Cânhamo (Cannabis sativa, L. 1753)

Cânhamo (Cannabis sativa) é uma herbácea anual da família Cannabaceae, de origem asiática, folhas palmadas recortadas e polinização pelo vento. A mesma espécie reúne o cânhamo industrial, cultivado para fibra, sementes e óleo, e tipos ricos em THC, substância psicoativa sujeita a regulamentação.

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Nome científicoCannabis sativa
GêneroCannabis
OrdemRosales

Cânhamo, Cânhamo-industrial, Cannabis, Maconha, Hemp e Marijuana

Identidade
Toxicidade
Cuidado : humanos · Tóxico : gatos, cães e cavalos
Nível de cuidados
Moderado
Tipo de planta
Flor anual · Cultura olerícola
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Anual
País de origem
ChinaPaquistãoÍndia
Habitat
Cultivos a pleno sol, em solos soltos, profundos e drenados; pode escapar para as margens dos campos
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Colheita
VerãoOutono
Crescimento
Dormência
Sem dormência
Velocidade de crescimento
9/10
Tempo de maturação
Sementes maduras 3 a 5 meses após a semeadura, conforme a variedade
Propagação
Semeadura
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
Média, caules altos sujeitos ao acamamento
Umidade
40–60 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo bem drenado, Solo rico
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Área externa
Horta, Canteiro a pleno sol
Vasos
Recipiente
Aparência
Altura100–400 cmLargura30–100 cm
Folhas
Verde
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — folhas 1
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — folhas 2
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — folhas 3
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — folhas 4
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — folhas 5
Flores
Verde
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — flores 1
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — flores 2
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — flores 3
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — flores 4
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — flores 5
Frutos
Marrom
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — frutos 1
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — frutos 2
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — frutos 3
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — frutos 4
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — frutos 5
Porte
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — porte 1
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — porte 2
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — porte 3
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — porte 4
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — porte 5
Casca
Verde
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — casca 1
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — casca 2
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — casca 3
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — casca 4
Cânhamo (Cannabis sativa): origem e usos — casca 5

Distribuição global

Cannabis sativa é uma planta cultivada de origem asiática, com área ancestral ligada à Ásia Central, do Xinjiang ao Paquistão. Domesticada muito cedo, espalhou-se pelas regiões temperadas do mundo para produção de fibras e sementes. As ocorrências mencionadas correspondem a plantas semeadas ou localmente subespontâneas, e não a uma flora estritamente espontânea.

  • Nativo3
  • China
  • Paquistão
  • Índia

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Cânhamo (Cannabis sativa L., 1753) é uma herbácea anual da família Cannabaceae, pertencente ao gênero Cannabis. A classificação de referência aceita uma única espécie nesse gênero. Trata-se também de uma das plantas domesticadas mais antigas: fibras, sementes e produtos derivados são aproveitados há milênios. 1 2

Poucas plantas úteis apresentam uma distinção de usos tão marcada. O cânhamo industrial, com baixo teor de compostos psicoativos, fornece fibras têxteis, sementes e óleo. Já os tipos ricos em THC, principal canabinoide psicoativo, são associados ao uso como droga e sujeitos a controle estrito. A concentração de canabinoides separa esses usos, sem criar outra espécie botânica. 3 7

Reconhecimento

O caule ereto, sulcado e frequentemente áspero, costuma atingir de 1 a 4 m, conforme a variedade e a densidade de semeadura. As folhas palmadas, de verde intenso, têm cinco a nove folíolos estreitos, lanceolados e bem serrilhados. Esse recorte profundo é um dos sinais mais conhecidos da planta. 4 2

Ao longo do caule, a disposição foliar muda: as folhas são opostas na base e passam a alternas perto do ápice. Quando amassadas, liberam odor resinoso acentuado, particularmente perceptível nos tipos ricos em canabinoides. O cheiro complementa os caracteres visuais usados no reconhecimento. 5 4

A espécie é dioica, com flores masculinas e femininas em indivíduos separados. As inflorescências masculinas, soltas e pendentes, liberam muito pólen; as femininas são densas, folhosas e compactas. Após a fecundação, surgem pequenas sementes ovais e lisas, de cinza a castanho, frequentemente marmorizadas. 2 5

O porte diferencia seleções para fibra e para sementes. Nas primeiras, o caule alto e pouco ramificado favorece fibras longas; nas segundas, a maior ramificação aumenta a produção de sementes. Essas diferenças entre variedades não alteram os sinais gerais de folhas palmadas e separação dos sexos descritos para a espécie. 6 2

Taxonomia útil

Em 1753, Linné descreveu Cannabis sativa L. A delimitação do gênero gerou debates, com autores que reconheceram várias espécies. A classificação de referência aqui adotada mantém uma espécie aceita, à qual se relacionam muitos nomes infraespecíficos, entre eles:

  • Cannabis sativa subsp. indica (Lam.) E.Small & Cronquist, nome de subespécie;
  • Cannabis sativa var. indica (Lam.) Wehmer, nome varietal;
  • Cannabis sativa var. ruderalis (Janisch.) S.Z.Liou, denominação infraespecífica;
  • Cannabis indica Lam., nome historicamente tratado como espécie;
  • Cannabis ruderalis Janisch., outra denominação histórica.

Esses nomes remetem principalmente a formas associadas à origem geográfica, ao porte ou ao teor de canabinoides. O nome aceito Cannabis sativa mantém a identificação botânica estável. Expressões como cânhamo industrial e tipo entorpecente descrevem usos e seleções de cultivo, sem designar espécies independentes. 1 2

Habitat e distribuição

A origem asiática do cânhamo remete à Ásia Central, do Xinjiang ao Paquistão. Essa área ancestral é apontada como provável centro de domesticação a partir de formas silvestres aparentadas. O longo histórico de cultivo ajuda a explicar a ampla difusão posterior da planta. 1 2

A partir desse núcleo, o cultivo se expandiu pela Eurásia e pelas regiões temperadas do mundo, alcançando a América do Norte. A planta aparece tanto em grandes lavouras quanto em canteiros experimentais, em solos soltos, profundos e drenados, sempre com exposição ensolarada. 2 6

As ocorrências descritas correspondem a uma planta semeada deliberadamente ou, por vezes, subespontânea nas margens de campos, sem constituir uma flora espontânea estável. O cânhamo aprecia fertilidade e não tolera sombra; solos argilosos pesados são desfavoráveis. A faixa de cultivo indicada corresponde aproximadamente às zonas USDA 4 a 9. 4 5

Ciclo e reprodução

Germinação, crescimento, floração e formação de sementes cabem em uma única estação: o cânhamo é estritamente anual. Em clima temperado, morre no outono. A maturação das sementes exige cerca de três a cinco meses após a semeadura, conforme variedade e clima; o momento de colheita muda se o objetivo for fibra ou semente. 4 2

A separação de flores masculinas e femininas se combina à polinização pelo vento. Indivíduos masculinos liberam pólen leve, transportado até as flores femininas. A reprodução não depende da visita de insetos polinizadores, e o isolamento dos cultivos tem importância para conservar a pureza varietal. 2 5

A multiplicação ocorre por sementes, semeadas diretamente no local na primavera, pois a planta suporta mal o transplante. O plantio é superficial, em leito de semeadura bem preparado, e a emergência leva uma a duas semanas em condições quentes. Em lavouras, recomenda-se rotação plurianual para reduzir o acúmulo de doenças do solo. 6 4

Usos e riscos

Fibras longas e resistentes do caule servem para cordas, tecidos e materiais de construção, como concreto de cânhamo. As sementes fornecem óleo alimentar rico em ácidos graxos essenciais e também proteínas. Algumas variedades são cultivadas pelo CBD, canabinoide não psicoativo. Esses aproveitamentos explicam a relevância industrial da espécie. 2 4

O aproveitamento depende de um enquadramento legal específico. O composto central nessa distinção é o THC, delta-9-tetraidrocanabinol. No contexto da França e da União Europeia descrito pelas fontes, o cânhamo industrial reúne variedades inscritas no catálogo com menos de 0,3 % de THC; acima desse patamar, aplica-se a regulamentação de entorpecentes. Cultivo, posse e uso dos tipos ricos em THC variam de regulamentados a ilícitos conforme o país. Esse enquadramento francês não deve ser transferido para o Brasil ou outros países. 6 7

O risco sanitário está ligado aos canabinoides das inflorescências, e não às fibras ou sementes. A ASPCA classifica cannabis como tóxica para gatos e cães, nos quais o THC causa alterações neurológicas; cavalos também são sensíveis. Em humanos, a espécie tem efeito psicoativo e uso sujeito a controle legal. A planta e seus produtos precisam ficar fora do alcance dos animais. 8 7

Variedades, confusões e plantas próximas

Tipos cultivados representam seleções da mesma espécie. O cânhamo para fibra privilegia caules altos e pouco ramificados; o cânhamo para sementes apresenta maior ramificação. No enquadramento europeu descrito, as variedades industriais precisam ter baixo THC e constar do catálogo. Os tipos ricos em THC ficam fora desse regime e seguem regulamentação específica.

Entre as formas relacionadas e plantas próximas que ajudam a entender as diferenças estão:

  • Cannabis sativa subsp. indica, forma de porte mais compacto, associada à Ásia Central e Meridional;
  • Cannabis sativa var. ruderalis, forma silvestre cuja floração depende pouco da duração do dia;
  • Humulus lupulus, o lúpulo, trepadeira da mesma família Cannabaceae, por vezes comparada à cannabis.

Folhas palmadas com folíolos serrilhados, odor resinoso e caráter dioico permanecem como os principais sinais de reconhecimento do cânhamo, Cannabis sativa. O conjunto desses caracteres é mais informativo do que uma denominação comercial ou a finalidade atribuída ao cultivo. 1 5

Fontes principais

Perguntas frequentes

Cânhamo e cannabis são a mesma planta?

Sim. Pertencem à espécie Cannabis sativa. A diferença está no teor de THC: o cânhamo industrial tem baixo teor e é destinado a fibras, sementes e óleo; os tipos ricos em THC são regulamentados como entorpecentes.

Qual limite de THC é citado para o cânhamo na França?

No enquadramento europeu e francês descrito pelas fontes, o cânhamo industrial corresponde a variedades inscritas no catálogo e com menos de 0,3 % de THC. Acima disso, aplica-se a regulamentação de entorpecentes. Esse contexto não estabelece as regras de outros países.

A semente de cânhamo é tóxica?

A semente tem baixo teor de canabinoides e é consumida por seu óleo e suas proteínas. Os problemas sanitários e regulatórios estão ligados sobretudo aos canabinoides das inflorescências, especialmente o THC, e não à semente em si.

Cannabis é perigosa para animais?

Sim. A ASPCA classifica a planta como tóxica para gatos e cães, pois o THC causa alterações neurológicas. Cavalos também são sensíveis. A planta e seus produtos devem ficar fora do alcance dos animais.

Qual é a diferença entre THC e CBD?

O THC, delta-9-tetraidrocanabinol, é o principal canabinoide psicoativo de Cannabis sativa. O CBD, canabidiol, é um canabinoide não psicoativo. O cânhamo industrial é selecionado para baixo teor de THC e, em alguns casos, alto teor de CBD.

De onde vem o cânhamo?

É uma planta de origem asiática, com área ancestral ligada à Ásia Central, do Xinjiang ao Paquistão. Domesticada muito cedo por suas fibras, hoje é cultivada nas regiões temperadas do mundo.

Cânhamo é anual ou perene?

É uma planta anual que completa o ciclo em uma estação: germina, cresce, floresce e produz sementes no mesmo ano. Em clima temperado, morre no outono após a maturação das sementes.

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Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.