Erva-pessegueira (Persicaria lapathifolia, )
Erva-pessegueira (Persicaria lapathifolia (L.) Delarbre, 1800) é uma herbácea da família Polygonaceae, com área nativa quase cosmopolita, do Hemisfério Norte temperado ao norte e ao leste da Austrália. O caule de nós engrossados sustenta folhas lanceoladas pontuadas por glândulas e espigas florais estreitas e pendentes. Comum em margens, valas e lavouras úmidas, costuma ser confundida com Persicaria maculosa e Persicaria hydropiper.
Ler maisErva-pessegueira, Pale persicaria, Willow weed e Dock-leaved smartweed
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Taken Jan 1, 1970 by Photoflora - L'Abbé COSTE (©)
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Taken Sep 15, 2011 by Tela Botanica − Bertrand BUI (cc-by-sa)
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Distribuição global
A área nativa de Persicaria lapathifolia abrange todo o Hemisfério Norte temperado e subártico, da América do Norte à Europa e à Ásia, com extensões ao norte da África, à Etiópia e ao norte e ao leste da Austrália. Não é nativa da América do Sul nem da África austral. Naturalizou-se localmente além dessa área, por exemplo na Austrália Ocidental.
- Nativo6
- Introduzido1
- França metropolitana
- Europa
- América do Norte
- Ásia temperada
- Norte da África e Etiópia
- Norte e leste da Austrália
- Austrália Ocidental
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Erva-pessegueira (Persicaria lapathifolia (L.) Delarbre, 1800) é uma herbácea anual do gênero Persicaria, da família Polygonaceae. Em inglês, também recebe os nomes Pale persicaria, Willow weed e Dock-leaved smartweed. O Plants of the World Online aceita a combinação estabelecida por Delarbre em 1800, a partir do basiônimo Polygonum lapathifolium, publicado por Lineu em 1753. 1 2
O epíteto lapathifolia significa “com folhas de labaça”, em referência à semelhança com a folhagem de Rumex. Os nós engrossados do caule, que também explicam o nome francês renouée, caracterizam o gênero Persicaria e os Polygonum próximos. 3
Reconhecimento
Na erva-pessegueira, o caule ereto ou ascendente costuma ser avermelhado e tem nós nitidamente engrossados. A altura varia bastante com o clima: 20 a 80 cm na França e na Europa temperada, mas até 1,80 m, ou mesmo 2 m, em margens tropicais bem irrigadas do norte da Austrália. 5 6
Cada nó é envolvido por uma ócrea tubular, a estípula característica das Polygonaceae. Em Persicaria lapathifolia, essa bainha não apresenta franja de cílios na borda superior, enquanto a de Persicaria maculosa é claramente ciliada. Observado com lupa, esse detalhe é mais confiável que a cor do caule ou o tamanho da folha para separar as duas plantas. 7 4
Com 4 a 22 cm de comprimento, as folhas alternas e lanceoladas frequentemente mostram glândulas sésseis pontuais na face inferior, visíveis com lupa e ausentes em Persicaria maculosa. Algumas folhas têm uma mancha escura central, mas esse caráter é inconstante e nunca basta, sozinho, para confirmar a identificação. 6 4
Estreitas e densas, as espigas florais ficam pendentes ou nitidamente arqueadas na maturidade, ao contrário das espigas mais curtas e eretas de Persicaria maculosa. Cada flor minúscula, de 3 a 4 mm, possui quatro tépalas rosas, brancas ou verde-claras e cinco a seis estames com anteras avermelhadas. 4 7
Taxonomia útil
Para essa espécie, o Plants of the World Online mantém o nome Persicaria lapathifolia (L.) Delarbre, publicado em 1800 a partir de Polygonum lapathifolium L., de 1753. Trata-se de um complexo morfologicamente variável: quatro táxons infraespecíficos e sinônimos estão documentados, sem invalidar o nome aceito. 1
A relação dos táxons infraespecíficos e sinônimos mais documentados inclui:
- Persicaria lapathifolia subsp. brittingeri (Opiz) Soják, subespécie
- Persicaria lapathifolia subsp. pallida (With.) Á.Löve, subespécie
- Persicaria lapathifolia var. salicifolia (Sibth.) Miyabe, variedade
- Polygonum nodosum Pers., sinônimo
Algumas floras regionais ainda tratam o conjunto como um agregado, em vez de uma espécie homogênea, pela falta de caracteres estáveis para separar certas formas locais. O nome aceito pelo Plants of the World Online continua sendo a referência estável. 1 7
Habitat e distribuição
Todo o Hemisfério Norte temperado e subártico integra a área nativa de Persicaria lapathifolia, da América do Norte à Europa e à Ásia. Há extensões nativas ao norte da África, à Etiópia e ao norte e ao leste da Austrália. A espécie, porém, não é nativa da América do Sul nem da África austral. 1
O INPN registra a erva-pessegueira em lugares úmidos de toda a França metropolitana, inclusive na Córsega, onde ela é nativa. 2
Seu ambiente típico está ligado à água: margens de lagoas, valas, margens de rios, lavouras úmidas e solos revolvidos, em lama arenosa, escura ou argilosa. No norte da Austrália, instala-se sobretudo ao longo de cursos de água intermitentes e nas bordas de lagoas artificiais. Introduzida além da área nativa, chegou à Austrália Ocidental, onde hoje é considerada naturalizada. 5 6
Ciclo e reprodução
Na maior parte da área temperada, a erva-pessegueira se comporta como anual: germina na primavera, cresce depressa, floresce no verão e morre com as primeiras geadas. Em clima tropical úmido, pode persistir por mais tempo e ultrapassar 1,80 m, contra 20 a 80 cm em clima temperado, comportamento documentado no norte da Austrália. 6 1
Nas regiões temperadas do Norte, a floração vai de julho a outubro; sob clima tropical, pode ocorrer praticamente o ano todo. Cada espiga produz muitos aquênios plano-convexos ou biconvexos, castanhos e brilhantes, de 1,5 a 3,2 mm, que caem perto da planta-mãe ou são dispersos pela água nas cheias. 4 6
A umidade do solo determina fortemente a germinação. As sementes emergem em tapetes densos sobre a lama exposta após a baixa da água, explicando as populações muito numerosas observadas no fim do verão em margens que ficaram descobertas. 5
Usos e riscos
A erva-pessegueira é documentada principalmente como planta espontânea de lavouras úmidas e terrenos revolvidos, sem uso hortícola reconhecido. As bases de referência usuais não registram toxicidade para humanos ou animais domésticos comuns. 2 3
Ao contrário da parente Persicaria hydropiper, cujo gosto lembra pimenta, Persicaria lapathifolia não tem sabor picante marcado. Para a identificação de campo, esse contraste de sabor complementa os caracteres morfológicos. 4
Os glomérulos florais e os aquênios caídos nas margens participam da ecologia das áreas úmidas. Oferecem recursos de fim de estação aos insetos polinizadores e alimentam o estoque de sementes característico de solos periodicamente inundados. 5
Variedades, confusões e plantas próximas
A erva-pessegueira não possui cultivar hortícola reconhecido: é uma planta espontânea, sem seleção ornamental. 7
A confusão mais comum envolve Persicaria maculosa, reconhecível pela ócrea ciliada e pelas espigas mais curtas e eretas. Outras semelhantes são Persicaria hydropiper, de sabor picante e glândulas florais bem visíveis, e Persicaria pensylvanica, cuja inflorescência mais espessa tem cinco tépalas. 4 7
Outras Polygonaceae compartilham o ambiente úmido de Persicaria lapathifolia, especialmente Rumex obtusifolius e Rumex acetosa, com folhas também comparadas às de labaças, e a muito mais invasora Reynoutria japonica. Nenhuma delas, porém, tem a silhueta de espiga pendente da erva-pessegueira. 2
Para reconhecer Persicaria lapathifolia, observe os três sinais em conjunto: ócrea sem cílios, glândulas sésseis sob a folha e espiga floral nitidamente arqueada. Cílios na ócrea apontam, por sua vez, para Persicaria maculosa.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Persicaria lapathifolia (L.) Delarbre
- INPN / MNHN, Persicaria lapathifolia (L.) Delarbre, 1800
- Tela Botanica / eFlore bdtfx, Persicaria lapathifolia (L.) Delarbre
- Go Botany / Native Plant Trust, Persicaria lapathifolia - dock-leaved smartweed
- FloraBase / Western Australian Herbarium, Persicaria lapathifolia
- eFlora NT / Northern Territory Government, Persicaria lapathifolia
- Wilcox M., 2021, Registro de Persicaria maculosa e P. lapathifolia, British & Irish Botany
Perguntas frequentes
Erva-pessegueira é tóxica?
As bases de referência usuais não documentam toxicidade para humanos ou animais domésticos comuns, diferentemente do que ocorre com certas plantas ornamentais de interior.
Como diferenciar erva-pessegueira de Persicaria maculosa?
O sinal mais confiável é a ócrea que envolve os nós: não tem cílios em Persicaria lapathifolia, enquanto em Persicaria maculosa é nitidamente ciliada.
Erva-pessegueira tem sabor picante como Persicaria hydropiper?
Não. Enquanto a folha amassada de Persicaria hydropiper é claramente picante, Persicaria lapathifolia não tem sabor marcante.
Onde cresce a erva-pessegueira?
A espécie coloniza margens de lagoas, valas, margens de rios e lavouras úmidas, em lama arenosa, escura ou argilosa sujeita a alagamentos regulares.
De onde vem a erva-pessegueira?
Sua área nativa cobre quase todo o Hemisfério Norte temperado e subártico, estendendo-se ao norte da África, à Etiópia e ao norte e ao leste da Austrália.
Erva-pessegueira é invasora na França?
Não. Ali, é nativa e continua sendo uma planta espontânea comum de áreas úmidas, sem estatuto regulamentado, ao contrário de outras Polygonaceae, como Reynoutria japonica.
Existem subespécies de Persicaria lapathifolia?
Sim. As floras regionais reconhecem várias subespécies e variedades, incluindo Persicaria lapathifolia subsp. brittingeri e subsp. pallida, sem alterar o nome aceito.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.






