Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus, (L.) Willd. 1805)

Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus) é uma árvore perene de grande porte da família Euphorbiaceae, originária da região indo-pacífica e levada desde cedo por navegadores às ilhas do Pacífico. No Havaí, tornou-se a árvore oficial do estado sob o nome kukui. As folhas juvenis lobadas, a copa prateada e a semente oleaginosa de casca muito dura, tóxica crua mas consumida após torrefação, ajudam a reconhecer essa espécie de muitos usos tradicionais.

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Nome científicoAleurites moluccanus
GêneroAleurites
OrdemMalpighiales

Nogueira-de-iguape, Kukui, Candlenut e Kemiri

Identidade
Toxicidade
Sementes cruas tóxicas (saponinas, forbol), forte efeito purgativo em crianças
Nível de cuidados
Baixo
Tipo de planta
Tipo de folhas
Perenifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
IndonésiaMalásiaÍndiaChinaPapua-Nova Guiné
Habitat
Florestas tropicais úmidas e de monções, bordas e terrenos alterados abaixo de 300 m
Sazonalidade
Época de floração
PrimaveraVerão
Colheita
OutonoInverno
Crescimento
Dormência
Sem dormência
Velocidade de crescimento
8/10
Tempo de maturação
Porte adulto em vários anos, primeiros frutos após 5 a 10 anos
Propagação
Semeadura
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
40–60 km/h
Umidade
60–90 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo bem drenado
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Aparência
Altura2000–3000 cmLargura1000–2000 cm
Folhas
Verde
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — folhas 1
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — folhas 2
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — folhas 3
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — folhas 4
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — folhas 5
Flores
BrancoCremeTamanho0.5–0.9 cm
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — flores 1
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — flores 2
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — flores 3
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — flores 4
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — flores 5
Frutos
Verde
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — frutos 1
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — frutos 2
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — frutos 3
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — frutos 4
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — frutos 5
Porte
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — porte 1
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — porte 2
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — porte 3
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — porte 4
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — porte 5
Casca
MarromVerde
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — casca 1
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — casca 2
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — casca 3
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — casca 4
Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus): origem e usos — casca 5

Distribuição global

A área nativa de Aleurites moluccanus é difícil de delimitar, pois a espécie foi disseminada muito cedo por pessoas em toda a região indo-pacífica. Sua distribuição atual abrange a Índia, o sul da China, o Sudeste Asiático, a Papua e numerosas ilhas do Pacífico, onde antigos navegadores a introduziram como planta útil antes da chegada dos europeus.

  • Nativo5
  • Introduzido3
  • Indonésia
  • Malásia
  • Índia
  • Sul da China
  • Papua-Nova Guiné
  • Polinésia Francesa
  • Havaí
  • Austrália (Queensland, Território do Norte)

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Nogueira-de-iguape (Aleurites moluccanus (L.) Willd., 1805) reúne quatro sinais marcantes: copa prateada, folhas juvenis profundamente lobadas, pelos estrelados ruivos nos brotos e sementes de casca muito dura. Adulta, alcança 20 a 30 m. A semente crua tem forte efeito purgativo, mas é consumida torrada, ao contrário das sementes das árvores do óleo de tungue, que permanecem tóxicas mesmo cozidas. A espécie pertence às Euphorbiaceae. Carl von Linné a descreveu como Jatropha moluccana em 1753; Carl Ludwig Willdenow a transferiu para Aleurites em 1805. 1 6

O gênero deve seu nome ao grego antigo aleuron, “farinha”: os pelos estrelados esbranquiçados dos brotos e do verso das folhas lembram uma camada de farinha. O nome francês bancoulier deriva de Bengkulu, cidade e província de Sumatra ligada historicamente ao comércio das sementes e do óleo. 5

Os nomes regionais também registram diferentes usos. No Havaí, a árvore é chamada kukui e representa oficialmente o estado desde 1959. O inglês candlenut remete ao antigo uso das sementes para iluminação. Em indonésio e malaio, kemiri designa a semente torrada utilizada na culinária local. 2

Reconhecimento

Com condições favoráveis, Aleurites moluccanus cresce até 20 a 30 m, com casca cinza-acastanhada e copa larga, espalhada ou pendente. Nas plantas jovens, as folhas têm 3, 5 ou 7 lobos bem recortados; nas adultas, tornam-se mais simples, ovais a cordiformes, com 14 a 23 cm de comprimento. 2 3

À distância, os pelos estrelados dos brotos e do verso das folhas são mais úteis do que apenas o contorno da copa. Inicialmente ruivos, ficam esbranquiçados com a idade e conferem à árvore uma tonalidade prateada que contrasta com o verde escuro da floresta tropical. 3

Pequenas flores brancas surgem em panículas terminais. As masculinas medem cerca de 5 mm de diâmetro e as femininas, maiores, cerca de 9 mm. O fruto é uma drupa carnosa de 4 a 6 cm, com um ou dois lobos, cada um contendo uma semente de casca muito dura, de aproximadamente 2 cm, e uma amêndoa branca rica em óleo. 3

Taxonomia útil

POWO/WCVP aceita o nome Aleurites moluccanus (L.) Willd., baseado no basiônimo Jatropha moluccana L.. A grafia Aleurites moluccana aparece com frequência na literatura de jardinagem antiga e continua no comércio de óleos, embora não seja a forma aceita pela nomenclatura atual. 1

A história nomenclatural inclui os seguintes sinônimos:

  • Aleurites trilobus J.R.Forst. & G.Forst., sinônimo botânico
  • Aleurites javanicus Gand., sinônimo botânico
  • Aleurites pentaphyllus Benth., sinônimo botânico
  • Camirium cordifolium Gaertn., sinônimo botânico
  • Mallotus moluccanus (L.) Müll.Arg., sinônimo botânico
  • Rottlera moluccana (L.) Scheff., sinônimo botânico

Atualmente, o gênero Aleurites reúne apenas duas espécies aceitas. As antigas Aleurites fordii e Aleurites cordata, produtoras de óleo de tungue, passaram ao gênero distinto Vernicia. A antiga classificação ajuda a explicar a confusão entre os dois óleos, que hoje são atribuídos a gêneros diferentes. 1

Habitat e distribuição

Delimitar a origem exata é difícil: a disseminação humana da espécie pela região indo-pacífica foi tão antiga e ampla que tornou pouco nítida a separação entre populações nativas e introduzidas. A distribuição atual vai da Índia e do sul da China, através do Sudeste Asiático, até as ilhas do Pacífico e Queensland, na Austrália. 2

Florestas tropicais úmidas e florestas de monções abaixo de 300 m abrigam Aleurites moluccanus, frequentemente nas bordas e em terrenos alterados, que coloniza rapidamente. A espécie precisa de mais de 2.000 mm de precipitação anual para se estabelecer de modo duradouro. 2

No Território do Norte australiano, a nogueira-de-iguape é classificada como introduzida e ocorre em várias biorregiões tropicais. Antigos navegadores a transportaram por muitas ilhas do Pacífico antes da chegada dos europeus, e hoje ela está amplamente naturalizada nessas áreas. A IUCN a classifica como de menor preocupação, em razão da distribuição ampla e da ausência de grandes ameaças identificadas. 8 4

Ciclo e reprodução

Brotos anuais de até 1,5 m mostram a rapidez de crescimento em clima favorável. As panículas terminais reúnem flores masculinas e femininas, de tamanhos diferentes. Após a polinização, as flores femininas originam a drupa característica, cuja maturação resulta na semente rica em óleo. 2

A casca extremamente dura protege a semente, mas dificulta a germinação natural, que pode depender de choque térmico ou dano na casca. O método tradicional reproduz esse choque: cobre as sementes com folhas secas, queima essa cobertura e mergulha as sementes ainda quentes em água fria para fissurar a casca. Esse tratamento eleva a germinação para mais de 30%, contra resultados muito baixos sem tratamento. 2

Na Austrália, as sementes caídas atraem roedores, entre eles o rato-gigante-de-cauda-branca, que rompe a casca para alcançar a amêndoa. Cascas quebradas no chão podem revelar a presença da árvore antes mesmo de sua copa prateada ser avistada. 3

Usos e riscos

Saponinas, forbol e toxalbuminas tornam a semente crua da nogueira-de-iguape tóxica e causam forte efeito purgativo quando ingerida. A secagem prolongada ou a torrefação destrói grande parte desses compostos; somente nessa forma preparada a amêndoa entra na alimentação. 2

Na Indonésia e na Malásia, a semente torrada e triturada, o kemiri, engrossa curries e molhos. No Havaí, a amêndoa torrada forma uma pasta salgada, a ʻinamona, usada tradicionalmente no poke. O óleo, com rendimento de prensagem de 42 a 60%, também é empregado em cosméticos para pele e cabelo, sobretudo na Indonésia e em Fiji. 2

Uma antiga prática havaiana explica o inglês candlenut: sementes enfiadas em uma nervura de palmeira queimavam em sequência como lamparina, cada uma por cerca de quinze minutos. A madeira também serviu à construção de canoas e a casca forneceu corante castanho-avermelhado para tecidos tradicionais feitos de entrecasca. 9

Variedades, confusões e plantas próximas

Duas espécies são hoje aceitas em Aleurites: Aleurites moluccanus e Aleurites rockinghamensis, esta restrita à Papua-Nova Guiné e ao nordeste de Queensland. A antiga var. rockinghamensis, antes incluída em A. moluccanus, é tratada como essa espécie distinta; vale conferir a identificação de sementes vendidas com tal nome. 1

É frequente confundir a nogueira-de-iguape com Vernicia fordii e Vernicia cordata, antigas Aleurites fordii e Aleurites cordata. Embora os dois óleos tenham uso industrial histórico, apenas o da nogueira-de-iguape é consumido: o óleo de tungue, extraído de sementes tóxicas mesmo por contato, nunca é alimento. 1

Quando aparece em rótulos antigos e no comércio de óleos, Aleurites moluccana designa a mesma planta aceita como Aleurites moluccanus. Só muda a terminação, detalhe que pode dificultar a busca bibliográfica.

Fontes principais

Perguntas frequentes

A nogueira-de-iguape é a mesma árvore que produz óleo de tungue?

Não. As árvores do óleo de tungue, Vernicia fordii e Vernicia cordata, foram classificadas por muito tempo em Aleurites, mas hoje pertencem a um gênero distinto. Seu óleo, tóxico mesmo por contato, nunca é consumido, diferentemente do óleo da nogueira-de-iguape.

As sementes da nogueira-de-iguape são tóxicas?

Cruas, sim. Contêm saponinas, forbol e toxalbuminas que causam forte efeito purgativo. A torrefação ou a secagem prolongada destrói grande parte desses compostos, e a amêndoa preparada é consumida como kemiri ou ʻinamona.

Por que a nogueira-de-iguape se chama candlenut em inglês?

O nome vem de um antigo uso havaiano: as sementes eram enfiadas em uma nervura de palmeira e queimadas uma após outra para iluminar. O óleo extraído do fruto também alimentava lamparinas de pedra.

A nogueira-de-iguape é nativa do Havaí?

Não. Os primeiros navegadores polinésios a introduziram como planta útil. Em 1959, tornou-se a árvore oficial do estado do Havaí com seu nome local, kukui.

Como reconhecer a nogueira-de-iguape de longe?

A copa prateada se destaca entre as árvores da floresta tropical. Os pelos estrelados esbranquiçados dos brotos e da face inferior das folhas dão à copa um aspecto claro e pulverulento visível à distância.

É possível cultivar a nogueira-de-iguape fora dos trópicos?

Em solo aberto é difícil. A espécie não tolera geadas e exige zonas de rusticidade USDA 10 a 12. Em clima temperado, precisa de vaso recolhido no inverno ou estufa aquecida.

Aleurites moluccanus e Aleurites moluccana são a mesma planta?

Sim. Moluccana é uma grafia antiga ainda usada no comércio de óleo e nos catálogos de jardinagem. O nome atualmente aceito na nomenclatura botânica é Aleurites moluccanus.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.