Mesimarja (Rubus arcticus, )
Rubus arcticus (L., 1753) é um subarbusto sem espinhos da família Rosaceae, nativo de turfeiras e charnecas úmidas de toda a faixa boreal do Hemisfério Norte. Conhecido como mesimarja na Finlândia, tem caules baixos com flores rosas e pequenos frutos vermelho-escuros muito perfumados, colhidos na natureza muito antes da criação de híbridos hortícolas com a framboeseira comum.
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Distribuição global
Rubus arcticus ocupa uma área circumboreal contínua, das turfeiras escandinavas e russas às norte-americanas e às montanhas do norte japonês. Desapareceu em estado espontâneo da Escócia por volta de meados do século XIX, caso documentado de extinção local sem relação com naturalização em outro lugar.
- Nativo8
- Finlândia
- Suécia
- Noruega
- Rússia
- Polônia
- Canadá
- Estados Unidos (Alasca)
- Japão
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Rubus arcticus (Rubus arcticus L., 1753) pertence às Rosaceae e cresce como subarbusto perene do gênero Rubus. Na Finlândia, o nome comercial mesimarja foi popularizado pelos licores de frutos nórdicos, que ajudaram a tornar conhecida essa pequena planta boreal. 1 2
A distinção entre os nomes franceses merece atenção: mûre arctique geralmente designa Rubus chamaemorus, cujo fruto fica âmbar ao amadurecer. Já Rubus arcticus, chamado ronce arctique em francês, mantém frutos vermelho-escuros a púrpura, nunca alaranjados. Essa diferença evita reunir sob um mesmo nome duas plantas das turfeiras boreais. 2
O nome russo княженика significa “fruto dos príncipes”, alusão à raridade e ao perfume considerado mais fino que o da framboesa comum.
Reconhecimento
Caules finos anuais de 10 a 50 cm, sustentados por uma base levemente lenhosa, formam um subarbusto baixo e sem espinhos. As folhas trifoliadas, de verde vivo e folíolos dentados, lembram as do morangueiro ou da framboeseira comum. O porte baixo é um traço visível antes mesmo de surgirem flores e frutos. 3 4
Flores rosas a rosa-púrpura, com até 2,5 cm de diâmetro, surgem isoladas ou em grupos de duas ou três nas axilas das folhas superiores, no início e em meados do verão boreal. Em seguida aparecem frutos compostos vermelho-escuros a púrpura, de no máximo 1 cm, formados por 10 a 30 pequenas drupas unidas e com aroma doce que lembra abacaxi. 3 4
O contraste de cores continua sendo o sinal mais confiável no jardim e no campo: o fruto que fica vermelho-escuro pertence a Rubus arcticus; aquele que se torna âmbar-alaranjado pertence a Rubus chamaemorus.
Taxonomia útil
A publicação de 1753 fundamenta o nome aceito por Plants of the World Online, Rubus arcticus L., da família Rosaceae. A área é descrita como subártica a subalpina, correspondendo ao ambiente frio em que a espécie ocorre naturalmente. 1 2
Duas subespécies são reconhecidas em Rubus arcticus:
- Rubus arcticus subsp. arcticus, forma eurasiana e do leste da América do Norte;
- Rubus arcticus subsp. stellatus (Sm.) B.Boivin, presente no Alasca e no Extremo Oriente russo, com sépalas eretas e fruto em estrela pouco compacta.
Na literatura antiga ainda circulam sinônimos como Rubus acaulis Michx. e Rubus stellatus Sm., hoje tratados como subespécies em vez de espécies distintas. Ler essas denominações junto ao nome aceito permite reconhecer as referências históricas à mesma planta. 1
Habitat e distribuição
Turfeiras da Escandinávia e Rússia se conectam, na distribuição circumboreal de Rubus arcticus, à Polônia e aos países bálticos, ao Canadá e Alasca e ao norte do Japão. Essa faixa contínua abrange partes boreais da Europa, América do Norte e Ásia. 5 1
A espécie procura turfeiras e charnecas frescas em solo ácido a neutro, muitas vezes nas bordas claras da floresta boreal ou em prados úmidos de altitude na margem sul de sua área. Desapareceu em estado espontâneo da Escócia por volta de meados do século XIX, caso documentado de extinção local. Mesmo assim, a UICN a classifica como de menor preocupação globalmente, sem ameaça comparável no restante da área. 6
Em vários países nórdicos, a coleta excessiva e a drenagem das turfeiras continuam sendo pressões locais identificadas, embora a conservação global permaneça favorável. 6
Na França metropolitana, a espécie está ausente da natureza. Quase toda menção à planta em jardins corresponde a um exemplar introduzido voluntariamente, nunca a uma população espontânea.
Ciclo e reprodução
Um rizoma subterrâneo dormente atravessa o inverno protegido do gelo pela neve ou pela turfa. Na primavera, emite novos brotos não lenhosos, que florescem no início e em meados do verão boreal e frutificam de meados do verão ao começo do outono, conforme a latitude. 4
A polinização cruzada entre vários exemplares melhora bastante a formação dos frutos, explicando a baixa produção frequente de uma planta isolada no jardim. Ainda assim, o rizoma rastejante é a principal forma de propagação natural: a colônia se adensa progressivamente por clones, em vez de depender da dispersão por sementes. 4
Para multiplicar a planta, a divisão do rizoma na primavera ou no outono oferece resultados rápidos e fiéis à planta-mãe. A semeadura é possível, mas requer estratificação a frio e costuma apresentar germinação lenta. 4
Usos e riscos
Frutos maduros muito perfumados são consumidos crus ou em geleia. Na Finlândia, a empresa Lignell & Piispanen produz desde 1882 um licor de mesimarja premiado com medalha de ouro na Exposição Universal de Paris de 1900, testemunho de um uso alimentar tradicional. 8
Não há toxicidade documentada em Rubus arcticus. A ASPCA classifica espécies aparentadas de Rubus como não tóxicas para gatos, cães e cavalos, e o próprio fruto é um alimento tradicional. A referência aos parentes mantém a distinção entre o registro veterinário citado e a espécie aqui descrita. 7
O principal risco agronômico é o Raspberry bushy dwarf virus, identificado em Rubus arcticus e na subespécie stellatus. Sua propagação ocorre sobretudo pela multiplicação vegetativa, complicando os programas de melhoramento. 9
Variedades, confusões e plantas próximas
Cruzamentos com a framboeseira comum (Rubus idaeus) deram origem aos híbridos chamados framboise nectar. Selecionados na Escandinávia, combinam maior vigor e produtividade com parte do aroma do progenitor silvestre. 10
As confusões mais frequentes envolvem:
- Rubus chamaemorus, de fruto âmbar-alaranjado quando maduro, em vez de vermelho-escuro;
- Rubus saxatilis, com frutos vermelhos menores e ácidos, em planta de caules mais rastejantes;
- mudas jovens de framboeseira comum antes da floração, quando ainda faltam flores ou frutos para decidir.
Para reconhecer Rubus arcticus entre essas plantas, o conjunto mais estável é o porte sem espinhos, a flor rosa isolada e o fruto maduro vermelho-escuro a púrpura, nunca âmbar.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Rubus arcticus L.
- Integrated Taxonomic Information System, Rubus arcticus L.
- Royal Horticultural Society, Rubus arcticus
- Plants For A Future, Rubus arcticus, amora boreal
- GBIF, dados de ocorrência e distribuição de Rubus arcticus L.
- IUCN Red List, avaliação de Rubus arcticus (Maiz-Tomé, 2016)
- ASPCA, Creeping Rubus, registro de planta não tóxica
- Lignell & Piispanen, licor de mesimarja desde 1882
- European Journal of Plant Pathology, Rubus arcticus como novo hospedeiro do Raspberry bushy dwarf virus
- Tandfonline, produtividade e qualidade dos frutos de Rubus arcticus e seus híbridos
Perguntas frequentes
Rubus arcticus é a mesma planta que Rubus chamaemorus?
Não. O nome francês mûre arctique costuma designar Rubus chamaemorus, cujo fruto fica âmbar-alaranjado ao amadurecer. Rubus arcticus produz frutos vermelho-escuros a púrpura, bem distintos.
Rubus arcticus é tóxico para gatos ou cães?
Não há toxicidade documentada. A ASPCA classifica espécies próximas de Rubus como não tóxicas, e o fruto de Rubus arcticus é consumido sem risco conhecido.
Por que Rubus arcticus produz poucos frutos no jardim?
A espécie vem de clima com verões curtos e frescos. Um verão quente, solo que seca ou colônia ainda jovem frequentemente limitam a frutificação, mesmo com floração normal.
É possível cruzar Rubus arcticus com a framboeseira comum?
Sim. Desse cruzamento surgiram os híbridos chamados framboise nectar, selecionados na Escandinávia para reunir o aroma de Rubus arcticus ao vigor da framboeseira comum.
Onde Rubus arcticus cresce na natureza?
Em turfeiras e charnecas úmidas de toda a faixa boreal, da Escandinávia e Rússia ao Canadá, Alasca e norte do Japão. Desapareceu em estado espontâneo da Escócia por volta de meados do século XIX.
Como multiplicar Rubus arcticus no jardim?
Sobretudo por divisão do rizoma na primavera ou no outono. A semeadura é possível, mas lenta, pois as sementes precisam de estratificação a frio antes de germinar.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.





