quebra-pedra (Phyllanthus urinaria, )
quebra-pedra (Phyllanthus urinaria L., 1753) é uma erva anual de Phyllanthaceae, nativa da Ásia tropical e subtropical até o norte da Austrália, hoje naturalizada na maior parte dos trópicos. Seu caule avermelhado sustenta pequenas folhas em duas fileiras, sob as quais se alinham minúsculos frutos verdes ou avermelhados, característica que dá nome ao gênero.
Ler maisquebra-pedra, Diệp hạ châu, Chamber bitter e Stonebreaker
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Distribuição global
O WCVP situa a área nativa de Phyllanthus urinaria na Ásia tropical e subtropical, até o norte da Austrália. Introduzida em outras áreas, a espécie está hoje naturalizada na maioria das regiões tropicais e subtropicais do mundo, incluindo México, América Central, América do Sul, África e Estados Unidos.
- Nativo6
- Introduzido3
- Invasivo1
- Índia
- Sul da China
- Vietnã
- Tailândia
- Filipinas
- Norte da Austrália
- Estados Unidos (Sudeste)
- México
- África tropical
- Território Britânico do Oceano Índico
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
A quebra-pedra (Phyllanthus urinaria L., 1753), também chamada Chamber bitter, é uma erva anual do gênero Phyllanthus, na família Phyllanthaceae. Nas classificações antigas, integrava Euphorbiaceae, da qual foi separada com o restante do gênero na revisão moderna de Malpighiales. 1 4
O epíteto urinaria lembra o uso tradicional difundido contra cálculos das vias urinárias, também associado ao nome inglês Stonebreaker e ao vietnamita Diệp hạ châu. O nome Chamber bitter reúne duas características distintas: as câmaras internas do fruto e o sabor amargo da infusão das folhas. 2
Do grego phyllon (folha) e anthos (flor), o nome Phyllanthus descreve plantas cujas flores e frutos parecem nascer diretamente da folha. Em Phyllanthus urinaria, minúsculos frutos formam fileiras densas sob cada folha, enquanto muitas outras ervas têm flores nas pontas dos ramos. 2
Reconhecimento
O caule de Phyllanthus urinaria é fino, ereto a ligeiramente pendente, sem pelos e muitas vezes avermelhado, com 10 a 35 cm de altura. Algumas fontes registram plantas bem nutridas de até 60 cm. A ramificação frequentemente começa junto à base. 4 2
Pequenas e de textura papirácea, as folhas medem apenas 4 a 10 mm de comprimento por 2 a 5 mm de largura. Alternas, oblongas a quase lineares e às vezes levemente falcadas, dispõem-se em duas fileiras bem definidas, lembrando Mimosa. São verde-claras a escuras por cima e verde-acinzentadas ou avermelhadas por baixo. Como em muitas Phyllanthaceae, há nictinastia: as pequenas folhas se fecham à noite e se abrem de dia, um sinal observável sem lupa ou herbário. 4 2
Na mesma planta de Phyllanthus urinaria aparecem flores masculinas e femininas, pois a espécie é monoica. As femininas, minúsculas e branco-amareladas, ficam perto da base da folha; as masculinas ocupam sobretudo a metade superior, em direção à ponta. Os frutos seguintes são verdes, vermelhos ou verde-avermelhados, com apenas 3 mm de largura, três câmaras e pequenas saliências na superfície. 4
Taxonomia útil
Na circunscrição adotada por Plants of the World Online, Phyllanthus urinaria L., publicado em 1753, tem duas subespécies reconhecidas: Phyllanthus urinaria subsp. urinaria, de ampla distribuição, e Phyllanthus urinaria subsp. nudicarpus Rossignol & Haicour, descrita do sul da China ao Vietnã e às Filipinas. 1
O nome homotípico Diasperus urinaria (L.) Kuntze compartilha o tipo do basiônimo. Entre os sinônimos heterotípicos presentes na literatura antiga estão Phyllanthus cantoniensis Hornem. e Phyllanthus lepidocarpus Siebold & Zucc. 2
Uma revisão recente propõe transferir várias espécies de Phyllanthus, incluindo esta, para Emblica. A mudança continua em debate, e Plants of the World Online mantém Phyllanthus urinaria como nome aceito. No campo e no comércio, a espécie também se confunde com Phyllanthus niruri e Phyllanthus amarus, parentes de usos tradicionais semelhantes, vendidas sob nomes comerciais próximos. 5 1
Habitat e distribuição
A distribuição nativa apontada pelo WCVP vai da Ásia tropical e subtropical, incluindo o subcontinente indiano, até o norte da Austrália. A planta prefere calor durante todo o ano, com temperaturas médias de verão acima de 10 °C e médias de inverno acima de 0 °C. 1 2
Fora da área de origem, Phyllanthus urinaria naturalizou-se na maioria das regiões tropicais e subtropicais do mundo, incluindo México, América Central, América do Sul, África e sudeste dos Estados Unidos. 2
Solos revolvidos são seus ambientes preferenciais: campos secos, beiras de estrada, terrenos baldios e bordas de floresta, além de lavouras e viveiros, onde ocupa vasos com facilidade. O CABI Compendium a registra como invasora em vários territórios de introdução, entre eles Diego Garcia, no Território Britânico do Oceano Índico, e certas regiões da Índia, Indonésia, Coreia, Malásia, Myanmar e Filipinas. 4 3
Ciclo e reprodução
Para germinar, a semente precisa de solo quente e luz. A emergência se concentra na estação quente, do início do verão ao início do outono; um estudo de 1992 em Weed Technology detalhou a germinação e o crescimento em resposta às condições de cultivo e aos herbicidas. 8
Depois da emergência, Phyllanthus urinaria desenvolve rapidamente caule avermelhado e folhagem em duas fileiras, florescendo e frutificando do verão ao início do outono. Cada planta produz muitas sementes minúsculas nos frutos alinhados sob as folhas. Essa abundância, junto da tolerância ao sombreamento e do sistema radicular extenso, explica sua competitividade como infestante em várias hortaliças. 2
Encerrada a dispersão das sementes, Phyllanthus urinaria morre e completa seu ciclo anual em uma única estação quente. A geada destrói os tecidos restantes e impede a rebrota em clima temperado. Nos trópicos de calor contínuo, várias gerações podem se suceder no mesmo ano. 4
Usos e riscos
As flores minúsculas e branco-amareladas não conferem valor ornamental à espécie: além de alguns centímetros, mal se distinguem a olho nu, afastando seu uso no jardim. O interesse está nos usos tradicionais e no comportamento de infestante. Na medicina tradicional asiática, a planta inteira é empregada em decocções contra cálculos urinários e renais, icterícia e certos problemas hepáticos, com registros do Vietnã à Tailândia. 6
Ensaios clínicos chineses testaram extratos contra hepatite B crônica. Um estudo com 140 pacientes relatou remissão de 88,2% para o DNA viral e de 52,5% para o antígeno HBe após tratamento de três meses a dois anos, mas com recorrência de 10,4 a 13,4% depois da suspensão. Um ensaio randomizado duplo-cego não confirmou benefício superior ao de outras espécies de Phyllanthus, mantendo o tema em debate científico. 7
As avaliações disponíveis de segurança não identificaram efeitos tóxicos nos rins, no sistema cardiovascular ou no sistema nervoso, resultado coerente com séculos de uso tradicional oral. Não há toxicidade documentada em humanos ou animais domésticos. 6
O risco mais bem documentado é agronômico: em Taiwan, a espécie foi identificada como possível hospedeira assintomática de Ralstonia solanacearum. Essa bactéria causa murcha bacteriana em diversas hortaliças, tornando a planta um possível elo discreto de contaminação em áreas infestadas. 4
Variedades, confusões e plantas próximas
Não se reconhece cultivar hortícola de Phyllanthus urinaria. A variação entre populações envolve sobretudo tamanho e pilosidade, características que distinguem subespécies botânicas em vez de formas de jardim. 1
Entre as espécies mais confundidas está Phyllanthus niruri, vendida sob nomes comerciais semelhantes para o mesmo uso tradicional contra cálculos renais; Phyllanthus amarus compartilha esse perfil de uso e a distribuição tropical. No rótulo de um suplemento ou no campo, o nome científico completo é a referência para distingui-las, pois as folhas em duas fileiras e os frutos alinhados são muito parecidos a olho nu. 5
Nas bordas dos mesmos solos revolvidos, Erigeron canadensis é outra infestante anual de ciclo curto, sem parentesco próximo com a quebra-pedra, mas igualmente pioneira em solo descoberto e dependente de calor para germinar. Cynodon dactylon ocupa os mesmos terrenos baldios como gramínea perene, persistindo entre estações onde Phyllanthus urinaria morre após produzir sementes.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Phyllanthus urinaria L.
- Wikipedia (EN), Phyllanthus urinaria
- CABI Compendium, Phyllanthus urinaria (chamber bitter)
- Invasive Plant Atlas of the United States, chamber bitter
- University of South Florida, Florida Plant Atlas, Phyllanthus urinaria
- PMC, The Genus Phyllanthus, An Ethnopharmacological, Phytochemical and Pharmacological Review
- Frontiers in Pharmacology 2024, review of Phyllanthus urinaria in liver disease treatment
- Wehtje, Gilliam & Reeder 1992, Germination and Growth of Leafflower, Weed Technology
Perguntas frequentes
A quebra-pedra é tóxica?
As avaliações de segurança disponíveis não identificaram efeito tóxico documentado nos rins, no sistema cardiovascular ou no sistema nervoso. Não há toxicidade estabelecida em humanos ou animais domésticos.
Por que a planta se chama quebra-pedra?
O nome remete a um uso tradicional muito difundido na Ásia contra cálculos urinários e renais. Esse uso é documentado pela etnobotânica, mas nenhum ensaio clínico específico validou essa indicação para a espécie.
Phyllanthus urinaria trata a hepatite B?
Estudos chineses relataram taxas de remissão promissoras em pacientes tratados com extrato da planta. Porém, um ensaio randomizado duplo-cego não confirmou benefício superior ao de outras espécies do gênero. O tema continua em debate na literatura científica.
Como distinguir Phyllanthus urinaria de Phyllanthus niruri?
As duas espécies são frequentemente confundidas e vendidas sob nomes comerciais semelhantes devido ao uso tradicional compartilhado. O nome científico completo no rótulo é a referência para diferenciá-las com certeza.
Onde Phyllanthus urinaria costuma crescer?
Em solos revolvidos, viveiros, culturas em vasos, terrenos baldios, beiras de estrada e bordas de floresta, em clima quente o ano todo ou durante o verão.
Phyllanthus urinaria representa risco para as lavouras?
O risco documentado é fitossanitário, e não alimentar. Em Taiwan, a espécie foi identificada como possível hospedeira assintomática de Ralstonia solanacearum, bactéria causadora da murcha bacteriana em várias hortaliças.
O nome Phyllanthus tem relação com a aparência da planta?
Sim. Phyllanthus vem das palavras gregas para folha e flor e descreve espécies cujas flores e frutos parecem surgir diretamente da folha. Em Phyllanthus urinaria, isso é visível a olho nu, com frutos minúsculos alinhados sob cada folha.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.



