Paineira (Ceiba speciosa, )
Paineira (Ceiba speciosa) é uma árvore decídua da família Malvaceae, subfamília Bombacoideae, nativa de florestas tropicais e subtropicais sazonalmente secas da América do Sul. Destaca-se pelo tronco dilatado em forma de garrafa, coberto de grandes espinhos cônicos, e pela floração rosa vistosa no outono, muitas vezes quando já perdeu parte ou toda a folhagem.
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Distribuição global
A área nativa de Ceiba speciosa abrange florestas tropicais e subtropicais sazonalmente secas da América do Sul, do sudeste do Brasil ao sudeste do Peru, passando por Bolívia, Paraguai, Uruguai e nordeste da Argentina. Muito plantada como ornamental em climas quentes, aparece em avenidas sul-americanas e foi difundida pelo Mediterrâneo, Califórnia, Flórida, África do Sul e Austrália, sem naturalização documentada nessas regiões de introdução.
- Nativo6
- Introduzido3
- Brasil
- Bolívia
- Paraguai
- Uruguai
- Argentina
- Peru
- Espanha
- Estados Unidos
- Austrália
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Paineira (Ceiba speciosa (A.St.-Hil., A.Juss. & Cambess.) Ravenna, 1998) é uma árvore decídua da família Malvaceae, subfamília Bombacoideae, também chamada palo borracho em espanhol. Auguste de Saint-Hilaire, Adrien de Jussieu e Jacques Cambessèdes a descreveram em 1828 como Chorisia speciosa. Cento e setenta anos depois, em 1998, o botânico argentino Pío Ravenna transferiu a espécie para o gênero Ceiba. 2 1
A palavra taína que deu origem a Ceiba designava uma canoa, em referência ao uso tradicional da madeira macia na construção de embarcações. O epíteto latino speciosa, “magnífica”, alude às flores rosas, não à folhagem: muitas vezes as folhas já caíram quando as flores se abrem. 6
Reconhecimento
Um tronco em forma de garrafa, dilatado no terço inferior para armazenar água durante a seca e coberto por grandes espinhos cônicos, permite reconhecer Ceiba speciosa. Essa reserva interna explica a boa tolerância à seca após o enraizamento no solo. Na fase jovem, a armadura de espinhos também protege o tronco cheio de água contra grandes herbívoros silvestres. Verde e fotossintético no início da vida, o tronco fica acinzentado e fissurado com a idade; sua circunferência pode ultrapassar 2 m em um exemplar bem desenvolvido. 4 6
Na idade adulta, o porte varia de 10 a 25 m de altura e 6 a 15 m de largura conforme a população e o clima de cultivo. As folhas decíduas e palmadas têm 5 a 7 folíolos dentados. Cada flor solitária mede 10 a 15 cm de diâmetro, com cinco pétalas rosas a púrpuras e garganta branco-creme manchada de amarelo. No outono, as flores muitas vezes surgem quando parte ou toda a folhagem já caiu, destacando-se nos ramos nus. 3 6
Depois das flores surge uma cápsula lenhosa ovoide de cerca de 20 cm. Ela se abre no inverno e libera sementes negras do tamanho de um grão-de-bico, envolvidas em paina branca e fibrosa, semelhante ao algodão. 4
Taxonomia útil
Atualmente se aceita Ceiba speciosa (A.St.-Hil., A.Juss. & Cambess.) Ravenna. Entre os sinônimos botânicos estão Chorisia speciosa A.St.-Hil., A.Juss. & Cambess., basiônimo de 1828, além de Chorisia speciosa var. minor Chodat, de 1899, e Chorisia speciosa var. paraguariensis Hassl., de 1907. Os três nomes são hoje considerados sinônimos completos da espécie nominal. 1 2
Mesmo após a transferência taxonômica de 1998, o antigo gênero Chorisia continua comum em viveiros e em parte da literatura hortícola. Na compra ou na identificação, a referência mais confiável é o binômio completo, em vez do antigo nome de gênero isolado. 1
Habitat e distribuição
Florestas tropicais e subtropicais sazonalmente secas da América do Sul compõem a área nativa de Ceiba speciosa. Ela se estende do sudeste do Brasil ao sudeste do Peru, passando pela Bolívia, pelo Paraguai, pelo Uruguai e pelo nordeste da Argentina. 1 4
Como ornamental de climas quentes, a paineira aparece em muitas avenidas sul-americanas e foi difundida pelo Mediterrâneo, Califórnia, Flórida, África do Sul e Austrália. As zonas USDA 9 a 11 delimitam seu cultivo na prática: em árvores jovens, o gelo destrói a casca tenra e os ramos a partir de cerca de -3 °C. 3
No território francês, a árvore se restringe aos jardins e às avenidas dos setores mais amenos do litoral mediterrâneo, sem naturalização documentada até o momento. 5
Ciclo e reprodução
Durante a floração de outono, beija-flores e borboletas, incluindo a monarca, visitam o néctar abundante das flores rosas e fazem a polinização. A árvore frequentemente já está sem folhas nessa época: os ramos nus deixam a floração visível de longe, sem a concorrência visual da folhagem. 6 4
Ao longo dos meses seguintes, os frutos amadurecem até se abrir no inverno. As sementes se dispersam pelo vento, levadas pela paina que as envolve. Conforme o clima de cultivo, as primeiras flores podem aparecer aos 5 a 8 anos, mas o porte adulto com o tronco plenamente dilatado exige mais 10 a 20 anos de crescimento. 3
Para a horticultura, a multiplicação continua delicada. A semeadura, principal método de reprodução, exige sementes frescas sobre solo aquecido. A estaquia dá resultados inconstantes e é pouco recomendada a jardineiros amadores.
Usos e riscos
Tradicionalmente usada em enchimentos e embalagens, a paina sedosa ao redor das sementes tem qualidade inferior ao kapok verdadeiro, produzido por Ceiba pentandra. A madeira leve e macia é fácil de trabalhar, favorecendo o uso em canoas e pasta de papel. Da casca se obtêm cordas, e as sementes fornecem óleo alimentar e industrial. 4 5
Nas bases de referência consultadas, não há toxicidade documentada para cães, gatos ou cavalos. O risco concreto é mecânico: os grandes espinhos cônicos do tronco e dos galhos exigem luvas grossas e distância de segurança durante o plantio e a manutenção. 6
Variedades, confusões e plantas próximas
A espécie distinta Ceiba chodatii (Hassl.) Ravenna é a principal fonte de confusão. Pertence ao mesmo gênero e vem de uma área mais seca, do sudeste da Bolívia ao norte da Argentina. Ambas compartilham os nomes espanhóis palo borracho e árbol botella, mas só o nome científico completo permite diferenciá-las com segurança. 1 6
Também se confunde Ceiba speciosa com Ceiba pentandra, a mafumeira que fornece o kapok verdadeiro do comércio. Esta última tem sapopemas em forma de tábuas, em vez do tronco dilatado em garrafa, e flores branco-creme, em vez de rosas. Ambas pertencem à subfamília Bombacoideae. 1
Em campo, o tronco dilatado com mais de 2 m de circunferência e grandes espinhos cônicos é uma referência mais confiável que os nomes comuns compartilhados pelas três espécies. Nem Ceiba chodatii nem Ceiba pentandra apresentam esse mesmo conjunto de dilatação e ornamentação. 4
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Ceiba speciosa (A.St.-Hil., A.Juss. & Cambess.) Ravenna
- International Plant Names Index, Ceiba speciosa (A.St.-Hil., A.Juss. & Cambess.) Ravenna
- Missouri Botanical Garden Plant Finder, Chorisia speciosa
- Wikipedia EN, Ceiba speciosa
- Wikipédia FR, Ceiba speciosa
- Wikipedia ES, Ceiba speciosa
Perguntas frequentes
A paineira é invasora na França?
Não há naturalização documentada. A árvore permanece cultivada em jardins e avenidas dos trechos mais amenos do litoral mediterrâneo francês, sem comportamento invasor relatado até o momento.
Por que a paineira floresce sem folhas?
Ceiba speciosa é decídua e floresce no outono, muitas vezes depois de perder parte ou toda a folhagem. A floração sobre os ramos nus fica especialmente visível e vistosa.
Como distinguir Ceiba speciosa de Ceiba chodatii?
As duas compartilham os nomes palo borracho e árbol botella e são frequentemente confundidas em viveiros. Ceiba chodatii é uma espécie distinta, nativa de uma área mais seca do sudeste da Bolívia ao norte da Argentina; só o nome científico completo permite uma identificação confiável.
A paina de Ceiba speciosa tem o mesmo uso do kapok verdadeiro?
A paina que envolve as sementes de Ceiba speciosa é tradicionalmente usada como enchimento, mas tem qualidade inferior à de Ceiba pentandra, a mafumeira, que fornece o kapok verdadeiro do comércio.
A paineira é tóxica para cães e gatos?
Não há toxicidade documentada nas bases de referência consultadas. O risco concreto é mecânico, causado pelos espinhos cônicos que cobrem o tronco e os galhos.
Qual é o tamanho da paineira em clima mediterrâneo?
Em solo mediterrâneo, a árvore costuma atingir 10 a 18 m de altura e 6 a 12 m de largura, enquanto algumas populações nativas sul-americanas podem ultrapassar 25 m.
Por que o tronco da paineira tem espinhos?
Os grandes espinhos cônicos desencorajam animais silvestres de subir ou ferir a casca do tronco dilatado, que armazena água essencial à sobrevivência na estação seca.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.





