Café (Coffea arabica, )



O café (Coffea arabica), também chamado de café arábica ou cafeeiro, é um arbusto de folhagem perene da família Rubiaceae, nativo das florestas de altitude da Etiópia, do Sudão do Sul e do norte do Quênia. Cultivado em todas as regiões tropicais por suas sementes, responde por cerca de 60% do café mundial e também pode ser mantido como planta de interior.
Ler maisCafé arábica, Cafeeiro e Arabian coffee
Em geral, coloque sob luz indireta ou em um local sombreado.

Distribuição global
Segundo o Plants of the World Online, a área nativa de Coffea arabica se limita às florestas de altitude do sudoeste da Etiópia, do leste do Sudão do Sul e do norte do Quênia (monte Marsabit). Levada cedo para o Iêmen e depois para toda a zona intertropical, a planta hoje é sobretudo cultivada; Brasil, Colômbia e muitos países tropicais a produzem sem que ela seja nativa ali.
- Nativo3
- Introduzido1
- Etiópia
- Sudão do Sul
- Quênia
- Iêmen
Hexágonos: regiões documentadas. Pontos verdes: área nativa. Status segundo POWO (Kew).
Identidade
O café (Coffea arabica L., 1753), também conhecido como café arábica ou cafeeiro, é um arbusto de folhagem perene do gênero Coffea, na família Rubiaceae. Dele vem a maior parte do café consumido no mundo: sozinha, a espécie responde por cerca de 60% da produção mundial. 1 2
O epíteto engana. Apesar de arabica, nome fixado por Lineu em 1753, a espécie não é nativa da Arábia: ela vem das florestas de altitude da África Oriental. O Iêmen e a Península Arábica tiveram sobretudo um papel de difusão comercial precoce, e daí veio a etiqueta "arábica". 1 3
A palavra que designa a bebida guarda a mesma pista. Em árabe, a planta se chama bunn (بُنّ), termo emprestado do oromo buna, língua de parte dos planaltos etíopes de onde vem a espécie. Antes de Lineu, o botânico Antoine de Jussieu descreveu a planta em 1715 como Jasminum arabicum, a partir de um exemplar recebido do jardim botânico de Amsterdã; foi essa descrição que Lineu retomou para fixar o binômio atual. 2 3
Reconhecimento
Arbusto ou pequena árvore de folhagem perene e lustrosa, Coffea arabica chega a 9 a 12 m em estado selvagem; nas lavouras, costuma ser mantido perto de 5 m, e em vaso fica abaixo de 2 m. As folhas são opostas, simples, elípticas, verde-escuras e brilhantes, com nervuras marcadas e bordas muitas vezes levemente onduladas. 4 2
As flores são brancas, estreladas e perfumadas, com um cheiro que lembra jasmim. Surgem em cachos na axila das folhas e medem pouco mais de um centímetro de diâmetro. A floração é sazonal: no ambiente natural, é disparada por uma estação seca seguida de chuvas. 4 3
Depois vêm as drupas, as "cerejas" do café, que passam do verde ao amarelo e então ao vermelho intenso quando maduras. Cada fruto guarda em geral duas sementes: são elas que, beneficiadas e torradas, viram os grãos de café. 4 5
Taxonomia útil
Foi Lineu, em 1753, quem descreveu a espécie, sob o nome hoje aceito Coffea arabica L. O gênero Coffea pertence à grande família Rubiaceae, que reúne também a gardênia e a quina. 1
A genética separa o arábica dos outros cafeeiros: é uma espécie alotetraploide com 44 cromossomos (4 × 11), enquanto as demais espécies do gênero são em geral diploides, com 22 cromossomos (2 × 11). A análise molecular do genoma mostra que ele nasceu da hibridação natural de duas espécies diploides, Coffea canephora e Coffea eugenioides. 6 3
Essa origem pesa na lavoura. A sequência do genoma aponta um único evento de poliploidização na base da espécie, o que explica sua diversidade genética muito baixa, tanto nas populações selvagens quanto nas cultivadas. É um dos motivos da sensibilidade do arábica a doenças e da importância dos programas de melhoramento. 7
As confusões envolvem sobretudo as outras espécies cultivadas do gênero:
- Coffea canephora Pierre ex A.Froehner, o robusta, mais rico em cafeína;
- Coffea liberica W.Bull ex Hiern, de folhas e frutos maiores;
- Coffea eugenioides S.Moore, um dos parentais genéticos do arábica.
Na dúvida, vale o nome científico aceito: Coffea arabica. 1
Habitat e distribuição
Em sentido estrito, a espécie é nativa apenas das florestas de altitude do sudoeste da Etiópia e do leste do Sudão do Sul (planalto de Boma), num bioma tropical com estação seca bem marcada. Ali cresce no sub-bosque sombreado, em geral entre 1.200 e 2.000 m de altitude. Também aparece no monte Marsabit, no norte do Quênia, mas estudos recentes tendem a considerar essa presença naturalizada, e não realmente nativa. 1 2
Levada cedo ao Iêmen, onde seu cultivo é documentado desde o século XII, a espécie chegou à Ásia e depois às Américas, e hoje é cultivada em toda a zona intertropical. Brasil e Colômbia são os principais produtores, mas o cafeeiro não é nativo desses países: sua área de origem e sua imensa área de cultivo são coisas distintas. 3 5
A distinção tem consequências práticas. Mesmo com uma população selvagem estimada em vários bilhões de indivíduos, o arábica é classificado como espécie em perigo na Lista Vermelha da IUCN quando se considera a mudança climática. A modelagem das populações nativas etíopes prevê um declínio severo: conforme o cenário, o número de indivíduos pode cair 50 a 80% e a área favorável encolher algo como 40 a 50% até o fim do século, o que ameaça diretamente o reservatório genético da espécie. 8 9
Ciclo e reprodução
Semente fresca é o caminho: semeada em substrato úmido e quente, germina em um a três meses. Como perde rápido o poder germinativo, convém semear logo. 10 11
Em cultivo, o cafeeiro dá as primeiras flores por volta de 3 a 4 anos e alcança a plena produção de sementes por volta de 6 a 8 anos. Um pé pode então seguir economicamente produtivo por várias décadas. Floração e frutificação dependem muito de calor, luz e boa umidade. 5 11
A temperatura ideal fica em torno de 15 a 24 °C. O cafeeiro é sensível à geada e perde as folhas quando a temperatura cai demais. Onde a geada é rara, como em boa parte do Brasil, ele pode crescer ao ar livre em local protegido; em regiões de inverno frio, fica melhor dentro de casa ou numa varanda fechada e aquecida. 10 5
Usos e riscos
Nenhum outro uso se compara ao econômico: as sementes torradas dão o café arábica. As folhas também podem ser usadas em infusão e contêm cafeína; a espécie tem ainda usos tradicionais como estimulante do sistema nervoso central. 11 2
Entre os apreciadores, o arábica costuma levar vantagem sobre o rival robusta (Coffea canephora), mais fácil de cultivar e mais produtivo. A diferença aparece na xícara: cerca de 100 mg de cafeína numa xícara de arábica, contra perto de 250 mg no robusta, que hoje garante uma parte importante da produção mundial e entra com frequência nos blends. 3
Como ornamental, o cafeeiro agrada pela folhagem brilhante e pelas flores perfumadas, em interiores bem iluminados ou varandas. No ambiente de origem, sua ecologia de sub-bosque inspirou o café sombreado, em que árvores mais altas fazem sombra sobre a lavoura. 5 4
Quanto aos riscos, a planta em si é pouco tóxica, mas as sementes e a borra de café contêm cafeína e outras metilxantinas. A ASPCA lembra que essas substâncias podem provocar em animais vômitos, agitação, sede excessiva, ritmo cardíaco anormal, tremores e até convulsões. Com cães, gatos e cavalos, portanto, é preciso cuidado, sobretudo com sementes e borra ao alcance. 12
Variedades, confusões e plantas próximas
Do arábica saíram muitas linhagens cultivadas. Typica é a linhagem histórica de referência; Bourbon é uma mutação dela muito difundida, conhecida pela qualidade da bebida. No cultivo em vaso, encontra-se uma forma anã etiquetada Nana, cujo status exato de cultivar merece conferência junto ao vendedor. 10
As trocas mais comuns não envolvem outra família, e sim o próprio gênero Coffea: o robusta (Coffea canephora), mais rico em cafeína, e o libérica (Coffea liberica), de órgãos maiores. Na compra de uma planta ornamental, o nome científico e as folhas opostas e lustrosas continuam sendo os sinais mais confiáveis. 1 4
Principais fontes
- Plants of the World Online / Kew, Coffea arabica L.
- Royal Horticultural Society, Coffea arabica, Arabian coffee
- Missouri Botanical Garden Plant Finder, Coffea arabica
- NC State Extension Gardener Plant Toolbox, Coffea arabica
- Plants For A Future, Coffea arabica
- Wikipedia (EN), Coffea arabica
- Wikipédia (FR), Caféier d'Arabie
- ASPCA, People Foods to Avoid Feeding Your Pets (cafeína e metilxantinas)
- Royal Botanic Gardens Kew, espécies de café selvagem ameaçadas de extinção
- Lashermes et al. 1999, Molecular characterisation and origin of the Coffea arabica L. genome (Molecular and General Genetics)
- Scalabrin et al. 2020, A single polyploidization event at the origin of the tetraploid genome of Coffea arabica (Scientific Reports)
- Davis et al. 2012, The Impact of Climate Change on Indigenous Arabica Coffee (PLoS ONE)
Perguntas frequentes
O Coffea arabica produz mesmo o café que bebemos?
Sim. Coffea arabica fornece cerca de 60% do café mundial. Seus frutos vermelhos guardam duas sementes, que viram os grãos de café depois do beneficiamento, da torra e da moagem.
Coffea arabica é tóxico para animais?
A planta é pouco tóxica, mas as sementes e a borra contêm cafeína e outras metilxantinas. A ASPCA informa que essas substâncias podem causar vômitos, agitação e distúrbios cardíacos em cães e gatos.
Quanto tempo um pé de café leva para florescer?
Em cultivo, a primeira floração costuma ocorrer por volta de 3 a 4 anos. A plena produção de sementes vem mais perto de 6 a 8 anos, com boa luz e calor.
Qual a diferença entre arábica e robusta?
O robusta é Coffea canephora, uma espécie distinta. O arábica é alotetraploide e tem cerca de metade da cafeína, o que costuma deixá-lo mais suave na xícara.
Dá para cultivar café dentro de casa?
Sim, em ambiente claro e quente, protegido do sol direto. Ele precisa de pelo menos 13 °C, umidade de no mínimo 50% e substrato bem drenado. A floração é possível, mas menos regular que em clima tropical.
De onde vem de verdade o café arábica?
Apesar do nome, ele é nativo das florestas de altitude da Etiópia, do Sudão do Sul e do norte do Quênia. O Iêmen e a Arábia tiveram papel de difusão, não de origem botânica.
O café selvagem está ameaçado?
Sim. Kew classificou o arábica selvagem como espécie em perigo na Lista Vermelha da IUCN ao levar em conta as mudanças climáticas, já que sua população natural pode cair muito até o fim do século.
Plantas semelhantes
Dados botânicos compilados de fontes de referência (RHS, Kew Gardens, POWO). O conteúdo desta ficha é informativo e não substitui a orientação de um botânico ou veterinário em caso de dúvida sobre toxicidade.



