coentro-do-mato (Parthenium hysterophorus, )
coentro-do-mato (Parthenium hysterophorus) é uma Asteraceae anual nativa das regiões tropicais e subtropicais da América, hoje estabelecida em vários continentes. A espécie exige reconhecimento e prevenção: o contato e o pólen causam alergias, e ela integra a lista de espécies exóticas invasoras de preocupação para a União Europeia.
Ler maiscoentro-do-mato, Santa Maria feverfew, Famine weed e Congress grass
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Distribuição global
A área nativa de Parthenium hysterophorus abrange as regiões tropicais e subtropicais da América, do México ao Caribe e à América do Sul tropical. A espécie foi introduzida acidentalmente na Ásia, na África e na Oceania, onde é considerada uma importante planta invasora. Nos territórios franceses, ocorre principalmente em Reunião e Mayotte.
- Nativo3
- Introduzido1
- Invasivo7
- México
- Cuba
- Argentina
- Israel
- Índia
- Austrália
- Etiópia
- África do Sul
- China
- Reunião
- Mayotte
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
coentro-do-mato (Parthenium hysterophorus L., 1753) é uma espécie aceita de Parthenium, da família Asteraceae. Lineu fixou o nome em 1753; o binômio latino continua sendo a referência estável diante da grande variedade de nomes comuns. No campo, o caule ereto de 0,5 a 2 m e as folhas finamente recortadas distinguem a planta de uma camomila silvestre. A semelhança termina aí, pois o risco de reações na pele é muito diferente. 1 2
Na França, o Inventaire national du patrimoine naturel registra os nomes franceses parthénium matricaire e absinthe marron. Em inglês, Santa Maria feverfew, whitetop weed e Famine weed designam a mesma planta. Na Índia, Congress grass remete à introdução acidental em importações de trigo americano nos anos 1950. 3 9
Sem finalidade horticultural, Parthenium hysterophorus deve ser reconhecida e controlada antes da floração, pelo risco que apresenta, como outras espécies já regulamentadas na França e na União Europeia. O coentro-do-mato também figura entre as cem espécies mais invasoras do mundo listadas pela UICN, ao lado de plantas cujos impactos documentados atingem agricultura, pecuária e saúde pública em vários continentes. 7
Reconhecimento
Com caule ereto e muitas ramificações, Parthenium hysterophorus é uma erva anual que costuma atingir 0,5 a 1,5 m, podendo ultrapassar 2 m em condições favoráveis. O caule é anguloso, piloso e às vezes lenhoso na base dos exemplares mais velhos. 5 9
Quando jovem, forma uma roseta de folhas simples verde-escuras rente ao chão. Na fase adulta, as folhas são muito recortadas, alternas e cobertas por pelos finos. As inferiores medem 5 a 20 cm, diminuindo gradualmente em direção ao topo do caule. 5
Flores brancas a creme têm apenas 4 mm de diâmetro e se agrupam em conjuntos terminais pouco densos. Cada capítulo produz minúsculos aquênios pretos em forma de cunha, com cerca de 2 mm de comprimento e duas escamas membranosas brancas na ponta. A raiz pivotante profunda ajuda a explicar a boa tolerância à seca. 5
Taxonomia e nomes
Para identificar a espécie, a referência é Parthenium hysterophorus L. Plants of the World Online reúne várias variedades nesse mesmo táxon, entre elas Parthenium hysterophorus var. lyratum A.Gray, sem reconhecê-las como espécies separadas. 1
A diversidade de nomes franceses e ingleses, como parthénium matricaire, absinthe marron, fausse camomille, congress grass e famine weed, pode confundir a identificação em campo. Todos designam o mesmo binômio. Parthenium hysterophorus permanece a referência confiável para comunicar uma ocorrência ou pesquisar a espécie. 2 4
O código PTNHY identifica essa espécie nos registros fitossanitários da EPPO. Ele complementa o nome científico, sem substituí-lo na identificação botânica. 6
Habitat e distribuição
Das áreas tropicais e subtropicais americanas vem Parthenium hysterophorus: sua distribuição nativa se estende do México ao Caribe e à América do Sul tropical. 1 4
Após introduções acidentais no século XX, a espécie se espalhou pela Índia, Austrália, grande parte da África Oriental e austral, além da Ásia, onde avança para leste. Nos territórios franceses, encontra-se amplamente naturalizada em Reunião e Mayotte e ocorre nas Antilhas Francesas. 6 7
O coentro-do-mato coloniza sobretudo solos perturbados: margens de estradas, terrenos baldios, obras, áreas com pastoreio excessivo e lavouras. Na Austrália, prefere os solos argilosos férteis e alcalinos das terras altas de Queensland, em especial onde a chuva de verão supera 500 mm. Abaixo desse limite, sua instalação é mais restrita. 5
Na região abrangida pela EPPO, a ocorrência permanece pontual, com uma única população relatada em Israel. A espécie é tratada ali como invasora emergente e monitorada porque o clima mediterrâneo é considerado favorável à sua instalação. 6
Ciclo, alelopatia e reprodução
Anual e às vezes efêmero, o ciclo de Parthenium hysterophorus pode incluir germinação, floração e frutificação em apenas quatro semanas sob estresse hídrico. Uma planta adulta produz em média 15.000 sementes, chegando a 25.000 ou até 100.000 nos exemplares mais vigorosos. 7 5
Seus aquênios formam um banco persistente de sementes no solo, viável por vários anos. Essa reserva dificulta a erradicação por uma intervenção isolada. 5
A forte alelopatia também caracteriza a espécie: ela libera partenina e substâncias relacionadas que inibem a germinação e o crescimento das raízes de plantas vizinhas, além de afetar bactérias fixadoras de nitrogênio associadas a leguminosas. Em cultivos de sorgo sem controle da invasora, perdas documentadas de produtividade chegam a 40 a 97 %. 9
Toxicidade e saúde humana
Na exposição a Parthenium hysterophorus, o principal risco envolve pele e vias respiratórias. As lactonas sesquiterpênicas da planta, sobretudo a partenina, provocam dermatite de contato por partículas transportadas pelo ar, afetando preferencialmente rosto, pálpebras e dobras da pele. 10
As manifestações clínicas incluem eczema, dermatite actínica crônica e reações de fotossensibilidade. Nas pessoas mais expostas, podem ocorrer também asma, rinite alérgica e falta de ar. 10
Para o gado, a ingestão da planta fresca ou seca na forragem causa úlceras na boca, salivação excessiva e perda de apetite. Uma dieta com 10 a 50 % de coentro-do-mato pode ser fatal para bovinos, com risco maior nos animais jovens. 5
Regulamentação, controle e confusões
Incluída desde 2016 na lista de espécies exóticas invasoras de preocupação para a União Europeia, Parthenium hysterophorus tem importação, manutenção, transporte, venda e introdução intencional no ambiente proibidos em todo o território da União, inclusive na França. Esse enquadramento refere-se à União Europeia. 8
Em território australiano, a espécie está entre as vinte plantas daninhas de importância nacional. O controle biológico usa cerca de dez agentes introduzidos, entre eles o gorgulho das sementes Smicronyx lutulentus e o gorgulho dos caules Listronotus setosipennis. 5
Na Índia, o besouro mexicano Zygogramma bicolorata, introduzido como desfolhador, permitiu reduções locais de densidade superiores a 80 % em alguns ensaios recentes. Sozinho, porém, não elimina a planta nem seu banco de sementes. 9
Folhas muito recortadas e pequenas flores brancas podem lembrar camomilas silvestres ou matricárias. Essa semelhança explica os nomes franceses fausse camomille e absinthe marron. A verificação do nome científico evita confusões, sobretudo antes de qualquer contato manual. 4 2
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Parthenium hysterophorus L.
- ITIS, Parthenium hysterophorus L., TSN 38164
- INPN / MNHN, Parthenium hysterophorus L., 1753
- USDA PLANTS Database, Parthenium hysterophorus plant profile
- Weeds Australia, Parthenium weed profile
- EPPO Global Database, Parthenium hysterophorus in the EPPO region
- IUCN Global Invasive Species Database, Parthenium hysterophorus full account
- EUR-Lex, Commission Implementing Regulation (EU) 2016/1141
- PMC, Effects and Management of Parthenium hysterophorus, a Weed of Global Significance
- Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology, Parthenium dermatitis in India
Perguntas frequentes
coentro-do-mato é tóxico?
O principal risco é cutâneo e respiratório. O contato com a planta provoca dermatite alérgica em humanos, e a ingestão pode ser fatal para bovinos acima de determinadas quantidades.
Por que a planta é chamada de congress grass na Índia?
A planta teria chegado acidentalmente em importações de trigo americano nos anos 1950, durante um governo dirigido pelo partido do Congresso. Daí veio o apelido que permaneceu no uso cotidiano.
Como reconhecer coentro-do-mato?
É uma erva anual ereta, com folhas muito recortadas e pilosas, pequenas flores brancas a creme de apenas 4 mm e agrupamentos terminais pouco densos.
É possível confundir a planta com camomila?
As folhas recortadas e as pequenas flores brancas lembram camomila, o que explica nomes franceses que aludem a essa semelhança. Porém, os riscos de contato com a pele e o enquadramento legal são muito diferentes dos de uma camomila comum.
O que diz a regulamentação europeia?
Desde 2016, Parthenium hysterophorus integra a lista de espécies exóticas invasoras de preocupação para a União Europeia. Sua importação, manutenção e comercialização são proibidas em todo o território da União, inclusive na França.
Como se controla essa planta invasora?
O controle combina métodos mecânicos antes da floração e agentes biológicos, como o besouro Zygogramma bicolorata. Nenhum agente, isoladamente, elimina o banco de sementes.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.







