erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum, L. 1753)

A erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum) é uma aquática perene da família Ceratophyllaceae, sem raízes verdadeiras. Suas hastes quebradiças têm folhas rígidas em verticilos, bifurcadas e com pequenos dentes espinhosos nas margens. Presente em todos os continentes, exceto a Antártida, funciona como oxigenadora em aquários e lagos de jardim, onde também compete com algas por alelopatia.

Ler mais
Nome científicoCeratophyllum demersum
GêneroCeratophyllum
OrdemCeratophyllales

erva-do-peixe-dourado, rabo-de-raposa, Coontail e Rigid hornwort

Identidade
Toxicidade
Não tóxica; muito usada em aquários, sem risco conhecido
Nível de cuidados
Baixo
Tipo de planta
Planta aquática · Herbáceo
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
FrançaAlemanhaReino UnidoEstados UnidosNoruegaChina
Habitat
Águas paradas ou de corrente fraca, ricas em nutrientes, como lagoas, lagos, valas e braços mortos
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Crescimento
Dormência
Dormente no inverno
Velocidade de crescimento
8/10
Tempo de maturação
Cresce na estação favorável; touceira densa em semanas em água rica
Propagação
Estaquia
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
pH do solo
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Em geral, ofereça bastante luz ambiente, sem sol direto sobre as folhas.

Luz intensa a moderada sob a água
Aparência
Altura20–300 cm
Folhas
Verde
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — folhas 1
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — folhas 2
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — folhas 3
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — folhas 4
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — folhas 5
Flores
Tamanho0.1–0.2 cm
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — flores 1
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — flores 2
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — flores 3
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — flores 4
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — flores 5
Frutos
MarromTamanho0.4–0.6 cm
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — frutos 1
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — frutos 2
Porte
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — porte 1
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — porte 2
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — porte 3
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — porte 4
erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): origem e usos — porte 5
Casca
Verde

Distribuição global

Ceratophyllum demersum tem distribuição cosmopolita, em todos os continentes exceto a Antártida, desde a América do Norte e a Europa até China, África Ocidental e Vietnã. É nativa da França metropolitana. Introduzida pelo comércio de aquários fora de sua área habitual, tornou-se uma planta daninha regulamentada na Nova Zelândia e declarada como tal na Tasmânia, sem ser considerada invasora na França.

  • Nativo6
  • Introduzido1
  • Invasivo1
  • França
  • Alemanha
  • Reino Unido
  • Estados Unidos
  • Noruega
  • China
  • Nova Zelândia
  • Austrália

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

A erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum L., 1753), também conhecida no Brasil como rabo-de-raposa, é uma aquática perene da família Ceratophyllaceae, única família da ordem monotípica Ceratophyllales. 5 1

Como espécie-tipo do gênero Ceratophyllum, ela serve de referência para um pequeno conjunto de espécies reconhecidas no mundo. 2

Um primeiro traço de identificação é a ausência completa de raízes verdadeiras. Sua haste submersa pode ultrapassar 3 m durante uma única estação de crescimento, formando vegetação densa sob a superfície.

O nome do gênero reúne o grego antigo keras, chifre, e phyllon, folha, em alusão aos segmentos rígidos e pontiagudos nas extremidades das folhas bifurcadas. O nome francês cornifle deriva do latim cornu, também chifre. Já o inglês Coontail, literalmente cauda de guaxinim, compara a touceira cheia à pelagem do animal; Rigid hornwort é outro nome inglês encontrado para a planta. 5 3

Reconhecimento

Sem raízes verdadeiras, Ceratophyllum demersum flutua na coluna de água ou se prende ao fundo por folhas modificadas em rizoides. Nenhum sistema radicular convencional se desenvolve. 5

As hastes ramificadas e quebradiças podem exceder 3 m quando encontram condições favoráveis. Seus ramos formam uma massa de aspecto arbustivo, inteiramente submersa e densa logo abaixo da superfície. 6

Folhas de 8 a 40 mm se agrupam em verticilos de 6 a 12. Cada uma se divide uma ou duas vezes em segmentos filiformes com pequenos dentes espinhosos, rígidos e fáceis de quebrar entre os dedos. 6 10

A planta é monoica: flores masculinas e femininas separadas aparecem no mesmo indivíduo. São diminutas, medem apenas 1 a 2 mm, não têm pétalas visíveis e surgem nas axilas das folhas durante a estação mais quente, entre o fim da primavera e o início do outono no contexto europeu descrito. 10 5

O fruto é um aquênio ovoide de 4 a 6 mm, com duas a três espinhas, uma terminal e frequentemente duas na base. Esses detalhes reprodutivos complementam a identificação feita principalmente pela folhagem e pela ausência de raízes. 6

Taxonomia útil

Por ser a espécie-tipo, Ceratophyllum demersum é a referência para diferenciar os demais representantes do gênero. Ceratophyllum submersum, frequentemente confundida com ela, apresenta folhas mais finas, divididas três a quatro vezes, em segmentos mais numerosos e menos rígidos, sem dentes destacados. 5

Na filogenia, Ceratophyllaceae ocupa uma posição isolada próxima à base das angiospermas e à divergência entre eudicotiledôneas e monocotiledôneas. Essa posição torna a planta uma referência para estudos de genômica evolutiva. 6

Não há consenso mundial sobre subespécies ou variedades botânicas, além de raras formas regionais descritas localmente. O nome aceito permanece Ceratophyllum demersum L., sem necessidade de acrescentar uma categoria infraespecífica para identificar a espécie. 1

Habitat e distribuição

Uma distribuição cosmopolita leva a espécie a todos os continentes, exceto a Antártida: da América do Norte e da Europa até a China, a África Ocidental e o Vietnã. 6

Na Europa, ela chega ao paralelo 66° norte na Noruega, limite setentrional expressivo para uma planta que permanece completamente submersa. 6

Na França metropolitana, a espécie é nativa e consta do INPN na maioria dos departamentos. O estatuto regional, porém, passa a quase ameaçada no Limousin e na Córsega. Esses registros franceses descrevem uma situação local, sem determinar a classificação da planta em outros territórios. 7 5

Águas paradas ou com pouca corrente e ricas em nutrientes favorecem sua instalação, incluindo lagoas, lagos, valas e braços mortos de rios. O crescimento de verão é ótimo entre 15 e 30 °C. 6 10

O comércio de aquários levou a planta para fora de sua área nativa. Na Nova Zelândia, tornou-se uma planta daninha regulamentada, capaz de prejudicar instalações hidrelétricas; na Tasmânia, também foi declarada planta daninha. São classificações territoriais, que devem ser entendidas nos respectivos contextos. 6 9

Ciclo e reprodução

A reprodução sexuada tem papel secundário na dinâmica das populações. A polinização acontece sob a água: o pólen das flores masculinas flutua ou afunda até alcançar flores femininas próximas. 5

Predomina a multiplicação vegetativa por fragmentação. Cada pedaço de haste quebrada pode originar uma planta inteira, o que ajuda a explicar a rapidez com que a erva-do-peixe-dourado ocupa uma nova massa de água. 5

No outono de regiões temperadas, a queda de temperatura induz a formação de turiões, gemas compactas com reservas. Elas se soltam, afundam e passam o inverno protegidas do gelo, voltando à superfície na primavera para refazer a touceira. 6

Em água rica em nutrientes e sob condições favoráveis, a planta pode crescer 10 a 20 cm por semana. Essa velocidade está entre as mais altas observadas em aquáticas de clima temperado e explica seu rápido aumento de volume durante a estação favorável. 5

Usos e riscos

Aquários e lagos de jardim usam amplamente a erva-do-peixe-dourado como planta oxigenadora. O crescimento rápido e a folhagem densa ajudam a filtrar a água, oferecem abrigo aos alevinos e competem diretamente com algas filamentosas. 6

Há também uma ação química: a planta libera compostos alelopáticos que inibem o crescimento do fitoplâncton e de cianobactérias. Esse mecanismo é estudado como alternativa aos tratamentos algicidas convencionais. 6 5

Seus tecidos acumulam certos metais pesados dissolvidos, como cobre, zinco, cádmio e chumbo, razão de seu estudo na fitorremediação da água. A planta e os organismos que crescem sobre ela também contribuem para degradar resíduos de herbicidas, entre eles a atrazina. 5 6

Não se relata toxicidade para humanos, peixes ou animais domésticos, o que explica seu uso habitual em milhares de aquários. 6

A mesma vigorosidade pode ter consequências negativas fora do contexto habitual. Na Nova Zelândia, grandes massas submersas prejudicaram centrais hidrelétricas. Por outro lado, a espécie também serve como organismo-modelo para sistemas fechados de suporte à vida em pesquisas espaciais. 6

Variedades, confusões e plantas próximas

O comércio de aquários distingue principalmente lotes pelo tamanho das touceiras, sem cultivar hortícola reconhecida ou variedade botânica estável. As confusões mais frequentes envolvem plantas com folhagem submersa de aspecto semelhante:

  • Ceratophyllum submersum tem folhas mais finas, mais divididas e menos rígidas ao toque;
  • Myriophyllum spp. possuem raízes verdadeiras e folhas pinadas, em vez de bifurcadas;
  • Elodea spp. apresentam folhas simples, não divididas, presas diretamente a hastes enraizadas.

Ao comparar essas plantas, o critério mais confiável é a ausência total de raízes, combinada a folhas rígidas e bifurcadas em verticilos apertados. Essa associação de caracteres identifica o gênero Ceratophyllum e o separa dos gêneros enraizados citados. 5

Fontes principais

Perguntas frequentes

A erva-do-peixe-dourado é tóxica para peixes ou animais?

Não há toxicidade relatada para humanos, peixes ou animais domésticos, o que explica sua presença comum em milhares de aquários e lagos.

Por que a erva-do-peixe-dourado não tem raízes?

A espécie vive inteiramente submersa e absorve água e nutrientes por toda a superfície. Quando necessário, ancora-se por folhas modificadas em rizoides, sem desenvolver raízes verdadeiras.

A erva-do-peixe-dourado é invasora na França?

Não. A espécie é nativa da França metropolitana e não é classificada como invasora nesse território. Fora da área habitual, sobretudo na Nova Zelândia e na Tasmânia, populações introduzidas se tornaram problemáticas.

Como a erva-do-peixe-dourado se reproduz?

Principalmente pela fragmentação vegetativa das hastes. A reprodução sexuada existe, mas é secundária, com polinização inteiramente subaquática.

Como diferenciar a erva-do-peixe-dourado de plantas semelhantes?

Ceratophyllum submersum tem folhas mais finas e mais divididas. Myriophyllum e Elodea possuem raízes verdadeiras, completamente ausentes na erva-do-peixe-dourado.

O que acontece com a erva-do-peixe-dourado no inverno?

Ela forma turiões ricos em reservas que afundam no outono, passam o inverno protegidos do gelo e voltam à superfície na primavera seguinte para refazer a touceira.

A erva-do-peixe-dourado ajuda a combater algas?

Sim. Libera compostos alelopáticos que inibem o fitoplâncton e as cianobactérias, uma ação estudada como alternativa aos tratamentos algicidas convencionais.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.