Silberdistel (Carlina acaulis, )
Carlina acaulis é uma herbácea perene e calcícola das Asteraceae, nativa de campos secos e pastagens montanhosas da Europa central e meridional. Seu capítulo prateado, muitas vezes séssil sobre uma roseta espinhosa, abre ao sol e fecha com a umidade. A raiz, rica em óxido de carlina, tem uso na medicina popular, enquanto os capítulos jovens são consumidos cozidos como pequenas alcachofras.
Ler maisSilberdistel e Stemless carline thistle
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Taken Aug 12, 2021 by Pietro Brignoli (cc-by-sa)
Taken Jul 29, 2021 by Alain Bigou (cc-by-sa)
© copyright of the Board of Trustees of the Royal Botanic Gardens, Kew.
Distribuição global
A área nativa de Carlina acaulis abrange montanhas da Europa central e meridional, da Espanha aos Cárpatos e, segundo o POWO, até o Cáucaso. Fora dessa área, a planta é sobretudo cultivada em jardins rochosos alpinos do norte da Europa, sem relato de comportamento invasor.
- Nativo7
- França
- Suíça
- Itália
- Espanha
- Áustria
- Alemanha
- Romênia
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Carlina acaulis (Carlina acaulis L., 1753) é uma herbácea perene do gênero Carlina, da família Asteraceae. Carl von Linné descreveu a espécie em 1753, sob o binômio ainda usado hoje. O epíteto latino acaulis significa “sem caule” e descreve o capítulo apoiado diretamente na roseta de folhas. 1 2
Uma lenda sobre Carlos Magno explica o nome do gênero. Em busca de um remédio contra a peste, o imperador teria sonhado com um anjo que lhe ordenava lançar uma flecha ao céu. A planta atingida teria se tornado o remédio, e sua raiz seria distribuída à população para conter a epidemia. 2
Reconhecimento
Espinhosa e profundamente recortada, a roseta de folhas mede cerca de 20 cm de diâmetro e permanece rente ao chão na subespécie típica. No centro, um único capítulo, séssil ou sustentado por caule curto conforme a subespécie, pode atingir 10 cm de diâmetro. 2 3
No campo, a cor do capítulo separa facilmente Carlina acaulis de Cirsium acaule, outro cardo anão dos campos secos: prateada na primeira, púrpura no segundo. Essa diferença permite distinguir as espécies sem examinar a folhagem.
Brácteas involucrais largas e prateadas, dispostas em estrela, envolvem um disco central de flores tubulosas castanho-amareladas. Elas parecem pétalas e tornam o capítulo visível de longe aos polinizadores. Essas brácteas são higroscópicas: fecham com a umidade ou à noite e reabrem ao sol, comportamento que originou o apelido europeu de barômetro do pastor. 2
Durante cerca de 4 meses, de junho a setembro em sua região europeia, ocorre a floração, variável conforme a altitude: populações das planícies florescem antes das montanhosas. Uma raiz pivotante grossa e profunda ancora a planta nos solos pedregosos e busca água em profundidade durante os verões secos. 3
Taxonomia útil
Duas subespécies de Carlina acaulis são aceitas pelo POWO/WCVP:
- Carlina acaulis subsp. acaulis, de capítulo séssil diretamente sobre a roseta
- Carlina acaulis subsp. caulescens (Lam.) Schübl. & G.Martens, de capítulo sustentado por caule curto, com 5 a 40 cm nessa subespécie
Na sinonímia botânica também aparecem nomes históricos, que não devem ser confundidos com a subespécie caulescens, a forma vendida nos viveiros:
- Carlina subacaulis DC., sinônimo histórico
- Carlina acaulis subsp. simplex (Waldst. & Kit.) Nyman, nome histórico de subespécie
- Carlina acaulis var. alpina Jacq., nome histórico de variedade
Como referência de identificação, vale o nome aceito Carlina acaulis L.: é a única espécie do gênero amplamente distribuída nos Alpes e maciços vizinhos. 1
Habitat e distribuição
Das montanhas da Espanha aos Cárpatos, chegando ao Cáucaso segundo o POWO, estende-se a área nativa dessa planta da Europa central e meridional. Carlina acaulis ocupa campos secos, pastagens calcárias e terrenos rochosos, desde as planícies até 2800 m de altitude. 1 2
Por ser estritamente calcícola, a espécie se estabelece mal e floresce menos em solo ácido ou rico demais. Na Suíça, ocorre nas diferentes faixas de altitude, do Jura aos Alpes centrais, com graus de proteção variáveis entre cantões. Na França, normas regionais, especialmente na Alsácia, regulamentam sua coleta. Essas regras dizem respeito aos territórios citados. 5 4
Em jardins alpinos do norte da Europa, sobretudo no Reino Unido, a planta é cultivada em terrenos rochosos fora de sua área nativa, sem relato de comportamento invasor. 2
Ciclo e reprodução
A germinação de Carlina acaulis ocorre na primavera, a partir de sementes dotadas de uma estrutura plumosa. A roseta cresce durante 3 anos ou mais antes da primeira floração, razão pela qual plantas jovens nos viveiros muitas vezes exibem apenas folhas, sem capítulo visível. 3
Depois de florescer entre o verão e o outono, o capítulo seco se fecha e retém por bastante tempo os aquênios com papilho, posteriormente dispersos pelo vento. O capítulo permanece quase intacto no inverno, o que explica seu uso tradicional como enfeite pendurado em portas de propriedades rurais. 2
Usos e riscos
Antes de abrirem completamente, os capítulos jovens são colhidos e cozidos como pequenas alcachofras. O receptáculo carnoso e a raiz também são comestíveis cozidos, prática associada ao apelido de “pão do caçador” nos Alpes. 3
Na raiz há um óleo essencial rico em óxido de carlina, composto antibacteriano usado há muito na medicina popular como diurético e remédio para resfriados. Isolado e concentrado, mostrou toxicidade em laboratório: um estudo mediu CL50 de 10 µg/mL em embriões de peixe-zebra, com malformações, além de morte celular em baixas doses em células humanas cultivadas. Os autores concluem que um extrato terapêutico de carlina deve ter o óxido de carlina removido antes do uso. 7
Para a planta inteira, não há dados indicando toxicidade para pessoas ou animais domésticos nas condições habituais de ingestão. A cautela documentada se refere aos extratos concentrados da raiz, distinta do consumo tradicional dos capítulos ou da raiz cozida. 7
Variedades, confusões e plantas próximas
Nos viveiros predomina a subespécie caulescens, conhecida no comércio europeu como carlina prateada ou weather thistle, e sua seleção 'Bronze'. Com brácteas bronzeadas e caule de até 40 cm, esta é apreciada em jardins rochosos e para secagem. A forma silvestre típica, subsp. acaulis, raramente é comercializada como tal. 6
Duas espécies costumam provocar dúvidas de identificação:
- Cirsium acaule também forma roseta baixa, mas suas flores são púrpuras, nunca prateadas;
- Carlina acanthifolia tem capítulo frequentemente maior e folhas mais robustas, ocorrendo sobretudo nos Bálcãs e Pireneus.
O capítulo prateado de Carlina acaulis é o sinal visual decisivo diante dessas duas espécies semelhantes. Esse contraste dispensa examinar a folhagem, que no campo pode parecer muito próxima entre as três.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Carlina acaulis L.
- Royal Horticultural Society, Carlina acaulis - cardo alpino, cardo de Carlos Magno
- Plants For A Future, Carlina acaulis
- INPN / MNHN, Carlina acaulis L., 1753
- Info Flora, Carlina acaulis L.
- Info Flora, Carlina acaulis subsp. caulescens
- PMC, Toxicidade do óxido de carlina de raízes de Carlina acaulis, estudo in vitro e in vivo
Perguntas frequentes
Carlina acaulis é tóxica?
Não há dados indicando toxicidade da planta inteira para pessoas ou animais domésticos em condições habituais de ingestão. Isolado e concentrado, o óxido de carlina da raiz foi tóxico em laboratório, uma distinção importante entre o uso tradicional e o extrato puro.
Por que o capítulo de Carlina acaulis se fecha?
As grandes brácteas prateadas são higroscópicas. Fecham com tempo úmido ou à noite para proteger o pólen e reabrem ao sol. Esse mecanismo deu origem ao apelido europeu de barômetro do pastor.
Posso colher Carlina acaulis na natureza?
A coleta é regulamentada em várias regiões, como a Alsácia, na França, e certos cantões suíços onde a espécie é protegida. Verifique as regras locais antes de retirar qualquer planta.
Qual é a diferença entre subsp. acaulis e subsp. caulescens?
A subespécie acaulis tem capítulo séssil diretamente sobre a roseta; subsp. caulescens desenvolve um caule curto que pode chegar a 40 cm. Esta última predomina no comércio horticultural.
Carlina acaulis é comestível?
Sim. Os capítulos jovens, colhidos antes da abertura completa, podem ser cozidos como pequenas alcachofras. O receptáculo carnoso e a raiz também são comestíveis cozidos.
Com quais plantas Carlina acaulis pode ser confundida?
A confusão mais frequente é com Cirsium acaule, outro cardo anão em roseta, mas de flores púrpuras, nunca prateadas. Carlina acanthifolia, maior e mais robusta, também pode causar confusão nos Bálcãs e Pireneus.
Por que Carlina acaulis cresce em solo pobre e calcário?
A espécie é estritamente calcícola, e a raiz pivotante profunda busca água nas camadas inferiores dos solos pedregosos. Solo rico ou úmido, ao contrário, favorece folhas pouco firmes e a podridão da roseta.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.








