Narciso-das-areias (Pancratium maritimum, L. 1753)

Narciso-das-areias (Pancratium maritimum) é uma bulbosa perene de Amaryllidaceae das praias e dunas do Mediterrâneo, do mar Negro e da costa atlântica, da Bretanha ao Marrocos. Suas grandes flores brancas e perfumadas se abrem à noite no verão do hemisfério Norte, em uma haste sem folhas que emerge diretamente da areia. As folhas em fita, muitas vezes ausentes durante a floração, surgem sobretudo depois do verão. Protegida em várias regiões francesas, a espécie perde espaço com a pressão turística sobre as dunas.

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Nome científicoPancratium maritimum
GêneroPancratium
OrdemAsparagales

Narciso-das-areias, Lírio-das-praias, Pancrácio, Sea daffodil e Giglio di mare

Identidade
Toxicidade
Tóxico para gatos, cães e cavalos, por alcaloides do tipo licorina
Nível de cuidados
Baixo
Tipo de planta
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
FrançaEspanhaPortugalItáliaGréciaTurquiaMarrocosIsraelGeórgia
Habitat
Dunas e faixa superior de praias; bulbo profundo, típico das dunas brancas (Ammophiletea arenariae)
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Crescimento
Dormência
Dormente no verão
Velocidade de crescimento
3/10
Tempo de maturação
Primeira floração 3 a 4 anos após a semeadura
Propagação
Semeadura, Divisão
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
Boa, planta costeira adaptada à maresia e ao vento
Umidade
30–60 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Sim
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo leve e arenoso, Solo drenado e quente
Solo salino
Tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Somente sol pleno
Área externa
Canteiro a pleno sol, Jardim de pedras protegido contra geadas
Aparência
Altura30–75 cmLargura30–60 cm
Folhas
Verde
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — folhas 1
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — folhas 2
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — folhas 3
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — folhas 4
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — folhas 5
Flores
BrancoTamanho9–15 cm
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — flores 1
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — flores 2
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — flores 3
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — flores 4
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — flores 5
Frutos
Verde
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — frutos 1
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — frutos 2
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — frutos 3
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — frutos 4
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — frutos 5
Porte
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — porte 1
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — porte 2
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — porte 3
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — porte 4
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — porte 5
Casca
Verde
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — casca 1
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — casca 2
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — casca 3
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — casca 4
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum): origem e usos — casca 5

Distribuição global

A área nativa de Pancratium maritimum abrange as duas margens do Mediterrâneo e o mar Negro, das ilhas Canárias, de Portugal e do Marrocos a oeste até a Turquia, Israel e o Cáucaso a leste. Na França, chega à Bretanha pela costa atlântica. A espécie também se naturalizou no sul da Califórnia, longe dessa área de origem.

  • Nativo9
  • Introduzido1
  • França
  • Espanha
  • Portugal
  • Itália
  • Grécia
  • Turquia
  • Marrocos
  • Israel
  • Geórgia
  • Estados Unidos

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Narciso-das-areias (Pancratium maritimum L., 1753), também chamado lírio-das-praias ou pancrácio, é uma bulbosa perene do gênero Pancratium, da família Amaryllidaceae. Os nomes internacionais sea daffodil e giglio di mare também se referem à planta. Apesar da semelhança das flores, ela não é um lírio verdadeiro: os lírios pertencem a Lilium, de outra família botânica. 1 2

A palavra grega antiga pankration, “todo poder”, deu origem ao nome do gênero e remetia a antigas virtudes medicinais atribuídas à planta. O epíteto latino maritimum, “do mar”, descreve seu habitat estritamente costeiro. A espécie cresce diretamente na areia de praias e dunas, com o bulbo e muitas vezes parte da haste enterrados. 9

Reconhecimento

Enterrado a mais de 50 cm da superfície, o bulbo profundo de colo longo fica protegido tanto do ressecamento superficial como da maresia. As folhas glaucas e em fita chegam a 75 cm de comprimento por apenas 1 a 2 cm de largura. Reunidas em uma roseta achatada de 5 a 6 folhas, aparecem sobretudo depois da floração e costumam secar nos verões quentes. 9 4

Uma haste floral ereta e sem folhas, de 30 a 75 cm conforme a população, sustenta uma umbela terminal de 3 a 15 flores brancas em funil. Cada flor mede 9 a 15 cm e tem um perfume de lírio discreto, mas perceptível. A abertura vai da tarde à manhã seguinte, ao contrário de muitas bulbosas de sol pleno que florescem durante o dia. 4 10

Taxonomia útil

POWO e WCVP aceitam Pancratium maritimum L. As revisões taxonômicas reuniram seis sinônimos para a espécie, alguns ainda encontrados em obras antigas:

  • Hymenocallis maritima (L.) M.Roem., combinação histórica
  • Pancratium angustifolium M.Roem., nome em sinonímia
  • Pancratium carolinianum L., nome em sinonímia
  • Pancratium aegyptiacum M.Roem., nome em sinonímia
  • Pancratium abchasicum Regel, nome em sinonímia
  • Pancratium barcinonense Sennen, nome em sinonímia

A transferência de certas plantas para Hymenocallis em classificações antigas ajuda a explicar confusões hortícolas atuais. O binômio aceito Pancratium maritimum permanece a referência: é a única espécie do gênero nas costas francesas. 1 10

Habitat e distribuição

Das ilhas Canárias, de Portugal e do Marrocos a oeste até a Turquia, Israel e o Cáucaso a leste, a área nativa acompanha as duas margens do Mediterrâneo e o mar Negro. Na França, alcança a Bretanha pela costa atlântica. Há também populações naturalizadas no sul da Califórnia, distantes da área de origem. 5 10

Nas dunas brancas, seu ambiente característico, ocupa a parte alta das praias, muitas vezes a poucos metros da linha de detritos deixada pelo mar, em areia pobre e perfeitamente drenada. O bulbo se aprofunda quando a areia se acumula ao redor; se o soterramento aumenta, a haste se alonga. Essa resposta permite acompanhar a mobilidade das dunas. 9

Embora a IUCN classifique a espécie como pouco preocupante no mundo, seu habitat diminui onde o pisoteio e as obras nas praias compactam a areia e impedem o restabelecimento dos bulbos. Na França, existe proteção regional em vários setores, como a Provença; a planta continua rara em Poitou-Charentes e Loire-Atlantique. Essas referências legais dizem respeito ao território francês. 3 10

Ciclo e reprodução

No litoral de origem do hemisfério Norte, a floração vai de julho a outubro, com pico em agosto e setembro conforme o clima local. A polinização eficiente depende da mariposa-esfinge noturna Agrius convolvuli, que só visita as flores com vento abaixo de cerca de 2 metros por segundo. Tentativas de polinização manual com vento também não têm sucesso. A planta não é receptiva ao próprio pólen e depende de polinização cruzada. 8 10

Uma cápsula abriga sementes pretas, achatadas e angulosas. Elas flutuam por muito tempo, permitindo a dispersão pelas correntes marinhas, além do vento: uma estratégia adequada à vida costeira. Semeadas frescas, germinam lentamente; as plantas jovens levam 3 a 4 anos até a primeira floração. 9 4

Usos e riscos

No bulbo de Pancratium maritimum há vários alcaloides do tipo licorina, entre eles maritidina, licoramina e galantamina, além de flavanas e cromonas próprias da espécie. 7

A ingestão do bulbo é tóxica. Por analogia documentada com outras Amaryllidaceae ricas em licorina, como a amarílis, pode causar vômitos, salivação excessiva, diarreia e dor abdominal em gatos, cães e cavalos, segundo a ASPCA. 6 7

Fora de sua área natural, o cultivo é pouco difundido. A floração exige areia pobre, sol pleno constante e verão quente e seco, condições difíceis de reunir em um jardim comum. Em várias regiões protegidas francesas e italianas, a coleta, inclusive de flores e bulbos, é proibida. 4

Variedades, confusões e plantas próximas

Sem cultivares hortícolas estáveis, Pancratium maritimum reúne poucos nomes botânicos como var. aureum e f. barcinonense. Eles correspondem a sinônimos ou formas locais sem difusão comercial. 1

Três grupos costumam gerar dúvidas de identificação:

  • Pancratium illyricum, endêmico da Córsega e da Sardenha, floresce na primavera em terreno rochoso, em vez de no verão sobre areia;
  • os Hymenocallis ornamentais têm folhas e grandes flores brancas semelhantes, mas são de origem americana e foram associados ao mesmo gênero em obras antigas;
  • os narcisos tardios apresentam umbelas perfumadas parecidas, porém diferem na época de floração e no habitat.

A combinação entre estação e origem separa esses casos: a floração de primavera sobre rocha caracteriza P. illyricum; a origem americana distingue Hymenocallis; e os narcisos tardios não florescem no verão sobre areia. Entre essas plantas, Pancratium maritimum floresce no verão, em haste sem folhas, diretamente na areia.

Fontes principais

Perguntas frequentes

Narciso-das-areias é um lírio verdadeiro?

Não. Pancratium maritimum pertence a Amaryllidaceae; os lírios verdadeiros são do gênero Lilium, de outra família. O nome popular se deve apenas à semelhança visual das flores.

Narciso-das-areias é tóxico?

Sim. O bulbo contém alcaloides do tipo licorina, a mesma família química documentada pela ASPCA na amarílis, tóxicos para gatos, cães e cavalos quando ingeridos.

Por que as folhas desaparecem no verão?

As folhas entram em dormência antes da floração de verão. A haste floresce sobre um solo aparentemente vazio; as folhas em fita reaparecem sobretudo depois do verão.

Posso cultivar narciso-das-areias longe do litoral?

É possível em areia pobre, muito bem drenada e sob sol pleno constante, mas a floração é discreta sem um verão quente e seco que permita o amadurecimento do bulbo.

Narciso-das-areias tem proteção legal na França?

A espécie tem proteção regional em vários trechos do litoral francês, inclusive na Provença, e é considerada rara em Poitou-Charentes e Loire-Atlantique devido à redução de seu habitat nas dunas.

Como o narciso-das-areias se espalha pela costa?

Suas sementes pretas e achatadas flutuam por muito tempo na superfície da água, permitindo a dispersão pelas correntes marinhas, além do vento.

Qual inseto poliniza o narciso-das-areias?

A mariposa-esfinge noturna Agrius convolvuli realiza a maior parte da polinização cruzada, mas apenas com vento fraco.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.