Cardo-roxo (Cirsium vulgare, (Savi) Ten. 1836)

Cardo-roxo (Cirsium vulgare (Savi) Ten., 1836) é uma Asteraceae bienal nativa da Europa temperada, da Ásia ocidental e do noroeste africano, hoje naturalizada em quase todos os continentes. O caule ereto apresenta alas espinhosas contínuas e um capítulo solitário rosa-arroxeado. Uma única raiz pivotante carnosa ocupa o lugar do sistema de raízes rastejantes de Cirsium arvense.

Ler mais
Nome científicoCirsium vulgare
GêneroCirsium
OrdemAsterales

Cardo-roxo, Spear thistle e Bull thistle

Identidade
Toxicidade
Ingestão sem toxicidade conhecida; espinhos irritam pele e gado
Nível de cuidados
Alto
Tipo de planta
Bienal · Roseta
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Bienal
País de origem
FrançaReino UnidoEspanhaIrãRússia
Habitat
Pastagens, prados pastejados, terrenos abandonados, obras e caminhos em solo perturbado e sol pleno
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Crescimento
Dormência
Dormente no inverno
Velocidade de crescimento
7/10
Tempo de maturação
Roseta no ano 1; flores de maio a setembro no ano 2, no hemisfério norte; depois morre
Propagação
Semeadura
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
Caule alado robusto; boa sustentação após a roseta enraizar
Umidade
40–70 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Sim
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo perturbado, Solo bem drenado, Solo calcário, Solo pobre
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Sol pleno; sombra densa inibe muito o estabelecimento
Área externa
À beira da estrada, Prado, Área em pousio manejada, Margem de campo
Aparência
Altura30–250 cmLargura30–100 cm
Folhas
VerdeBranco
Flores
RoxoRosaTamanho2.5–5 cm
Frutos
MarromTamanho0.4–0.5 cm
Porte
Cardo-roxo (Cirsium vulgare): origem e usos — porte 1
Casca
Verde

Distribuição global

O WCVP situa a área nativa de Cirsium vulgare na Europa temperada até a Sibéria, na Ásia ocidental e no noroeste da África, incluindo a França metropolitana. Introduzida da Europa, é a planta daninha de pastagem mais disseminada na América do Norte, nociva na Austrália e invasora localizada na Nova Caledônia.

  • Nativo5
  • Introduzido3
  • Invasivo2
  • França metropolitana
  • Reino Unido
  • Espanha
  • Irã
  • Rússia
  • Estados Unidos
  • Canada
  • África do Sul
  • Austrália
  • Nova Caledônia

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

O Cardo-roxo (Cirsium vulgare (Savi) Ten., 1836) é uma planta bienal do gênero Cirsium, da família Asteraceae. O nome do gênero vem do grego kirsos, termo que designa uma variz. Raízes de várias espécies do grupo foram usadas durante muito tempo em decocções contra afecções venosas, prática antiga que explica a origem desse nome científico. 4 1

O epíteto vulgare significa simplesmente “comum” em latim. Em 1798, o naturalista italiano Gaetano Savi descreveu a planta como Carduus vulgaris em sua flora de Pisa. Michele Tenore a transferiu para Cirsium em 1836, estabelecendo a combinação hoje aceita por Plants of the World Online. Esses nomes registram etapas da classificação da mesma planta. 1

Os nomes ingleses spear thistle e bull thistle aludem, respectivamente, às folhas com ponta de lança e ao porte imponente entre os cardos britânicos. No campo, um detalhe o separa de seu parente Cirsium arvense: o caule do Cardo-roxo apresenta alas espinhosas contínuas, enquanto o da outra espécie permanece sem essas expansões ao longo de sua extensão. 3

Reconhecimento

Um porte de 30 cm a 2,5 m é registrado pelo INPN para o Cardo-roxo. A planta apresenta uma única raiz pivotante carnosa, que pode atingir 70 cm de profundidade. Ela não forma a rede de raízes horizontais rastejantes característica de Cirsium arvense, diferença importante para interpretar tanto seu ciclo quanto sua resposta ao manejo. 2 6

As folhas são verde-escuras e ásperas na face superior, brancas e lanosas na inferior, com lobos terminados em espinhos rígidos. As folhas basais podem ultrapassar 20 cm de comprimento. O caule ereto e ramificado recebe expansões espinhosas das folhas, formando alas ao longo de toda a altura. Essa característica distingue a espécie de Cirsium arvense de maneira especialmente clara. 5 3

O capítulo solitário no topo de cada caule mede 2,5 a 5 cm de diâmetro. De forma ovoide a globosa, é cercado por brácteas terminadas em espinho. As flores rosa-arroxeadas, raramente brancas, se abrem de maio a setembro nos registros do INPN, com pico em julho e agosto. Esses meses descrevem a fenologia registrada na referência europeia. 2 8

Taxonomia útil

A autoria de Cirsium vulgare (Savi) Ten., nome aceito por Plants of the World Online, registra uma mudança de gênero. Gaetano Savi descreveu primeiro a planta como Carduus vulgaris, em 1798; Michele Tenore a transferiu para Cirsium em 1836. O basônimo e a combinação posterior correspondem, portanto, à história nomenclatural da mesma espécie. 1

Alguns nomes aparecem em floras antigas e na sinonímia botânica, sendo úteis ao comparar identificações e registros:

  • Carduus vulgaris Savi, basônimo de 1798
  • Cirsium lanceolatum (L.) Scop., nome ilegítimo usado por muito tempo em floras europeias
  • Cirsium lanceolatum var. vulgare Nägeli ex W.D.J.Koch, nome histórico da sinonímia
  • Cirsium eriophorum subsp. vulgare Petr., combinação histórica da sinonímia
  • Cirsium vulgare subsp. crinitum (Boiss. ex DC.) Arènes, localizada no Mediterrâneo ocidental e central

Mais de 200 espécies integram o gênero Cirsium, e várias compartilham os ambientes ruderais do Cardo-roxo. A silhueta e a cor das flores podem variar entre populações, portanto não bastam sozinhas para uma identificação segura. Conferir o nome científico latino continua sendo mais confiável do que depender apenas da semelhança visual entre plantas encontradas no campo. 1

Habitat e distribuição

Da Europa temperada à Sibéria, a área nativa indicada pelo WCVP abrange também a Ásia ocidental e o noroeste da África, incluindo a França metropolitana. Na França, o INPN registra o Cardo-roxo em pastagens, prados, terrenos abandonados e bordas mesófilas. Esses ambientes se associam a comunidades nitrófilas, características de solos ricos em nitrogênio. 1 2

Introduções amplas levaram a espécie para fora dessa distribuição original. Na América do Norte, ela é hoje a planta daninha de pastagens mais disseminada. Também ocorre na África austral e na Austrália, onde é classificada como planta daninha nociva. A presença em cada território deve ser distinguida de sua condição de nativa em outras partes do mundo. 6 8

Na Nova Caledônia, o Cardo-roxo chegou acidentalmente em 1969, junto com forragem importada. Desde então, comporta-se como uma invasora localizada na costa oeste. Esse caso contrasta com sua condição de espécie nativa na França metropolitana e mostra por que uma mesma planta pode receber descrições ecológicas diferentes conforme o território e a história de introdução. 8

Ciclo e reprodução

O desenvolvimento bienal é estritamente monocárpico: a planta floresce uma vez e depois morre. A semente germina na primavera ou no outono, entre 10 e 30 °C, formando no primeiro ano uma roseta de folhas espinhosas sem caule floral. Enquanto a parte aérea permanece baixa, a raiz pivotante se estabelece em profundidade no solo. 6 4

Depois de passar o inverno em roseta, a planta emite na primavera seguinte um caule alado que pode ultrapassar 2 m e floresce de maio a setembro no contexto das referências. Um indivíduo pode formar de 1 a mais de 400 capítulos, cada um com 100 a 300 sementes ou mais. A viabilidade dessas sementes é de 60 a 90 %. 6

Cada aquênio possui um papilho plumoso que se desprende facilmente. Vento, água, lama e pelagem de animais participam da dispersão. Após a reprodução, a planta morre, ao contrário de Cirsium arvense, cujas raízes rastejantes permitem rebrotar e manter uma colônia perene de uma estação para outra. Essa diferença explica por que não se deve tratar os dois cardos como equivalentes. 6 5

Usos e riscos

PFAF registra usos alimentares históricos de partes do Cardo-roxo. A raiz pivotante descascada tem sabor comparado ao topinambur, e os caules florais jovens são cozidos como hortaliça. Os receptáculos podem ser preparados de modo semelhante a corações de alcachofra. Esses registros existem apesar de a espécie não ser objeto de cultivo alimentar intencional. 4

Não há toxicidade por ingestão documentada em seres humanos ou animais domésticos. O risco principal é mecânico: espinhos rígidos dos caules, folhas e brácteas irritam a boca e o focinho do gado, que evita a planta nas pastagens. O sobrepastoreio favorece sua proliferação porque elimina a vegetação concorrente e deixa solo perturbado onde novas rosetas podem se estabelecer. 5 7

O Cardo-roxo é uma importante fonte de néctar. Entre as plantas britânicas, ocupa o sexto lugar em produção de néctar e o terceiro em teor de açúcar por unidade floral. Suas sementes oleosas alimentam aves granívoras, como o pintassilgo, que também aproveita os papilhos dos aquênios para revestir o ninho. Esse valor ecológico convive com os problemas que a planta causa nas pastagens. 8

Controle e confusões

Em pastagens e prados manejados, roçar ou arrancar antes da abertura dos capítulos é a medida mais eficaz para impedir a dispersão das sementes pelo vento. A mosca dos capítulos Urophora stylata, utilizada como agente de controle biológico, pode reduzir a produção de sementes em até 60 %. O momento do manejo importa porque a floração já pode deixar sementes viáveis. 7

O Cardo (Cirsium arvense) é a confusão mais frequente. Seu caule é desprovido de alas espinhosas, e seus capítulos são pequenos e reunidos em corimbos; no Cardo-roxo, o caule apresenta alas espinhosas contínuas e o capítulo é solitário e maior. Cirsium eriophorum, de capítulos mais lanosos, e Onopordum acanthium, de folhagem prateada, também podem confundir no estágio de roseta. 3

O Cardo-roxo às vezes é apontado como a planta que deu origem ao cardo emblemático da Escócia. A tradição heráldica, porém, costuma atribuir esse papel a Onopordum acanthium. As duas espécies compartilham ambientes ruderais e uma silhueta espinhosa, semelhança que alimentou a lenda do soldado viking cuja presença teria sido revelada por uma picada durante a noite. 8

Fontes principais

Perguntas frequentes

O Cardo-roxo é tóxico para cães e gatos?

Não há toxicidade por ingestão documentada em cães, gatos ou humanos. O risco é mecânico: espinhos nos caules, folhas e brácteas irritam a pele, a boca e o focinho do gado.

Por que o Cardo-roxo invade pastagens com sobrepastoreio?

O gado evita a planta por causa dos espinhos. O sobrepastoreio elimina as gramíneas vizinhas e deixa solo perturbado, reduzindo a competição e criando condições ideais para a germinação.

O Cardo-roxo é mesmo o emblema da Escócia?

Isso é discutido. A tradição heráldica costuma apontar Onopordum acanthium, mas Cirsium vulgare compartilha o habitat ruderal e a silhueta espinhosa, o que favorece a confusão.

É possível comer o Cardo-roxo?

Sim, em parte. PFAF registra a raiz pivotante descascada, com sabor semelhante ao topinambur, os caules florais jovens cozidos e os receptáculos preparados como corações de alcachofra, embora a espécie não seja cultivada intencionalmente.

Como distinguir Cirsium vulgare de Cirsium arvense?

O caule de Cirsium vulgare tem alas espinhosas contínuas; o de Cirsium arvense não tem essas alas. O capítulo solitário e largo do Cardo-roxo contrasta com os pequenos capítulos em corimbos do Cardo.

Quando roçar o Cardo-roxo para eliminá-lo?

Antes da abertura dos capítulos, impedindo a dispersão dos aquênios pelo vento. Um corte depois do início da floração já pode deixar sementes viáveis.

O Cardo-roxo ajuda a biodiversidade?

Sim. Ocupa o sexto lugar entre as plantas britânicas na produção de néctar e alimenta muitas borboletas e abelhas. Suas sementes oleosas atraem aves granívoras, como o pintassilgo.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.