Kava (Piper methysticum, )
Piper methysticum é um arbusto ramificado da família Piperaceae, cultivado no Pacífico ocidental pela raiz usada em uma bebida tradicional de efeito relaxante. Conhecida como kava, é uma planta domesticada estéril, propagada apenas por estacas, cujo consumo regular está associado a risco hepático documentado em humanos.
Ler maisKava, Kava-kava, Cava, 'Awa, Yaqona e Sakau
Em geral, coloque sob luz indireta ou em um local sombreado.
Meia-sombra quando jovem; tolera mais sol após se estabelecer

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Wikimedia Commons · CC BY-SA or Public Domain
Distribuição global
Segundo o POWO, a área nativa de Piper methysticum vai das ilhas Santa Cruz, no arquipélago das Salomão, até Vanuatu. Depois, a planta foi domesticada e difundida por antigos navegadores pelo Pacífico ocidental, onde hoje é cultivada muito além de sua área de origem estrita.
- Nativo2
- Introduzido1
- Vanuatu
- Ilhas Santa Cruz (Ilhas Salomão)
- Havaí
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Piper methysticum (Piper methysticum G.Forst., 1786), conhecida como kava ou kava-kava, é um arbusto ramificado das Piperaceae cultivado pela raiz, que pode pesar até 7 kg na maturidade. Diferentemente de seu parente silvestre Piper wichmannii, quase nunca produz sementes viáveis: é uma planta domesticada estéril, multiplicada exclusivamente por estacas de caule, nunca por semeadura. 1 5
A palavra kava vem do tonganês e do marquesano, com o significado de amargo, em referência ao sabor da raiz preparada como bebida. O mesmo termo designa a planta e a bebida tradicional obtida da raiz, consumida no Pacífico ocidental por seus efeitos relaxantes. 1 7
Reconhecimento
Ramificações numerosas dão a Piper methysticum seu porte arbustivo, geralmente com 2 m, chegando a 4 m nos indivíduos mais vigorosos. Vários caules de 1 a 3 cm de diâmetro partem de um rizoma espesso e lenhoso. Raízes aéreas nodosas surgem nos nós dos caules, característica compartilhada com muitos outros Piper. 5 7
Grandes folhas alternas e cordiformes caracterizam a kava, como ocorre na maioria das espécies do gênero. A parte colhida é a raiz, dividida em duas zonas: raízes da coroa, em fragmentos largos comparados a fichas de madeira, e raízes laterais, mais finas e mais ricas em kavalactonas que as da coroa. 7
Floração e frutificação raras em cultivo distinguem a kava de muitos outros Piper. A ausência quase constante de flores e frutos é uma pista útil para confirmar a espécie em um exemplar já desenvolvido, em conjunto com o porte e as folhas. 5
Taxonomia útil
Publicado em 1786, Piper methysticum G.Forst. é o nome aceito da espécie na família Piperaceae. O WCVP também conserva Piper methysticum L.f. 1782 como nome inválido, distinto do nome válido de Forster. A autoria e a data permitem separar essas duas publicações. 1
Muito próxima de Piper wichmannii C.DC., considerada seu ancestral silvestre, a espécie cultivada permanece separada dela no POWO. Trabalhos de química analítica documentaram uma relação de coespecificidade entre os dois táxons, o que explica a presença de Piper methysticum var. wichmannii como sinônimo sob Piper wichmannii, e não sob a kava cultivada. 2 6
Essa proximidade pode confundir a identificação em campo. Uma planta silvestre parecida pode ser Piper wichmannii, fértil e quimicamente diferente, em vez de corresponder à kava cultivada propriamente dita. 2
Habitat e distribuição
Das ilhas Santa Cruz, no arquipélago das Salomão, até Vanuatu, situa-se a área nativa indicada pelo POWO. É um território restrito para uma espécie hoje cultivada em todo o Pacífico ocidental. A distribuição atual do cultivo é, portanto, muito mais ampla que a origem estrita. 1
Após a domesticação, antigos navegadores difundiram a kava pelo Pacífico ocidental. Havaí, Estados Federados da Micronésia, Fiji, Samoa e Tonga estão entre os lugares onde seu cultivo continua bem estabelecido. 7
Ambientes úmidos, frequentemente próximos a cursos de água, abrigam Piper methysticum do nível do mar até 800 m de altitude. A planta cresce em solo pedregoso e drenante. Exemplares jovens procuram sombra; depois de estabelecidos, toleram mais sol, sem precisar dele para se desenvolver. 5
Ciclo e reprodução
Na kava cultivada, a esterilidade torna a estaquia de caule com nó a forma exclusiva de propagação. A reprodução por sementes permanece excepcional em cultivo, em contraste com Piper wichmannii, seu ancestral silvestre ainda fértil. A manutenção das plantas cultivadas depende, assim, da multiplicação vegetativa. 7 6
O tempo até a colheita varia bastante entre cultivares. Os nobres exigem até 5 anos para uma raiz plenamente aproveitável, enquanto os não nobres, ou tudei, levam cerca de 1 ano. Nos exemplares mais antigos, a raiz madura pode alcançar 7 kg. 7 5
Usos e riscos
Pilar ou ralar a raiz fresca ou seca é o primeiro passo do preparo tradicional. Ela é então misturada à água ou ao leite de coco, e o conjunto passa por um tecido para obter a bebida filtrada. A raiz é, portanto, a parte central desse uso tradicional. 5 4
Entre as 18 moléculas identificadas de kavalactonas, principais compostos ativos, seis representam cerca de 96% da atividade farmacológica: kavaína, di-hidrokavaína, metisticina, di-hidrometisticina, yangonina e desmetoxiyangonina. Elas se associam a relaxamento e dormência da boca. Ensaios clínicos estudaram doses de 105 a 210 mg por dia durante várias semanas; esses números descrevem os estudos. 7 4
Lesões no fígado constituem o risco mais documentado. A literatura médica registra 50 a 100 casos de lesão hepática clinicamente confirmada, com fadiga, náuseas e icterícia surgindo 2 a 24 semanas após o início do consumo; alguns casos foram graves ou fatais. Esse risco levou Alemanha, Suíça e Canadá a restringir ou proibir a venda de kava, antes de flexibilizar parcialmente essas medidas. O quadro regulatório depende do país. 4 3
Uso prolongado e intenso também se associa a uma dermatose reversível nas pernas. A alteração regride após a redução do consumo, conforme os relatos disponíveis. 3
Variedades, confusões e plantas próximas
Centenas de cultivares tradicionais de kava se dividem em duas grandes categorias químicas. Os nobres, como Melomelo, de Vanuatu, e Isa e Mahakea, do Havaí, têm perfil de kavalactonas considerado mais favorável que o dos tudei, com menos efeitos adversos relatados. 7 6
Cultivares tudei, ou não nobres, amadurecem em aproximadamente 1 ano, contra até 5 anos nos nobres. Em contrapartida, concentram mais flavokavaínas, compostos associados ao risco hepático documentado em humanos. A rapidez de maturação não elimina essa diferença química. 7 4
Duas espécies próximas merecem atenção nas confusões: Piper wichmannii, ancestral silvestre fértil, e Piper excelsum, a kawakawa da Nova Zelândia, sem propriedades psicoativas apesar do nome parecido. O amplo gênero Piper também inclui Piper nigrum, cultivada como pimenta-preta para uso culinário distinto do uso da kava. 7
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Piper methysticum G.Forst.
- Plants of the World Online / Kew, Piper wichmannii C.DC.
- National Center for Complementary and Integrative Health, Kava
- NCBI Bookshelf, Kava Kava (LiverTox clinical overview)
- Useful Tropical Plants Database, Piper methysticum
- Wang et al. 2013, Journal of Food Science and Technology, kavalactone content of Isa and Mahakea kava varieties
- Wikipedia, Kava
Perguntas frequentes
Piper methysticum é a mesma planta que a pimenta-preta?
Não. Piper methysticum e Piper nigrum pertencem ao gênero Piper, mas são espécies distintas, cultivadas para usos diferentes: a primeira pela raiz e a segunda pelo fruto seco.
Piper methysticum produz sementes?
Quase nunca em cultivo. Trata-se de uma planta domesticada estéril, propagada exclusivamente por estacas de caule com nó há gerações, ao contrário de seu ancestral silvestre Piper wichmannii, que permanece fértil.
Piper methysticum é tóxica?
Os dados disponíveis indicam ausência de toxicidade para gatos e cães. Em humanos, o consumo regular de preparações da raiz está associado a risco hepático documentado, às vezes grave.
Qual a diferença entre kava nobre e kava tudei?
Os cultivares nobres apresentam perfil de kavalactonas mais favorável e menos efeitos adversos. Os tudei, ou não nobres, amadurecem mais rápido, mas concentram mais flavokavaínas, associadas a risco hepático mais documentado.
De onde vem Piper methysticum?
Sua área nativa vai das ilhas Santa Cruz, no arquipélago das Salomão, até Vanuatu. Domesticada localmente há cerca de 3.000 anos, foi depois difundida pelo Pacífico por antigos navegadores.
A kava é legalizada?
O estatuto varia entre países. Vários restringiram ou proibiram sua venda pelo risco hepático documentado, antes de flexibilizar parcialmente algumas restrições. As regras aplicáveis dependem da jurisdição local.
Como reconhecer Piper methysticum na planta viva?
O arbusto ramificado com folhas grandes em coração, raízes aéreas nodosas e quase total ausência de flores ou frutos se distingue de outros Piper cultivados em jardins.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.


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