Hera-de-canteiro (Glechoma hederacea, L. 1753)

Hera-de-canteiro (Glechoma hederacea) é uma perene rasteira e aromática da família Lamiaceae, nativa da Europa até a Sibéria ocidental. Forma um tapete baixo de folhas arredondadas e crenadas, com flores azul-violeta. Seus caules quadrangulares enraízam em cada nó, ajudando a distingui-la de malvas e espécies de Lamium.

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Nome científicoGlechoma hederacea
GêneroGlechoma
OrdemLamiales

Hera-de-canteiro, Hera-terrestre, Ground-ivy, Creeping Charlie e Gundermann

Identidade
Toxicidade
Não tóxico : humanos · Cuidado : crianças · Tóxico : gatos, cães, cavalos e animais
Nível de cuidados
Baixo
Tipo de folhas
Semiperenifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
EuropaRússiaChinaFrança
Habitat
Sub-bosques claros, prados úmidos, taludes, gramados e arredores de construções; tolera cortes repetidos
Benefícios ambientais
Flores de primavera visitadas por abelhas silvestres (Anthophora, Osmia)Forração que reduz o solo exposto em sub-bosques claros
Sazonalidade
Época de floração
PrimaveraVerão
Colheita
Primavera
Crescimento
Dormência
Dormente no inverno
Velocidade de crescimento
8/10
Tempo de maturação
Tapete visível na primeira estação, denso em um ano
Propagação
Estaca caulinar com nó, Divisão, Semeadura
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
Boa; planta baixa pouco exposta ao vento
Umidade
40–80 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo fresco, Solo rico, Solo bem drenado
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Em geral, ofereça bastante luz ambiente, sem sol direto sobre as folhas.

Meia-sombra a sol suave; recomenda-se solo úmido
Área externa
Bordadura sombreada, Jardim de bosque, Bordadura ensolarada
Vasos
Vaso suspenso, Vaso grande com drenagem
Aparência
Altura5–20 cmLargura30–200 cm
Folhas
VerdeRoxo
Flores
AzulRoxoTamanho1–2 cm
Porte
Hera-de-canteiro (Glechoma hederacea): origem e usos — porte 1
Casca
VerdeRoxo

Distribuição global

O POWO situa a área nativa de Glechoma hederacea na Europa, até a Sibéria ocidental e Xinjiang. Introduzida por colonizadores europeus, naturalizou-se amplamente na América do Norte e na Nova Zelândia, onde às vezes é considerada uma planta daninha invasora de gramados e sub-bosques.

  • Nativo4
  • Introduzido3
  • Europa
  • Rússia ocidental e Sibéria
  • Xinjiang (China)
  • França
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Nova Zelândia

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Hera-de-canteiro (Glechoma hederacea L., 1753), também chamada hera-terrestre, é uma espécie aceita da família Lamiaceae, descrita por Linné em Species Plantarum. POWO e INPN confirmam esse nome aceito, sem grande controvérsia de sinonímia. Seu porte rasteiro e aromático a aproxima visualmente de várias ervas de locais úmidos. 1 2

A comparação com a hera se deve à forma rasteira, sem parentesco próximo com o gênero Hedera, das Araliaceae. O próprio epíteto hederacea significa semelhante à hera: é uma referência à silhueta da planta, não à sua posição taxonômica. 5

O gênero Glechoma reúne poucas espécies eurasiáticas, entre elas Glechoma hirsuta, do sudeste europeu. G. hederacea forma tapetes que raramente superam 20 cm de altura e tem pelos curtos, quase invisíveis a olho nu. Já G. hirsuta apresenta folhagem nitidamente pilosa, um sinal útil onde as distribuições se sobrepõem. 5

Reconhecimento

Um tapete baixo de caules quadrangulares, rastejantes e enraizados em cada nó caracteriza a planta, com traços típicos das Lamiaceae. As folhas opostas são arredondadas a reniformes, com margens crenadas, e medem 2 a 3 cm; seus pecíolos têm 3 a 6 cm. Ao amassar a folhagem, percebe-se um cheiro mentolado nítido. 4 6

Flores tubulares, de simetria bilateral e coloração azul-violeta a lavanda surgem em grupos de duas ou três nas axilas das folhas. A floração vai da primavera ao verão, conforme o clima, com pico na primavera. Assim, a época de florescimento pode ultrapassar a estação de maior intensidade floral. 4

As dimensões variam bastante conforme o ambiente: os caules podem ter 5 a 50 cm de comprimento, embora a altura ereta costume ficar abaixo de 20 cm. Uma muda isolada, ainda sem estolões nem raízes nos nós, é uma planta jovem. O tapete denso típico só se forma depois de meses de expansão clonal. 4

Malva neglecta, Lamium amplexicaule e Lamium purpureum compartilham seu habitat e podem causar confusão. A malva tem folhas arredondadas, mas caules redondos e pilosidade diferente. As duas espécies de Lamium pertencem à mesma família de Hera-de-canteiro, porém não enraízam nos nós da mesma maneira nem apresentam o cheiro mentolado tão evidente da folhagem amassada. 6 7

Taxonomia útil

Na subfamília Nepetoideae e tribo Mentheae, Glechoma hederacea está ao lado de hortelãs e sálvias. A espécie é um tetraploide diploidizado, com 2n = 36 cromossomos (x = 9), condição confirmada por análises enzimáticas de populações do norte e do centro da Europa. 5 9

A diploidização significa que a espécie se comporta geneticamente como um diploide, apesar de sua origem tetraploide. Seus loci enzimáticos segregam segundo um padrão dissômico clássico, sem as complicações comuns nos poliploides recentes. O termo descreve o funcionamento da herança e não uma diferença visível entre plantas de jardim. 9

Outra característica é a ginodioicia: alguns indivíduos produzem apenas flores femininas, enquanto outros têm flores hermafroditas. As flores femininas dependem do pólen dos indivíduos hermafroditas. Essa combinação ajuda a explicar por que um tapete isolado pode florescer sem formar muitas sementes. 4

Habitat e distribuição

A Europa, a Sibéria ocidental e Xinjiang compõem a área nativa indicada pelo POWO. A planta ocupa sub-bosques claros, prados úmidos, taludes e gramados; tolera sombra e sol suave quando o solo conserva umidade. Tapetes estabelecidos suportam frio de inverno de aproximadamente -25 °C sem danos. 1 6

Colonizadores europeus levaram a espécie a outros continentes. Nos Estados Unidos e no Canadá, onde é introduzida, ela forma tapetes densos nas bordas de gramados e bosques, favorecida pela resistência ao corte frequente. Um fragmento de caule esquecido no chão pode enraizar em poucos dias, dificultando a eliminação apenas por arranquio manual. 4 7

Na França, onde é nativa, não integra as espécies invasoras acompanhadas. Sua presença em sub-bosques e gramados é considerada parte comum da flora local. Essa situação francesa deve ser distinguida do comportamento de planta introduzida observado em outras regiões. 2

Ciclo e reprodução

Sementes e expansão clonal oferecem duas vias de reprodução. Cada flor polinizada produz até quatro sementes, depositadas perto da planta-mãe quando o caule se curva; formigas podem levá-las mais longe. A germinação ocorre poucos dias após o contato com a umidade, e cerca de um mês de armazenamento a seco melhora sua taxa. 4

Na expansão clonal, os caules rastejantes se curvam até o solo e enraízam nos nós, formando novos indivíduos capazes de se tornar independentes da planta de origem. Um único clone pode cobrir vários metros quadrados, explicando a rapidez com que a forração ocupa um canteiro favorável. 4

Abelhas silvestres dos gêneros Anthophora e Osmia polinizam as flores. A planta também atrai insetos formadores de galhas, como Rondaniola bursaria, sem que isso prejudique seriamente o vigor do tapete. A presença desses insetos não significa, por si só, perda de vitalidade da forração. 4

Usos e riscos

Antes da difusão do lúpulo, no fim do século XV, saxões e ingleses usavam a planta para clarificar e conservar cerveja. Esse uso documentado deixou os nomes ingleses alehoof e gill-over-the-ground. As folhas jovens também foram consumidas como verdura cozida e em infusões tradicionais para problemas respiratórios, sem que esse histórico equivalha a uma recomendação terapêutica. 4

A concentração de óleo essencial é cerca de 30 vezes menor que a do poejo (Mentha pulegium), uma Lamiaceae próxima muito mais tóxica. Ainda assim, há risco documentado para cavalos que ingerem grandes quantidades, tanto frescas quanto secas no feno, com relatos de salivação excessiva e dificuldade respiratória. 4 8

Em gatos e cães, a ingestão ocasional provoca distúrbios digestivos leves, em vez de intoxicação grave. O uso alimentar humano herdado da tradição exige identificação segura antes de qualquer consumo fora de um contexto culinário orientado. A identificação deve considerar o conjunto de folhas, caules, enraizamento e odor. 8

Variedades, confusões e plantas próximas

Poucos cultivares estáveis são registrados, e a maioria dos exemplares à venda corresponde ao tipo silvestre. Variegata é a seleção mais difundida: tem folhas variegadas de branco-creme e costuma ser cultivada em vasos suspensos. Seu vigor menor que o do tipo explica essa preferência em relação ao plantio direto no solo. 6

As confusões frequentes envolvem três espécies:

  • Lamium purpureum tem folhas mais pontudas e flores rosa-púrpura, em vez de azul-violeta;
  • Lamium amplexicaule apresenta folhas superiores que abraçam diretamente o caule;
  • Malva neglecta tem caules redondos, não quadrangulares, e não libera cheiro mentolado marcado.

Essas diferenças ganham importância porque Hera-de-canteiro muitas vezes cresce junto dessas plantas nas bordas de gramados e sub-bosques claros. A convivência no mesmo ambiente aumenta as oportunidades de confusão em campo, tornando necessária a comparação de vários caracteres, e não apenas da forma arredondada das folhas. 7

Fontes principais

Perguntas frequentes

Hera-de-canteiro é uma hera verdadeira?

Não. Glechoma hederacea pertence às Lamiaceae, família da hortelã, e não às Araliaceae do gênero Hedera. A referência à hera vem apenas do porte rasteiro semelhante.

Como distinguir Hera-de-canteiro das espécies de Lamium?

Hera-de-canteiro tem caules quadrangulares que enraízam em cada nó e liberam cheiro mentolado quando amassados. Espécies como Lamium purpureum não têm esse mesmo enraizamento nem um cheiro tão marcado.

Hera-de-canteiro é tóxica?

Há risco documentado para cavalos em grandes quantidades, com possível salivação e dificuldade respiratória. Gatos e cães podem apresentar distúrbios digestivos leves; o uso alimentar humano é histórico e em pequenas quantidades.

Hera-de-canteiro pode tomar conta do jardim?

Na França, onde é nativa, não é classificada como invasora. Fora da área nativa, sobretudo na América do Norte, forma tapetes densos difíceis de eliminar e considerados plantas daninhas.

É possível comer Hera-de-canteiro?

As folhas jovens foram usadas por séculos em saladas e infusões, e a planta ajudava a clarificar cerveja antes do uso do lúpulo. Esse histórico não dispensa uma identificação segura antes de qualquer consumo.

Por que algumas folhas são variegadas?

A variegação branco-creme caracteriza o cultivar Variegata, selecionado para ornamentação e frequentemente vendido em vasos suspensos. Ela não altera as necessidades de cultivo da espécie.

Como limitar a expansão de Hera-de-canteiro?

Corte regularmente os estolões nas bordas do canteiro e divida o tapete quando o centro ficar muito denso. Uma borda mineral ou um caminho ajuda a conter sua progressão.

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Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.