Tiririca (Cyperus rotundus, L. 1753)

A Tiririca (Cyperus rotundus) é uma herbácea perene da família Cyperaceae, nativa da África, do sul da Europa e do sul da Ásia, hoje presente em quase todos os continentes. Seu caule triangular e a rede subterrânea de tubérculos em cadeia fazem dela uma das plantas daninhas mais difíceis de eliminar.

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Nome científicoCyperus rotundus
GêneroCyperus
OrdemPoales

Tiririca, Junça-aromática, Junça-de-conta, Juncinha, Purple nutsedge e Nutgrass

Identidade
Toxicidade
Não tóxico : humanos, incluindo crianças · A verificar : gatos, cães, cavalos e animais
Nível de cuidados
Alto
Tipo de planta
Herbácea perene · Erva daninha invasora
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
ÍndiaEgitoEspanha
Habitat
Solos perturbados, cultivos irrigados e capinados, bordas de campos e estradas, areias costeiras e solos pesados
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Colheita
VerãoOutono
Crescimento
Dormência
Dormente no inverno
Velocidade de crescimento
9/10
Tempo de maturação
Pode formar uma rede completa de tubérculos em uma estação de crescimento
Propagação
Divisão, Semeadura
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
Pouco dispersa pelo vento; propagação sobretudo pelo solo
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Sim
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo arenoso, Solo rico, Solo perturbado
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Sol pleno, tolera sombra leve
Área externa
À beira da estrada, Margem de campo, Terreno urbano abandonado
Aparência
Altura10–140 cmLargura30–200 cm
Folhas
Verde
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — folhas 1
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — folhas 2
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — folhas 3
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — folhas 4
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — folhas 5
Flores
RoxoMarrom
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — flores 1
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — flores 2
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — flores 3
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — flores 4
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — flores 5
Frutos
Marrom
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — frutos 1
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — frutos 2
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — frutos 3
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — frutos 4
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — frutos 5
Porte
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — porte 1
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — porte 2
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — porte 3
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — porte 4
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — porte 5
Casca
Verde
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — casca 1
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — casca 2
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — casca 3
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — casca 4
Tiririca (Cyperus rotundus): origem e usos — casca 5

Distribuição global

A área nativa de Cyperus rotundus abrange a África, o sul e o centro da Europa e o sul da Ásia, em regiões tropicais e subtropicais do Velho Mundo. Introduzida depois em todos os continentes habitados, ocorre hoje em mais de 90 países e é tratada como uma importante planta daninha, e não como ornamental.

  • Nativo3
  • Introduzido1
  • Invasivo5
  • Índia
  • Egito
  • Espanha
  • Reunião
  • Estados Unidos
  • Austrália
  • China
  • África do Sul
  • França continental

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

A Tiririca (Cyperus rotundus L., 1753) é uma espécie aceita do gênero Cyperus, da família Cyperaceae. Em Reunião, também recebe os nomes locais oumine e zoumine. Lineu a descreveu em 1753 com esse mesmo binômio, que continua sendo a referência estável apesar dos vários nomes populares usados em diferentes continentes. 1 9

Em inglês, purple nutsedge, nutgrass e coco-grass remetem aos tubérculos subterrâneos, comparados a pequenas nozes, embora botanicamente não sejam frutos secos. O epíteto latino rotundus, “redondo”, descreve a seção do caule e a forma do tubérculo, e não o porte geral da planta. 2 7

Sem uso ornamental reconhecido, a Tiririca deve ser identificada cedo. Um único tubérculo pode produzir, em uma estação, uma rede de várias centenas de tubérculos interligados. Depois disso, arrancar apenas a parte superficial já não basta para controlar essa planta daninha. 4

Reconhecimento

O caule ereto e triangular de Cyperus rotundus é típico das Cyperaceae. Mede 10 a 90 cm, podendo alcançar 140 cm nos exemplares mais desenvolvidos, uma diferença marcante em relação às gramíneas próximas, de caule arredondado. 4 7

Dispostas em três fileiras na base do caule, as folhas são estreitas como as de gramíneas, brilhantes e verde-escuras. A inflorescência forma uma umbela terminal irregular com espiguetas achatadas, púrpuras a castanho-avermelhadas, de 1 a 2 cm, cujas flores bissexuadas apresentam três estames. 4 8

Debaixo da terra, rizomas interligados em cadeia carregam tubérculos marrons, inicialmente brancos e tenros, que se tornam fibrosos e amargos ao envelhecer. Essa rede subterrânea, mais que a parte aérea, distingue a espécie de um simples gramado denso e mal cuidado. 7

Taxonomia e nomes

O binômio Cyperus rotundus L. é aceito pelo Plants of the World Online e corresponde ao número taxonômico 39900 do ITIS. A espécie pertence à ordem Poales e à subfamília Cyperoideae, ao lado do gênero próximo Carex. 1 2

Na França continental e em Reunião, o Inventaire national du patrimoine naturel registra souchet rond como nome popular de referência, junto dos nomes crioulos de Reunião oumine e zoumine. Esses nomes dizem respeito ao uso nesses territórios. 9

O código CYRO identifica a espécie no USDA PLANTS, usado, entre outras funções, no acompanhamento de plantas daninhas na América do Norte. Já o GBIF associa o nome aceito à chave taxonômica 2714818, reunindo registros de ocorrência de diferentes partes do mundo. 3 6

Habitat e distribuição

A distribuição nativa da Tiririca abrange a África, o sul e o centro da Europa e o sul da Ásia, nas regiões tropicais e subtropicais do Velho Mundo. 1 7

Após introduções em todos os continentes habitados, a espécie passou a ocorrer em mais de 90 países. Essa amplitude a coloca entre as plantas daninhas mais problemáticas do mundo. 4

Terrenos perturbados favorecem sua instalação, sobretudo bordas de lavouras, obras, margens de estradas e cultivos irrigados e capinados, como algodão, milho, arroz e cana-de-açúcar. A planta tolera tanto areias litorâneas quanto solos pesados, desde que o terreno continue revolvido ou temporariamente úmido. 5

Em território francês, ocorre como planta daninha agrícola na parte continental e possui nomes crioulos próprios em Reunião, sinal de uma instalação antiga em ambos os territórios. 9

Ciclo e reprodução

A propagação da Tiririca ocorre quase exclusivamente por via vegetativa. Em uma única estação de crescimento, um tubérculo pode gerar várias centenas de outros, conectados por rizomas ramificados. 4 7

Embora a floração produza pequenas sementes, sua contribuição à dispersão é reduzida diante da reserva de tubérculos. Eles permanecem viáveis por vários anos no solo, mesmo após uma remoção aparentemente completa. 5

Há também um efeito alelopático em Cyperus rotundus: suas raízes liberam compostos que inibem a germinação e o crescimento de espécies vizinhas, reforçando seu domínio em uma área colonizada. 7

A brotação dos tubérculos depende bastante da temperatura do solo. O crescimento diminui nitidamente abaixo de 5 °C e acelera com a volta do calor, explicando a retomada vigorosa no começo do verão em regiões temperadas. 8

Usos e toxicidade

Não há toxicidade documentada para Cyperus rotundus em humanos ou animais domésticos. Os tubérculos crus são amargos e adstringentes; cozinhar, torrar ou triturar reduz bastante esse amargor antes do consumo. 5

Consumidos como alimento em períodos de escassez desde o Mesolítico, os tubérculos também deixaram vestígios no cálculo dentário de populações sudanesas anteriores a 6700 a.C.. A baixa frequência de cáries encontrada talvez esteja ligada a uma ação inibidora sobre as bactérias que as causam. 7

Na medicina tradicional chinesa, a espécie é descrita como reguladora do qi digestivo. No Ayurveda, aparece no Charaka Samhita, por volta de 100 d.C., para febres e problemas digestivos. Na Antiguidade, Teofrasto, Plínio e Dioscórides também a empregavam como perfume. 7

A rotundona, composto também presente na pimenta-do-reino, confere uma nota picante a certos tubérculos. A mesma substância responde pelo aroma apimentado de alguns vinhos Shiraz australianos. 7

Planta daninha mundial e confusões

Mais de 50 culturas diferentes sofrem infestação por Cyperus rotundus. A espécie resiste à maioria dos herbicidas e à cobertura plástica convencional, que seus brotos conseguem perfurar. 7 4

Em cultivos sensíveis, como a cana-de-açúcar, as perdas de produtividade documentadas podem chegar a 75% sem controle contínuo. Esse impacto explica a atenção dos serviços fitossanitários à espécie. 8

A semelhança mais frequente envolve Cyperus esculentus, cujas espiguetas amarelas e tubérculos de sabor mais suave permitem diferenciá-lo da Tiririca. Também podem gerar confusão Cyperus longus, com folhas que envolvem mais o caule, e Cyperus serotinus, com espigas dispostas em escada. 7

Fora dos usos agrícolas documentados, existe um papel ecológico pontual: seus tubérculos alimentam grous migratórios em algumas zonas úmidas. Esse interesse permanece limitado diante do impacto sobre as lavouras. 7

Fontes principais

Perguntas frequentes

A Tiririca é tóxica?

Não há toxicidade documentada para Cyperus rotundus em humanos ou animais domésticos. Os tubérculos crus são amargos e adstringentes, características atenuadas ao torrar ou triturar.

Por que é tão difícil eliminar a Tiririca?

Um tubérculo pode gerar uma rede de várias centenas de tubérculos em uma estação. Arrancar superficialmente costuma fragmentar os rizomas e multiplicar as brotações, em vez de eliminá-las.

Como reconhecer Cyperus rotundus?

O caule ereto e triangular, as folhas estreitas em três fileiras e a umbela de espiguetas púrpura-acastanhadas diferenciam a espécie de um simples gramado denso e mal cuidado.

Os tubérculos são comestíveis?

Os tubérculos podem ser consumidos após torrar ou triturar, processos que atenuam o amargor. Foram usados como alimento em períodos de escassez e ainda aparecem em preparações tradicionais.

Com qual planta a Tiririca pode ser confundida?

A confusão mais frequente envolve Cyperus esculentus, de espiguetas amarelas e tubérculos de sabor mais suave.

De onde vem a Tiririca?

Sua área nativa abrange a África, o sul e o centro da Europa e o sul da Ásia. Depois foi introduzida em todos os continentes habitados e hoje ocorre em mais de 90 países.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.