Beldros (Amaranthus retroflexus, L. 1753)

Caules ásperos e eretos, folhas em losango e espigas densas com brácteas espinhosas caracterizam os beldros (Amaranthus retroflexus L., 1753), anuais das Amaranthaceae nativos da América e naturalizados em grande parte do mundo. A persistência das sementes no solo dificulta o controle; na China, foi confirmada resistência da espécie a herbicidas inibidores da PPO.

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Nome científicoAmaranthus retroflexus
GêneroAmaranthus
OrdemCaryophyllales

Beldros

Identidade
Toxicidade
Sem toxicidade para humanos; nitratos podem afetar o gado
Nível de cuidados
Alto
Tipo de planta
Erva anual · Erva daninha invasora · Planta comestível
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Anual
País de origem
MéxicoEstados Unidos
Habitat
Campos cultivados, hortas, terrenos abandonados, margens de caminhos e valas; solos perturbados ricos em nitrogênio
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Crescimento
Dormência
Sem dormência
Velocidade de crescimento
8/10
Tempo de maturação
Floresce no verão ao início do outono; sementes amadurecem até o outono
Propagação
Semeadura
Clima e água
Temperatura tolerada
Resistência ao vento
Caule seco se desprende e rola ao vento quando maduro
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Sim
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo perturbado, Solo de cultivo, Solo rico, Solo bem drenado
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Sol pleno; não tolera sombra
Área externa
À beira da estrada, Margem de campo, Canteiro de obras, Canteiro
Aparência
Altura20–200 cmLargura20–60 cm
Folhas
Verde
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — folhas 1
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — folhas 2
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — folhas 3
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — folhas 4
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — folhas 5
Flores
Verde
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — flores 1
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — flores 2
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — flores 3
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — flores 4
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — flores 5
Frutos
Marrom
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — frutos 1
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — frutos 2
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — frutos 3
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — frutos 4
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — frutos 5
Porte
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — porte 1
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — porte 2
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — porte 3
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — porte 4
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — porte 5
Casca
Verde
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — casca 1
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — casca 2
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — casca 3
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — casca 4
Beldros (Amaranthus retroflexus): origem e usos — casca 5

Distribuição global

A área nativa exata de Amaranthus retroflexus é debatida entre os Neotrópicos e o centro-leste da América do Norte; o WCVP aponta o México. Introduzida a partir da América do Norte, hoje está naturalizada na maioria dos continentes. Há populações agrícolas problemáticas na China, onde foi confirmada resistência a herbicidas inibidores da PPO.

  • Nativo2
  • Introduzido5
  • Invasivo1
  • México
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • França metropolitana
  • Europa
  • Japão
  • Austrália
  • China

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Beldros (Amaranthus retroflexus L., 1753) designa uma planta anual do gênero Amaranthus, da família Amaranthaceae. Lineu a descreveu em 1753, e sua área nativa continua debatida entre os Neotrópicos e o centro-leste da América do Norte. Cada planta produz até 35.000 sementes, alimentando uma reserva persistente no solo que torna difícil eliminá-la, mesmo depois de um arranquio cuidadoso. 1 3

O nome inglês redroot pigweed reúne duas referências práticas: a raiz pivotante frequentemente avermelhada e o antigo uso como forragem para porcos criados ao ar livre. Outra designação inglesa, common tumbleweed, destaca o comportamento da planta madura, quando a parte seca pode se soltar e rolar ao vento, em vez da aparência durante o crescimento. 4 8

Reconhecimento

Um caule ereto, áspero e piloso, muitas vezes ramificado na metade superior, sustenta plantas geralmente entre 20 e 150 cm. Em solos ricos e bem expostos ao sol, exemplares excepcionais atingem 2 m. A textura do caule, junto com o porte e a forma das folhas, ajuda a reconhecer a planta no campo. 6

Folhas alternas, com pecíolo, variam entre o losango e a forma oval. Suas nervuras são marcadas, e o ápice costuma ter uma pequena reentrância. Nas plantas mais bem expostas, as maiores folhas chegam perto de 15 cm de comprimento, mas a dimensão isolada não substitui a observação das demais estruturas. 3

Na ponta do caule aparece uma espiga densa e grossa, cercada por brácteas espinhosas verde-claras que dão o aspecto eriçado à planta. As flores são minúsculas e esverdeadas. A polinização ocorre pelo vento; sem néctar, as inflorescências atraem poucos insetos visitantes, apesar de reunirem muitas flores num espaço pequeno. 3

Sementes negras, brilhantes e lenticulares ficam dentro de uma cápsula com menos de 2 mm. São pouco maiores que um milímetro e podem permanecer vários anos no solo. O tamanho discreto contrasta com a quantidade produzida por uma única planta, aspecto central de sua persistência em áreas agrícolas. 3

Taxonomia útil

Aceito pelo Plants of the World Online, Amaranthus retroflexus L. foi publicado em 1753 na família Amaranthaceae. Esse nome constitui a referência botânica para os beldros, embora nomes populares estrangeiros enfatizem a raiz vermelha, a textura áspera ou a dispersão da planta seca. 1 2

O gênero reúne dezenas de espécies semelhantes, frequentemente confundidas no campo. Muitas variedades e subespécies já foram descritas sob esse nome, entre elas Amaranthus retroflexus var. salicifolius I.M.Johnst. e Amaranthus retroflexus subsp. patulus (Bertol.) Bonnier & Layens. Esses nomes distinguem principalmente diferenças na forma das folhas ou no porte da planta. 1

Bases agronômicas norte-americanas e francesas empregam quase sempre o nome aceito Amaranthus retroflexus. Nesse contexto, a identificação enfrenta menos confusões de sinonímia do que ocorre com outras infestantes próximas. Manter o binômio visível ajuda a relacionar observações de campo e informações agronômicas sobre a mesma espécie. 4

Habitat e distribuição

Entre os Neotrópicos e o centro-leste da América do Norte situam-se as hipóteses para a área nativa exata dos beldros. O WCVP aponta especificamente o México. Essa incerteza sobre a origem precisa ser preservada, em vez de transformar uma das interpretações numa distribuição original indiscutível. 1 3

Introduzida a partir da América do Norte, a espécie se naturalizou na maior parte dos continentes, incluindo Europa, Ásia e Oceania. O INPN a registra como amplamente distribuída na França. Esse registro descreve a situação francesa e não estabelece automaticamente seu enquadramento ou a frequência em outros territórios lusófonos. 4

Campos cultivados, hortas, terrenos abandonados e margens de caminhos são os ambientes colonizados com maior frequência. A preferência é por solos perturbados e ricos em nitrogênio, nos quais a germinação rápida após o aquecimento do terreno permite aproveitar espaços abertos entre as culturas ou na vegetação de áreas recentemente alteradas. 6

Ciclo, resistência e dispersão

Com o aquecimento do solo entre a primavera e o verão, ocorre a maior parte da germinação. Em solo frio, o processo é lento e irregular. No ciclo temperado de referência, a floração vai do verão ao início do outono, e as sementes amadurecem entre o fim do verão e o outono; os meses concretos variam conforme o hemisfério. 6

Cada planta produz de 13.000 a 35.000 sementes, capazes de formar uma reserva persistente: cerca de três anos são necessários para que metade desapareça do solo, e quase vinte anos para uma perda de 99%. Ao amadurecer, o caule seco se desprende facilmente da raiz e rola ao vento, dispersando sementes a longa distância. Esse comportamento explica a designação inglesa tumbleweed. 8 3

Em 2020, uma população chinesa revelou a primeira resistência confirmada, nessa espécie, a herbicidas inibidores da protoporfirinogênio oxidase, a PPO. A resistência chegou a 41,8 vezes a das populações sensíveis e estava associada a uma única mutação no gene-alvo. A população estudada continuava sensível ao glifosato e a várias outras famílias testadas; o resultado pertence àquela população e àquele estudo. 5

Usos e riscos

Folhas jovens podem ser consumidas cruas ou cozidas, à maneira do espinafre, e são ricas em ferro e vitaminas A e C. As sementes também são comestíveis, cruas ou cozidas; podem ser moídas em farinha ou torradas antes da moagem. Esses usos alimentares precisam ser lidos junto com a ressalva sobre nitratos acumulados nas folhas. 6

Tradicionalmente, um chá adstringente das folhas foi usado contra menstruação abundante, sangramentos intestinais e diarreia, assim como em infusão para rouquidão. São relatos de uso tradicional. A planta inteira também fornece corantes amarelo e verde, outro aproveitamento histórico que não depende de seu emprego como alimento. 7

Nenhuma espécie de Amaranthus é conhecida como tóxica para humanos. Contudo, plantas em solo rico em nitrogênio acumulam nitratos nas folhas, com risco documentado sobretudo para o gado que ingere grandes quantidades. Podem ocorrer distúrbios digestivos ou metemoglobinemia. A ausência de toxicidade humana conhecida não elimina esse risco específico ligado à alimentação animal e às condições de crescimento. 3

Variedades, confusões e plantas próximas

Sem cultivar hortícola reconhecida, os beldros apresentam variação de campo principalmente na forma das folhas e na pilosidade do caule. Esses caracteres distinguem variedades botânicas, em vez de formas de jardim selecionadas para ornamentação. Uma diferença visual entre duas plantas, portanto, não indica por si só a existência de uma cultivar. 1

Entre as confusões mais comuns estão Amaranthus hybridus e Amaranthus powellii, de porte muito semelhante, e Amaranthus albus, menor e mais claro. A cor da raiz pivotante e a forma das brácteas florais são referências mais confiáveis para separar essas espécies no campo do que uma impressão geral da folhagem. 3

Nas bordas dos mesmos campos também crescem infestantes de verão como a avoadinha e Ambrosia artemisiifolia. Sua silhueta e suas folhas permitem descartar a confusão rapidamente. Entre espécies de Amaranthus, a semente negra e lenticular de aproximadamente 1 mm oferece uma referência mais confiável do que apenas a aparência das folhas.

Fontes principais

Perguntas frequentes

Os beldros são tóxicos?

Nenhuma espécie de Amaranthus é conhecida como tóxica para humanos. O risco documentado envolve sobretudo gado que ingere grande quantidade de plantas com nitratos acumulados em solo rico em nitrogênio.

Por que é tão difícil eliminar os beldros?

As sementes persistem por vários anos no solo. Em 2020, confirmou-se resistência a herbicidas inibidores da PPO numa população chinesa. O manejo precisa alternar modos de ação, sem depender de uma única família de herbicidas.

Como reconhecer as plantas jovens?

As plântulas têm folhas em losango e caule muitas vezes já avermelhado na base. É a fase mais fácil para o controle, antes da formação da espiga floral.

O que significa o epíteto retroflexus?

O termo latino significa curvado para trás e descreve as brácteas florais recurvadas. Refere-se a uma estrutura floral, que pode não chamar atenção imediatamente numa planta em crescimento.

É possível comer beldros?

As folhas jovens e as sementes são comestíveis; as folhas podem ser preparadas como espinafre. Convém evitar plantas de solos adubados com excesso de nitrogênio, pois acumulam mais nitratos.

É fácil confundir beldros com outros amarantos?

Sim, principalmente com Amaranthus hybridus e Amaranthus powellii, de porte muito semelhante, e com Amaranthus albus, menor e mais claro. A cor da raiz é uma referência útil.

Onde os beldros crescem com mais frequência?

Em campos cultivados, hortas, terrenos abandonados e margens de caminhos, com preferência por solos perturbados e ricos em nitrogênio.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.