mentrasto (Ageratum conyzoides, )
mentrasto (Ageratum conyzoides L., 1753) é uma erva anual da família Asteraceae, originária da América tropical e hoje disseminada como planta espontânea nos trópicos. Suas folhas pilosas liberam um odor forte quando amassadas. A espécie consta de listas oficiais de plantas daninhas nocivas na África do Sul e de invasoras no oceano Índico, embora também tenha amplo uso medicinal tradicional na África. É frequentemente confundida com Ageratum houstonianum, a celestina ornamental, da qual se distingue pela pilosidade das brácteas florais.
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Distribuição global
POWO situa o centro da área nativa de Ageratum conyzoides em torno do México, em uma distribuição mais ampla que abrange a América Central e do Sul e as Antilhas. A espécie depois se naturalizou em quase todas as regiões tropicais e subtropicais do mundo, passando a integrar várias listas oficiais de plantas daninhas nocivas ou espécies invasoras.
- Nativo3
- Introduzido2
- Invasivo4
- México
- Brasil
- Caribe
- Madagascar
- Estados Unidos
- África do Sul
- Quênia
- Índia
- Reunião
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
mentrasto (Ageratum conyzoides L., 1753) é uma espécie aceita do gênero Ageratum, da família Asteraceae. Basta amassar suas folhas pilosas para perceber o odor acre, comparado ao de um bode, que explica alguns de seus nomes em outras línguas. 4 1
Entre os nomes regionais aparecem baume blanc e herbe à femme, em francês, e billygoat weed, em inglês; no Brasil, usa-se mentrasto. Todos se referem à mesma planta, mas os nomes populares não asseguram a identificação. O cheiro e a cor das flores variam conforme o clima, enquanto o binômio científico se mantém entre continentes. 2 9
Seu interesse ornamental não é reconhecido. A parente Ageratum houstonianum, a celestina, é a única espécie do gênero com cultivo ornamental corrente na França. Distinguir as duas evita capinas equivocadas: retirar a celestina de uma bordadura não impede que o mentrasto volte a crescer na horta ao lado. 7
Reconhecimento
De porte ereto e ramificado, Ageratum conyzoides é uma erva anual levemente aromática, em geral com 30 cm a 1 m de altura, podendo atingir 1,2 m em solo rico e sob sol pleno. Caules e folhas têm pelos finos e brancos; as folhas opostas e ovais chegam a 7,5 cm de comprimento. 7 4
Agrupados em corimbos terminais, os capítulos medem 5 a 8 mm de diâmetro e reúnem de 30 a 50 flores pequenas, lilases, azuladas, rosas ou brancas. Cada flor forma um aquênio marrom, coroado por um papilho de escamas, em vez de cerdas nitidamente farpadas. 7 3
Observe principalmente os pelos das brácteas florais. Em Ageratum conyzoides, eles são poucos e esparsos; em Ageratum houstonianum, a cobertura de pelos glandulares é densa e os estiletes florais são mais curtos. Esse detalhe permite distinguir as espécies a olho nu, sem lupa ou chave de identificação. 7
Taxonomia útil
A nomenclatura aceita é Ageratum conyzoides L. POWO reúne uma longa sinonímia acumulada em mais de dois séculos, incluindo Ageratum album Steud., Ageratum hirsutum Poir., Ageratum ciliare L., Eupatorium conyzoides (L.) E.H.L.Krause e Carelia conyzoides (L.) Kuntze. 1
Tantos sinônimos refletem uma espécie bastante variável, descrita novamente sob nomes diferentes nas regiões onde foi encontrada. Na prática, uma etiqueta de viveiro da Ásia ou da América Latina pode apontar para outra planta se não trouxer o binômio aceito. O nome adotado por POWO continua sendo a referência mais estável diante das variações de nomes locais e comerciais. 1
Habitat e distribuição
A origem do gênero está na América Central e do Sul, incluindo as Antilhas; POWO situa o centro da área nativa da espécie em torno do México. A agricultura e o comércio de sementes ajudaram sua naturalização em quase todas as regiões tropicais e subtropicais. 1 8
Solos revolvidos, arredores de casas, estradas, pastagens degradadas, bordas de mata e até dunas litorâneas oferecem espaço para Ageratum conyzoides. A espécie ocorre do nível do mar até 2.500 m de altitude. 8 7
Seu impacto tem reconhecimento oficial em diferentes territórios: é planta daninha nociva na África do Sul, invasora no Quênia, na Tanzânia e em Uganda, e ameaça comunidades vegetais do Himalaia indiano. Infesta mais de 40 culturas e pastagens e serve de hospedeira alternativa a patógenos e nematoides agrícolas, ampliando os prejuízos além da competição por luz. No oceano Índico, está estabelecida em Reunião, Madagascar, Maurício, Comores e Seychelles. 7 5 4
A própria horticultura contribuiu para essa expansão. Em várias regiões, a espécie chegou como planta de jardim ou contaminante em lotes de sementes ornamentais, antes de escapar dos canteiros e colonizar áreas abertas próximas. 7
Ciclo e reprodução
Da germinação à floração, o ciclo completo leva menos de dois meses. As sementes germinam principalmente na presença de luz, característica chamada fotoblastismo, e frequentemente perdem a viabilidade depois de doze meses. 7
Pelos de animais, roupas e máquinas agrícolas transportam os aquênios. O papilho de escamas prende menos que as cerdas farpadas de outras Asteraceae daninhas, mas também permite viagens longas. Isso ajuda a explicar focos isolados a quilômetros da população mais próxima, mesmo sem semeadura intencional. 7
Usos e riscos
Em boa parte da África, a planta inteira integra práticas medicinais tradicionais contra febre, reumatismo, dor de cabeça, cólicas, queimaduras, problemas uterinos e pneumonia. No Quênia, também há uso como antiasmático e hemostático. 7
Esses usos não anulam um risco documentado: Ageratum conyzoides contém alcaloides pirrolizidínicos hepatotóxicos, entre eles a licopsamina, encontrados inclusive em chás vendidos no Brasil sem enquadramento toxicológico claro. Na Etiópia, foi relatada uma intoxicação coletiva após consumo de cereais contaminados pela planta. 10 9
PFAF não registra uso alimentar, e não há relato de toxicidade por contato durante o manuseio habitual no jardim. O risco está sobretudo na ingestão repetida, em chá ou em forragem contaminada. 8
Variedades, confusões e plantas próximas
Não há cultivar ornamental reconhecido de Ageratum conyzoides. A confusão mais comum envolve Ageratum houstonianum, muito cultivada na França por seus capítulos azuis ou violetas. Nesta última, as brácteas florais são densamente pilosas e glandulares, e os estiletes medem 1 a 2 mm; em A. conyzoides, há poucos pelos esparsos e estiletes de aproximadamente 5 mm. 7
Folhas dentadas e pequenos capítulos coloridos também podem lembrar espécies espontâneas de Bidens ou Erigeron. Para conferir a identificação em campo, os sinais mais confiáveis continuam sendo a pilosidade das brácteas e o aquênio com papilho de escamas, em lugar de cerdas farpadas. 3
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Ageratum conyzoides L.
- INPN, Ageratum conyzoides L., 1753
- Pl@ntUse Français, Ageratum conyzoides
- Wiktrop, Ageratum conyzoides L.
- Global Invasive Species Database / UICN, Ageratum conyzoides
- EPPO Global Database, Ageratum conyzoides (AGECO)
- EAfrinet / Lucidcentral, ficha de Ageratum conyzoides (Billygoat Weed)
- Plants For A Future, Ageratum conyzoides
- Wikipedia (EN), Ageratum conyzoides
- Revista Brasileira de Farmacognosia, alcaloides pirrolizidínicos no chá medicinal de Ageratum conyzoides
Perguntas frequentes
O mentrasto é tóxico?
Sim, em certa medida. A planta contém alcaloides pirrolizidínicos hepatotóxicos, documentados em chás tradicionais e responsáveis por lesões hepáticas crônicas em animais de criação. Houve também relato de intoxicação coletiva na Etiópia após consumo de cereais contaminados.
Pode comer mentrasto?
Não há uso alimentar documentado em bases de referência como PFAF. São relatados apenas usos medicinais tradicionais, sem finalidade alimentar, na África, na Ásia e na América tropical.
Como diferenciar mentrasto de celestina?
O sinal mais confiável é a pilosidade das brácteas florais. Ageratum conyzoides tem apenas alguns pelos esparsos, enquanto Ageratum houstonianum, ornamental cultivada na França, apresenta pelos glandulares densos e estiletes florais mais curtos.
O mentrasto é invasor na França?
É classificado como invasor em Reunião e, de forma mais ampla, no oceano Índico. Na França continental, não há naturalização documentada relatada; a atenção se concentra nos territórios ultramarinos franceses.
De onde vem o mentrasto?
Seu centro de origem fica em torno do México, dentro de uma área maior que abrange a América Central e do Sul e as Antilhas. Depois, a espécie se naturalizou em quase todas as regiões tropicais e subtropicais do planeta.
Por que o mentrasto tem cheiro forte?
As folhas pilosas liberam compostos aromáticos de odor acre quando amassadas. O cheiro é comparado ao de um bode, o que explica o nome francês herbe à bouc e o inglês billygoat weed.
Quais são os usos tradicionais do mentrasto?
As folhas e a planta inteira aparecem em várias farmacopeias tradicionais africanas contra febre, reumatismo, dor de cabeça, queimaduras e pneumonia. Esses usos não anulam o risco hepático documentado no consumo interno prolongado.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.






