ameixa-de-natal (Carissa macrocarpa, )
A ameixa-de-natal (Carissa macrocarpa) é um arbusto perene e espinhoso das Apocynaceae, nativo do litoral da África austral e oriental. Toda a planta libera látex branco; suas flores brancas perfumadas abrem quase o ano inteiro e o fruto vermelho, comestível quando maduro, lembra uma pequena ameixa.
Ler maisameixa-de-natal, Carissa, Amatungulu, Num-num, Natal plum e Noem-noem
Após aclimatação gradual, ofereça algumas horas de sol direto por dia, de preferência pela manhã ou no fim da tarde.
Sol pleno; tolera meia-sombra, com menos flores





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Distribuição global
A área nativa de Carissa macrocarpa vai do Quênia ao sudeste do Cabo, na África do Sul, concentrando-se no litoral de KwaZulu-Natal. Hoje é cultivada em muitas regiões tropicais e subtropicais por tolerar sal e seca. Fora dessa área, seu estatuto varia: é recomendada para estabilizar dunas na Flórida e monitorada como exótica no Havaí.
- Nativo3
- Introduzido2
- Invasivo1
- África do Sul
- Quênia
- Moçambique
- Flórida (Estados Unidos)
- Califórnia (Estados Unidos)
- Havaí (Estados Unidos)
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
A ameixa-de-natal (Carissa macrocarpa (Eckl.) A.DC., 1844), também chamada carissa, é um arbusto perene e espinhoso do gênero Carissa, da família Apocynaceae. O epíteto macrocarpa vem do grego makros (grande) e karpos (fruto), indicando frutos maiores que os de outras espécies do gênero. Ao ferir um ramo, a planta libera látex branco e gomoso, um sinal útil na identificação entre arbustos do litoral. 1 5 3
O nome ameixa-de-natal remete ao litoral do Natal, na África do Sul, onde a planta cresce espontaneamente. O nome zulu amatungulu, que deu origem ao inglês num-num, designa tanto o fruto quanto o arbusto; em africâner, noem-noem se refere apenas ao fruto. 3 5
Reconhecimento
Com copa densa e arredondada, Carissa macrocarpa costuma ser tão larga quanto alta e atingir 1 a 4 m, chegando a 5 m nas condições mais favoráveis. Seus ramos têm espinhos bifurcados em Y, rígidos, que podem ultrapassar 5 cm e a distinguem de arbustos sem espinhos do mesmo ambiente. 3 4
As folhas opostas são ovais, coriáceas e verde-escuras brilhantes, com 2 a 5 cm de comprimento. 5 3
Branca e estrelada, a flor tem cinco lobos e perfume semelhante ao do jasmim, mais intenso à noite. Ela abre quase o ano inteiro em clima favorável. O fruto é uma drupa ovoide de 2,5 a 6 cm, verde inicialmente e vermelho-vivo a púrpura-escuro quando madura, com polpa suculenta de sabor próximo ao morango ou à cranberry. 4 3
Taxonomia útil
Para reconhecer o nome aceito pelo POWO e seus sinônimos, convém conhecer estas combinações botânicas:
- Arduina macrocarpa Eckl., basiônimo publicado em 1830
- Carissa grandiflora (E.Mey.) A.DC., nome usado por muito tempo e ainda presente em referências antigas, inclusive veterinárias
- Carissa africana A.DC., outro sinônimo botânico
Entre esses nomes, Carissa grandiflora é a fonte mais frequente de confusão. Ele permanece em parte da literatura horticultural e em referências antigas de toxicologia animal, embora o nome botânico aceito seja Carissa macrocarpa. Algumas referências veterinárias norte-americanas ainda citam a combinação anterior. 1 6 2
Habitat e distribuição
Do Quênia ao sudeste do Cabo, na África austral e oriental, estende-se a área nativa de Carissa macrocarpa, concentrada no litoral de KwaZulu-Natal. Ali a espécie forma arbustos em dunas costeiras e bordas de florestas baixas, ao sol ou à meia-sombra. 1 5
Introduzida nos Estados Unidos no fim do século XIX, a ameixa-de-natal é cultivada na Flórida, Califórnia, Havaí e em outras regiões tropicais e subtropicais por tolerar sal e seca. Na Flórida, onde não é nativa, a espécie é recomendada para estabilizar dunas costeiras. 7 3
Essa tolerância ao sal e à seca favorece o cultivo na Flórida, mas traz outra preocupação no Havaí, onde a espécie consta entre as exóticas invasoras registradas. Seu uso na conservação de dunas em um lugar e o monitoramento como invasora em outro dependem sobretudo do clima local e da proximidade de ambientes naturais sensíveis às plantações ornamentais. 8
Ciclo e reprodução
À noite, insetos atraídos pelo perfume polinizam as flores de Carissa macrocarpa, característica ligada ao seu ambiente costeiro de origem. Fora da área nativa, a polinização noturna insuficiente pode explicar a ausência de frutos mesmo em plantas com muitas flores. 3
Pela semeadura, as sementes germinam em 2 a 4 semanas, mas as mudas crescem de modo lento e variável, com os primeiros frutos por volta de 2 anos. Produtores preferem a propagação vegetativa, que antecipa a frutificação. A alporquia, feita com uma incisão em ramo jovem e cerca de 2 meses de cicatrização na planta-mãe, permite enraizamento em 1 mês e frutificação mais rápida que a semeadura. A estaquia convencional tem pouco sucesso nessa espécie. 3
Usos e riscos
Quando maduro e vermelho-escuro a púrpura, o fruto pode ser consumido fresco ou em doces, geleias, molhos e preparações de confeitaria. O cozimento libera um pouco de látex que adere à panela; convém evitar alumínio, e o resíduo sai facilmente com óleo. Já o fruto verde é rico em látex e irritante, assim como a seiva dos ramos e das folhas. 3 4
Quanto aos animais, a ASPCA classifica a ameixa-de-natal sob o antigo nome Carissa grandiflora como não tóxica para cães, gatos e cavalos. A NC State Extension ressalva que a seiva e os frutos verdes podem causar distúrbios digestivos leves se ingeridos em grande quantidade. 6 4
Os espinhos bifurcados e rígidos favorecem o uso da ameixa-de-natal em cercas-vivas defensivas e barreiras visuais junto ao litoral. Sua resistência ao sal e à maresia também a torna frequente na estabilização de taludes arenosos. Abaixo de -5 °C, geadas causam danos severos em plantas jovens pouco estabelecidas. Em clima temperado, cultivares anãs em vasos podem passar o inverno em varanda envidraçada ou estufa fria, protegidas do congelamento. 3 4
Variedades, confusões e plantas próximas
Na seleção horticultural há dois grupos: cultivares frutíferas, como Fancy, Torrey Pines e Gifford, e formas anãs ornamentais com pouco interesse produtivo, como Boxwood Beauty, Prostrata e Nana, usadas como cobertura do solo ou em bordaduras podadas. 3
Outras duas espécies do gênero podem causar confusão:
- Carissa bispinosa (L.) Desf. ex Brenan, com flores e frutos menores, encontrada em altitudes mais elevadas na África austral;
- Carissa edulis (Forssk.) Vahl, muito usada na medicina tradicional da África oriental, com frutos comestíveis bem menores que os de C. macrocarpa.
Para separar essas espécies, o tamanho do fruto maduro é mais confiável que a forma dos espinhos ou o vigor do arbusto. Em Carissa macrocarpa, ele atinge 2,5 a 6 cm, superando claramente os de Carissa bispinosa e Carissa edulis. Essa diferença explica justamente o epíteto macrocarpa. 1 5
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Carissa macrocarpa (Eckl.) A.DC.
- International Plant Names Index, Carissa macrocarpa, registro nomenclatural
- Purdue University NewCROP, Julia Morton, Natal Plum
- NC State Extension Gardener Plant Toolbox, Carissa macrocarpa
- PlantZAfrica / SANBI, Carissa macrocarpa
- ASPCA, Natal Plum, ficha de toxicidade
- Florida Plant Atlas (University of South Florida), Carissa macrocarpa
- Invasive Plant Atlas of the United States, natal-plum
Perguntas frequentes
A ameixa-de-natal é tóxica para cães e gatos?
A ASPCA classifica a ameixa-de-natal, sob o antigo nome Carissa grandiflora, como não tóxica para cães, gatos e cavalos. A seiva leitosa e os frutos verdes, porém, podem irritar quando ingeridos em grande quantidade.
Posso comer os frutos da ameixa-de-natal?
Sim, mas apenas totalmente maduros, quando ficam vermelho-escuros a púrpura. O fruto verde é rico em látex e irrita a boca e o sistema digestivo.
Por que minha ameixa-de-natal não dá frutos?
Fora da área nativa, a polinização noturna pode ser insuficiente mesmo com muitas flores. Uma poda muito severa no fim da estação ou uma planta ainda jovem também podem explicar a falta de frutos.
Qual é a diferença entre Carissa macrocarpa e Carissa grandiflora?
Nenhuma do ponto de vista botânico. Carissa grandiflora é um sinônimo mais antigo, ainda frequente na literatura horticultural e veterinária, do nome hoje aceito, Carissa macrocarpa.
A ameixa-de-natal resiste a geadas?
Uma planta bem estabelecida suporta geadas breves até cerca de -5 °C, mas mudas sofrem quando a temperatura cai abaixo de 0 °C. Em clima temperado, o cultivo em vaso protegido no inverno é a opção mais segura.
A ameixa-de-natal é considerada invasora?
O estatuto depende do território. A espécie consta entre as exóticas registradas no Havaí, enquanto na Flórida é recomendada para estabilizar dunas costeiras.
Como multiplicar a ameixa-de-natal?
A alporquia é o método mais confiável, com enraizamento em aproximadamente um mês. A estaquia convencional tem pouco sucesso nessa espécie, e a semeadura é lenta e irregular.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.





