Loendro (Nerium oleander, )



O loendro (Nerium oleander L.) é um arbusto ou pequena árvore perene da família Apocynaceae, nativo da bacia do Mediterrâneo até Mianmar segundo o POWO/WCVP. Muito cultivado pelas flores e pela resistência à seca, precisa ser reconhecido antes de tudo como planta de risco: todas as partes e todas as variedades são tóxicas, por conterem glicosídeos cardiotônicos.
Ler maisEspirradeira, Oleandro, Oleander, Rose bay e Rose-laurel
Após aclimatação gradual, ofereça algumas horas de sol direto por dia, de preferência pela manhã ou no fim da tarde.

Distribuição global
O POWO/WCVP indica uma área nativa que vai da bacia do Mediterrâneo a Mianmar, incluindo a França e a Córsega. A espécie foi introduzida em muitas regiões quentes; nenhum status de invasora é atribuído a ela na França continental.
- Nativo9
- Introduzido4
- França mediterrânea
- Córsega
- Espanha
- Itália
- Grécia
- Turquia
- Irã
- Índia
- Mianmar
- Califórnia
- Havaí
- Japão
- Nova Gales do Sul
Hexágonos: regiões documentadas. Pontos verdes: área nativa. Status segundo POWO (Kew).
Identidade
O loendro (Nerium oleander L., 1753) é uma espécie aceita do gênero Nerium, na família Apocynaceae. O POWO/WCVP atribui a ele uma área nativa ampla, da bacia do Mediterrâneo a Mianmar, e os dados Trefle consultados registram o mesmo táxon aceito, com a autoridade de Lineu. 1 2 3
No Brasil, a planta também é chamada de espirradeira, e o nome oleandro circula em textos técnicos e no comércio. Em francês, porém, o nome corrente leva a palavra "laurier", e essa semelhança com o louro engana: não se trata do louro de cozinha, e nenhum parentesco de nome justifica um uso alimentar. 4 5
Por isso o loendro aparece aqui como planta ornamental com forte questão de segurança, e não como planta culinária ou medicinal. As referências consultadas mencionam usos históricos ou tradicionais, que não se tornam aqui recomendação de emprego. 6 7
Reconhecimento
Arbusto ou pequena árvore perene, Nerium oleander costuma ser conduzido em touceira arredondada, cerca viva ou vaso grande. O Kew descreve um arbusto que pode chegar a cerca de 6 m; a NC State indica, para plantas de paisagismo, altura de cerca de 1,5 a 6 m e largura de cerca de 1,8 a 3 m. 6 8
As folhas são simples, coriáceas, estreitas e de margem inteira, opostas ou reunidas em verticilos de 3 ou 4, com nervura central bem marcada. Essa folhagem persistente, linear-lanceolada, é um dos melhores indícios para reconhecer a planta fora da floração. 8 6
As flores se agrupam em cimeiras terminais. São tubulares, com cinco lobos, muitas vezes cor-de-rosa nas formas espontâneas, mas os cultivares podem ser brancos, creme, amarelos, salmão, vermelhos ou dobrados. Os frutos formam um par de folículos alongados que se abrem e liberam sementes providas de pelos. 8 6
Taxonomia e nomes próximos
Diante de tantas etiquetas, vale ficar com o binômio Nerium oleander L. O WCVP lista muitos sinônimos, entre eles Nerium indicum, Nerium odorum, Oleander vulgaris e várias variedades hortícolas históricas. Esses nomes explicam a diversidade dos rótulos, mas não substituem o nome aceito nos referenciais taxonômicos franceses e internacionais. 1 2 3 9
A palavra francesa "laurier" exige cuidado especial. A SFMU lembra que várias plantas carregam esse termo no nome popular francês, entre elas o próprio loendro, o louro-cereja, o louro de cozinha e o viburno-tino. Só o louro de cozinha é o condimento de uso comum; o loendro é uma Apocynaceae cardiotóxica. 5
Nomes comerciais que falam em flor branca, rosa, dobrada, anã ou amarela não designam espécies separadas, nem formas mais seguras. A ANSES afirma de forma explícita que todas as variedades são tóxicas. 7 8
Habitat e distribuição
Da bacia do Mediterrâneo a Mianmar: é assim que o POWO/WCVP delimita a área nativa de Nerium oleander, que inclui a França e a Córsega. A EPPO resume a espécie como nativa da região mediterrânea, da Ásia ocidental, do Himalaia, da Índia, de Mianmar e do Sahel nigerino. 1 4
O Kew descreve como ambiente natural os cursos d'água rochosos que secam em parte do ano, a pleno sol. Esse aparente paradoxo diz muito sobre a planta: ela tolera a seca no jardim, mas suas populações naturais podem acompanhar ravinas e leitos de rios temporários. 6
Fora da área de origem, a espécie foi amplamente introduzida e é cultivada em regiões quentes, secas ou litorâneas. Os dados Trefle e POWO citam muitos territórios de introdução, mas as fontes consultadas não sustentam a publicação de um status de invasora para a França continental. 1 3 10
Cultivo ornamental
Floração vistosa, barreira verde o ano todo e tolerância ao sol, à seca, à maresia e a alguns solos pobres: são esses os motivos do plantio. O Kew e a NC State descrevem uma planta de pleno sol a meia-sombra clara, adaptada a climas amenos, cercas vivas, vasos grandes e jardins litorâneos. 6 8
Na maior parte do Brasil, onde a geada é rara, o cultivo em canteiro costuma ser possível; nas regiões de inverno mais frio ou com geadas, o vaso com abrigo no inverno é a opção mais prudente. Em qualquer clima, convém evitar água parada, podas drásticas logo antes do frio e locais onde animais ou crianças possam mastigar folhas, flores ou ramos. 8 6
A multiplicação por estaca de caule ou por sementes é possível, mas não altera o perfil de risco. Uma estaca, uma flor murcha, uma folha seca ou um ramo cortado continuam sendo material vegetal a tratar como tóxico. 8 7
Toxicidade
Tudo nesta planta gira em torno do risco. A ANSES indica que o loendro é tóxico se ingerido, que pode ser fatal, que todas as variedades são tóxicas e que todas as partes da planta estão envolvidas. O MedlinePlus lista flores, folhas, caules e ramos entre as partes que contêm substâncias tóxicas. 7 11
Os compostos responsáveis são glicosídeos cardiotônicos. A ANSES e o MedlinePlus citam em especial a oleandrina, a neriína ou compostos próximos; a ASPCA resume o princípio tóxico como cardiac glycosides. Os sinais relatados incluem distúrbios digestivos, sonolência ou agitação, alterações visuais, desaceleração do ritmo cardíaco, arritmias, hipotensão, parada cardíaca e morte. 12 7 11
Para os animais, a ASPCA classifica Nerium oleander como tóxico para cães, gatos e cavalos, e os dados ASPCA consultados repetem esses três públicos. A NC State também aponta o problema para gatos, cães, cavalos e humanos. Esses dados justificam alertas de toxicidade elevada para todos esses públicos. 12 13 8
Não se deve queimar o loendro nem usar seus ramos como espetos de churrasco, palitos para alimentos ou lenha para cozinhar. O Kew e a NC State apontam o risco ligado à fumaça ou à inalação durante a queima, e as fontes francesas também registram confusões perigosas com folhas usadas na cozinha ou em chás. 6 8 5
Em caso de ingestão ou suspeita de ingestão, este conteúdo não serve para conduzir o atendimento: procure imediatamente um médico, um centro de informação toxicológica ou um veterinário, conforme o caso. 7 11
Cultivares e confusões
Entre os nomes citados pela NC State estão 'Calypso', 'Hardy Pink' e 'Petite Pink'. Os dados Perenual consultados trazem ainda um registro hortícola 'Luteum Plenum'. Esses nomes ajudam a reconhecer plantas de jardim, mas não devem ser tratados como garantias botânicas sólidas sem uma etiqueta completa. 8 10
Sinônimos históricos como Nerium indicum, Nerium odorum ou Oleander vulgaris podem aparecer em textos antigos, catálogos ou bases agregadas. Num contexto enciclopédico, servem sobretudo para decifrar etiquetas e antigas subdivisões, e não para criar espécies separadas no jardim. 1 3
As confusões de nome pesam mais que as de silhueta. O louro de cozinha se come; o loendro não. Oliveira e oleandro também podem se cruzar, sobretudo pelo inglês "oleander", mas Nerium oleander não é Olea europaea. 5 4
Principais fontes
- Plants of the World Online / Kew, Nerium oleander L.
- Kew Species Profiles, Nerium oleander, informações gerais
- EPPO Global Database, Nerium oleander
- NC State Extension Gardener Plant Toolbox, Nerium oleander
- ASPCA, ficha de toxicidade do oleander
- ANSES, fichas de informação sobre plantas com risco de toxicidade para a saúde humana, Laurier rose
- MedlinePlus Medical Encyclopedia, Oleander poisoning
- SFMU, Laurier-rose, toxicologia
- Tela Botanica eFlore, Nerium oleander
Perguntas frequentes
O loendro é comestível?
Não. Nenhuma parte é considerada comestível aqui. A ANSES indica que todas as partes e todas as variedades são tóxicas, com risco de morte em caso de ingestão.
O loendro é tóxico para gatos, cães e cavalos?
Sim. A ASPCA classifica Nerium oleander como tóxico para cães, gatos e cavalos; as fontes veterinárias e médicas descrevem um mecanismo cardíaco.
Pode-se queimar galhos de loendro?
Não. A NC State e o Kew apontam risco ligado à fumaça ou à inalação durante a queima. Os restos de poda devem ser descartados sem uso em fogueira, churrasqueira ou queima doméstica.
O loendro tem alguma relação com o louro usado na cozinha?
Não. O louro de cozinha pertence ao gênero Laurus e serve de condimento; o loendro pertence às Apocynaceae e não deve ser consumido.
O loendro é invasor na França?
Nenhum status de espécie exótica invasora é atribuído a ele na França continental: o POWO/WCVP inclui a França e a Córsega na área nativa, e não foi encontrado nenhum status invasor francês confiável.
As variedades anãs ou de flores brancas são menos tóxicas?
Não. As fontes de toxicologia francesas indicam que todas as variedades são tóxicas. Cor, porte ou flor dobrada não mudam o alerta.
Plantas semelhantes
Dados botânicos compilados de fontes de referência (RHS, Kew Gardens, POWO). O conteúdo desta ficha é informativo e não substitui a orientação de um botânico ou veterinário em caso de dúvida sobre toxicidade.





