superfície, formada em água parada, pode carregar o verme intestinal Fasciolopsis buski. Descascar ou cozinhar basta para eliminá-lo.

Na China, os nomes bíqí (荸荠) e mǎtí (马蹄) designam a planta. O segundo significa literalmente “casco de cavalo”, uma imagem da forma achatada e arredondada do cormo. Em inglês, Chinese water chestnut distingue a espécie de Trapa natans, outra planta chamada “water chestnut”, apesar de ser inteiramente diferente. 2

Reconhecimento

Caules tubulares verde-vivos, eretos e divididos internamente por septos regulares realizam a fotossíntese em Eleocharis dulcis, que não produz folhas verdadeiras. Com 1 a 1,5 m de altura, captam a luz acima da água rasa. Cada um termina em uma espigueta castanho-amarelada, sem pétalas ou cores vistosas. 2 3

Sob o lodo, cada touceira forma um ou mais cormos arredondados de 2,5 a 4 cm, com casca escamosa castanho-escura a quase preta. A polpa branca e crocante contém cerca de 80 % de água. Apenas esse cormo é comestível; os caules aéreos não são consumidos. 3 4

Taxonomia útil

Em 1768, Burman descreveu a planta como gramínea, sob o nome Andropogon dulcis Burm.f. 1768. Trinius e Henschel a transferiram em 1833 para Eleocharis, nas Cyperaceae. O episódio mostra como um caule tubular sem folhas pode lembrar uma gramínea ao observador desatento. A autoria do nome aceito, Eleocharis dulcis (Burm.f.) Trin. ex Hensch., registra essas duas etapas. 1

Diversos sinônimos foram usados para a mesma espécie:

  • Eleocharis tuberosa Schult., sinônimo da espécie
  • Eleocharis plantaginea (Retz.) Roem. & Schult.
  • Scirpus tuberosus Roxb.
  • Scirpus plantagineus Retz.

A forma cultivada de cormos grandes é classificada como Eleocharis dulcis var. tuberosa (Schult.) T.Koyama, distinguindo-se do tipo silvestre de cormos menores. 1 7

Habitat e distribuição

Ásia tropical e subtropical, África tropical e Oceania compõem a distribuição nativa de Eleocharis dulcis. A ocorrência chega ao norte da Austrália, onde gansos-de-pés-semipalmados comem os cormos e usam os caules tubulares para construir ninhos flutuantes durante a estação chuvosa. 2 1

Enraizada no lodo, a planta exige água parada rasa, com aproximadamente 10 cm, e sol pleno para formar cormos de bom tamanho. É cultivada em grande escala no sul da China, na Tailândia, em Taiwan, nas Filipinas e na Índia. Também foi introduzida comercialmente nos Estados Unidos e no sudoeste australiano. 2 6

Ciclo e reprodução

Cerca de sete meses sem geada são necessários ao cultivo de Eleocharis dulcis. Os cormos brotam quando o solo chega a aproximadamente 13,6 °C; o crescimento vegetativo acelera entre 30 e 35 °C, seguido pela formação dos cormos em condições 5 °C mais frescas. Dias com menos de 12 horas de luz aceleram o engrossamento, explicando a colheita do fim do verão ao outono, quando os caules amarelecem e secam. 2 5

Pragas aquáticas podem comprometer a cultura: larvas de tricópteros, lagartas, cigarrinhas e cochonilhas atacam os caules. A ferrugem por Uromyces e a queima dos caules por Cylindrosporium eleocharidis se desenvolvem no calor úmido, enquanto nematoides do solo atacam diretamente os cormos em formação. 5 2

A propagação ocorre quase sempre pela divisão dos cormos, plantados na primavera. A semeadura é possível, mas mais lenta e sobretudo experimental. Em uma estação, um único cormo origina toda uma touceira. Há registros de produtividade de 20 a 40 t/ha na China e de 47 a 85 t/ha em sistemas intensivos. 4 2

Usos e riscos

Com sabor doce e textura crocante, o cormo pode ser consumido cru ou cozido. A crocância resiste até ao cozimento prolongado: oligômeros de ácido ferúlico enrijecem suas paredes celulares. Essa composição explica melhor sua firmeza em refogados e conservas do que a simples frescura. Cru, fornece cerca de 97 kcal e 24 g de carboidratos por 100 g, além de quantidades relevantes de potássio, manganês e vitamina B6. 2 4

Na culinária chinesa e tailandesa, o cormo entra em refogados, conservas e farinha para bolo de castanha-de-água. Também é cristalizado para a sobremesa tailandesa thap thim krop. 2

O cormo não é tóxico para humanos ou para os animais domésticos habituais. Entretanto, consumi-lo cru sem descascar nem lavar traz um risco real: a superfície, em contato com água parada, pode carregar metacercárias de Fasciolopsis buski, causadoras da fasciolopsíase. Descascar e lavar bem, ou simplesmente cozinhar, elimina esse risco. 2

Variedades, confusões e plantas próximas

A forma cultivada var. tuberosa tem cormos nitidamente maiores que os do tipo silvestre, sem constituir uma espécie separada. O nome aceito Eleocharis dulcis continua sendo a referência segura para a identificação. 1

As confusões mais frequentes envolvem estas plantas:

  • Trapa natans, também chamada castanha-de-água, é uma Lythraceae anual flutuante de fruto com chifres, sem parentesco próximo com Eleocharis dulcis;
  • Cyperus esculentus é outra Cyperaceae de tubérculos doces, mas pertence a outro gênero e tem sabor mais semelhante ao de avelã;
  • outras espécies silvestres de Eleocharis podem parecer iguais na fase vegetativa, sem produzir cormos de tamanho comercial.

Sem cormos nem espiguetas visíveis, apenas uma coleta cuidadosa permite separar essas espécies que compartilham ambientes de pântanos e arrozais. 3

Fontes principais

Perguntas frequentes

A castanha-de-água-chinesa é uma castanha verdadeira?

Não. Eleocharis dulcis pertence às Cyperaceae e não tem parentesco com as castanheiras do gênero Castanea. O nome remete apenas à forma e à crocância do cormo comestível.

É seguro comer o cormo cru?

O cormo não é tóxico, mas sua superfície, em água parada, pode carregar metacercárias de Fasciolopsis buski. Descascar e lavar bem, ou cozinhar, elimina esse risco de fasciolopsíase.

Qual é a diferença para Trapa natans?

Trapa natans é uma Lythraceaceae anual flutuante de fruto com chifres. Compartilha apenas o nome castanha-de-água com Eleocharis dulcis, sem parentesco botânico próximo.

Como reconhecer Eleocharis dulcis sem flores ou cormos visíveis?

Os caules tubulares verde-vivos, eretos, sem folhas verdadeiras e divididos internamente por septos são a referência mais confiável, mesmo sem espiguetas ou cormos aparentes.

É tóxica para gatos e cães?

O cormo não tem toxicidade documentada para gatos, cães ou humanos. Ainda faltam dados específicos para cavalos.

Como cultivar Eleocharis dulcis em casa?

Plante os cormos na primavera em um tanque ou recipiente grande submerso, a pleno sol, mantendo 5 a 10 cm de água. A colheita ocorre 6 a 8 meses depois, no fim do verão.

Por que os cormos continuam crocantes depois de cozidos?

Oligômeros de ácido ferúlico enrijecem a parede celular. Essa composição química explica por que o cormo mantém a crocância em refogados e conservas, mais do que sua simples frescura.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.