Indian nettle (Acalypha indica, )
Acalypha indica é uma erva anual da família Euphorbiaceae, presente nos trópicos e conhecida pela forte atração que sua raiz exerce sobre gatos domésticos. Tem usos tradicionais na Ásia e no oceano Índico, caules eretos, folhas ovais dentadas e espigas axilares, sendo frequente em terrenos perturbados.
Ler maisIndian nettle e Indian copperleaf
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Distribuição global
A área nativa de Acalypha indica vai da Eritreia à África austral, passando pela península Arábica e chegando à Ásia tropical e subtropical. A espécie foi amplamente introduzida e naturalizada em outras regiões tropicais, inclusive em territórios franceses ultramarinos, onde seus usos tradicionais deram origem a nomes regionais.
- Nativo4
- Introduzido5
- África tropical e austral
- Península Arábica
- Índia
- Sudeste Asiático
- Reunião
- Guadalupe
- Maurício
- Seicheles
- Havaí
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Acalypha indica (Acalypha indica L., 1753) pertence ao gênero Acalypha, à família Euphorbiaceae e à subfamília Acalyphoideae. Entre as centenas de espécies desse gênero, esta erva anual se destaca por uma característica pouco visível: a raiz atrai intensamente gatos domésticos. O fenômeno foi documentado em laboratório australiano e ajuda a explicar o interesse popular por uma planta de aparência discreta. 1 3
Na França e em seus territórios ultramarinos, os nomes regionais herbe chat, ortie de l’Inde e z’oreille la chatte registram associações com urtigas ou com gatos. São denominações francesas, não nomes portugueses. A semelhança das folhas e a resposta dos felinos chamam mais atenção do que qualquer valor ornamental: a espécie não é cultivada por sua folhagem. 4
Reconhecimento
Caules eretos, estriados e finamente pubescentes sustentam folhas ovais, com margens dentadas e pecíolos relativamente longos. Várias nervuras partem de modo nítido da base da lâmina foliar. Em condições comuns, a altura raramente ultrapassa 1 m, mas pode superar 1,2 m quando o solo é rico e recebe bastante água. 1 3
As espigas axilares estreitas, semelhantes a amentos, oferecem um critério melhor do que o porte para separar ervas espontâneas parecidas. Flores masculinas e femininas minúsculas aparecem no mesmo indivíduo, envolvidas por brácteas em forma de taça, típicas do gênero. Depois surge uma cápsula trilobada, tuberculada e pilosa, em grande parte escondida pelas mesmas brácteas. 3 8
Embora pouco chamativa a olho nu, a raiz pode revelar a presença da planta antes da floração. Um gato que a mastiga ou escava o solo ao redor pode chamar a atenção para o exemplar quando suas pequenas inflorescências ainda passam despercebidas no terreno. 6
Taxonomia útil
Publicado em 1753, o nome aceito continua sendo Acalypha indica L. Sua sinonímia inclui Ricinocarpus indicus, Cupamenis indica, Acalypha somalensis, Acalypha chinensis e Acalypha spicata. Essas denominações ainda aparecem em livros antigos e bases regionais, mas o binômio atual é a referência para relacionar os registros à mesma espécie. 1 2
Centenas de espécies de Acalypha ocupam grande parte das regiões tropicais e subtropicais, tornando o gênero um dos mais diversificados das Euphorbiaceae. Essa diversidade também produz muitas plantas semelhantes em campo: pequenas ervas e arbustos de folhas dentadas e espigas em amentos podem parecer iguais à primeira vista. Examinar a inflorescência ajuda a resolver a identificação. 3
Habitat e distribuição
Da Eritreia à África austral, a distribuição nativa atravessa a península Arábica e alcança a Ásia tropical e subtropical. Fora dessa área, a espécie foi amplamente introduzida e naturalizada nos trópicos, uma trajetória compatível com seu ciclo anual rápido e sua presença em ambientes alterados. 1
Os registros do INPN para a França reúnem os nomes franceses ligados às urtigas e aos gatos. Essa variedade regional acompanha uma presença antiga em territórios ultramarinos, especialmente em Reunião, onde o uso tradicional da raiz é documentado. Tais registros descrevem o contexto francês e não estabelecem por si só a situação da espécie no Brasil ou em Portugal. 4
Terrenos baldios, margens de estradas, fendas de muros, entulho, encostas rochosas, bordas de mata e margens sombreadas de rios são ambientes frequentes, do nível do mar até cerca de 1.350 m. Em solo exposto e revolvido, a planta se instala mais facilmente perto de habitações do que no interior de uma floresta intacta, cujo dossel fechado limita sua presença. 1 3
Efeito sobre os gatos domésticos
Dois iridoides da raiz, a isodi-hidronepetalactona e a isoiridomirmecina, desencadeiam atração em muitos gatos domésticos. A resposta é frequentemente considerada mais intensa do que a provocada pela erva-de-gato, embora o interesse principal dos estudos esteja na identificação química dos compostos responsáveis. 6
Na ilha Christmas, território australiano, pesquisadores estudaram a raiz como possível isca em um programa de controle de gatos asselvajados. A proposta explorava justamente essa atração. Não resultou, porém, em uma ferramenta duradoura para uso em campo: os compostos se degradavam depressa e deixavam de ser eficazes após poucos dias na armadilha. 6
Nomes populares de línguas do sul e do sudeste da Ásia também fazem referência à atração da raiz sobre os gatos. Essa associação pertence a uma observação popular antiga, anterior ao estudo publicado por Scaffidi e sua equipe em 2016, e não apenas a uma curiosidade surgida nos experimentos modernos. 4
Usos tradicionais e medicinais
A medicina Siddha, no sul da Índia, emprega historicamente folhas e planta inteira para asma, pneumonia, problemas digestivos, feridas cutâneas e picadas de serpentes. Uma antiga farmacopeia indiana também a registrou como expectorante; ela chegou a ser citada na farmacopeia britânica como substituta da ipecacuanha. 8
Análises modernas da raiz identificaram compostos fenólicos abundantes, flavonoides e mais de uma centena de moléculas. Em laboratório, um extrato reduziu um marcador inflamatório sanguíneo em animais tratados com doses altas, documentando atividade antioxidante e anti-inflamatória mensurável. Esse resultado indica potencial farmacológico, mas não fornece um tratamento para uso sem acompanhamento médico. 8
Brotos jovens às vezes são consumidos como verdura na África e na Índia. A prática exige cautela porque a planta contém alcaloides e o glicosídeo cianogênico acalifina. O registro de uso alimentar tradicional não torna segura uma coleta improvisada, especialmente sem identificação confiável da espécie. 8
Toxicidade e confusões
A lista de referência da ASPCA não inclui Acalypha indica entre as plantas tóxicas para gatos. Isso a diferencia de outras Euphorbiaceae mais problemáticas para os animais, mas não equivale a uma avaliação veterinária completa. Na falta de monografia específica, uma ingestão muito grande ainda exige prudência. 5
Os casos humanos documentados apontam um risco específico: uma salada de folhas frescas provocou hemólise aguda e metemoglobinemia em uma mãe e seu filho. Ambos tinham deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, ou G6PD, até então desconhecida. Recuperaram-se após uma semana de internação, com transfusões e oxigenoterapia. 7
Outras pequenas Euphorbiaceae e ervas de folhas dentadas podem ser confundidas com esta espécie. A combinação mais útil reúne a espiga axilar fina, semelhante a um amento, e a cápsula trilobada e tuberculada. O conjunto desses caracteres é mais confiável do que apenas a aparência geral da folhagem em um terreno perturbado. 3
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Acalypha indica L.
- International Plant Names Index, Acalypha indica L.
- GBIF Backbone Taxonomy, Acalypha indica L.
- INPN, Acalypha indica L., 1753
- ASPCA, lista de plantas tóxicas e não tóxicas para gatos
- Scaffidi et al., 2016, identificação dos compostos de Acalypha indica que atraem gatos
- Relatos clínicos, hemólise oxidativa aguda e metemoglobinemia induzidas por Acalypha indica
- Perfil fitoquímico e propriedades anti-inflamatórias do extrato da raiz de Acalypha indica
Perguntas frequentes
Por que os gatos são atraídos por Acalypha indica?
A raiz contém os iridoides isodi-hidronepetalactona e isoiridomirmecina, que provocam em muitos gatos uma reação semelhante à da erva-de-gato, frequentemente descrita como ainda mais intensa.
Acalypha indica é tóxica para gatos e cães?
A ASPCA não inclui a espécie em sua lista de plantas tóxicas para gatos. Ainda assim, grandes ingestões exigem cautela, pois falta uma monografia veterinária específica.
É possível comer Acalypha indica?
Os brotos às vezes são consumidos como verdura na África e na Índia, mas a planta contém alcaloides e um glicosídeo cianogênico. A coleta não é recomendada sem identificação segura e orientação competente.
Quais são os usos tradicionais dessa planta?
Raízes e folhas são empregadas na medicina tradicional para asma, problemas digestivos, afecções da pele e picadas de serpentes, sobretudo na medicina Siddha e em ilhas do oceano Índico.
Onde Acalypha indica cresce fora da Ásia?
A espécie também é nativa da África tropical e da península Arábica. Foi introduzida em muitos territórios tropicais, entre eles Reunião, Guadalupe, Maurício, Seicheles e Havaí.
Como reconhecer Acalypha indica no jardim?
Observe uma erva ereta de folhas ovais dentadas e espigas axilares estreitas, semelhantes a amentos, com flores minúsculas envolvidas por brácteas em forma de taça.
Acalypha indica é considerada invasora na França?
Não. A espécie ocorre como erva espontânea introduzida em alguns territórios ultramarinos franceses, sem classificação regulamentar de invasora na França continental.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.


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