Erva-do-sião (Chromolaena odorata, )
Erva-do-sião (Chromolaena odorata) é um arbusto perene das Asteraceae, originário da América tropical, cujas folhas opostas e triangulares liberam odor forte quando amassadas. A IUCN inclui a espécie entre as cem invasoras exóticas mais preocupantes do mundo. Apesar do nome que remete à Ásia, a planta é americana: foi introduzida na Índia no século XIX, depois na África Ocidental e na Oceania, onde continua a se espalhar.
Ler maisErva-do-sião, Siam weed e Jack in the bush
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Taken Dec 8, 1963 by Royal Botanic Garden Edinburgh - Bhaskar Adhikari (cc-by-nc)
Taken Dec 5, 1963 by Royal Botanic Garden Edinburgh - Bhaskar Adhikari (cc-by-nc)
Taken Sep 25, 2018 by Royal Botanic Garden Edinburgh - Bhaskar Adhikari (cc-by-nc)
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Distribuição global
A área nativa de Chromolaena odorata abrange a América tropical, da Flórida e do Texas, nos Estados Unidos, ao México, ao Caribe e ao norte da Argentina e do Brasil. A espécie foi introduzida na Ásia tropical no século XIX, na África Ocidental e Central nos anos 1950 e depois na Oceania, incluindo a Nova Caledônia francesa. A IUCN a inclui entre as cem espécies exóticas invasoras mais preocupantes.
- Nativo3
- Introduzido1
- Invasivo6
- Estados Unidos (Flórida, Texas)
- México
- Brasil
- Costa do Marfim
- Índia
- Indonésia
- Nigéria
- África do Sul
- Austrália
- Nova Caledônia
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Erva-do-sião (Chromolaena odorata (L.) R.M.King & H.Rob., 1970) é um arbusto perene do gênero Chromolaena, da família Asteraceae. O nome não indica uma origem asiática: a planta é americana. Lineu a descreveu em 1759 como Eupatorium odoratum; King e Robinson a transferiram para Chromolaena em 1970. Na África francófona, também recebe nomes como guérit-tout e fausse-ramie. 1 4
Os nomes franceses mais difundidos incluem herbe du Laos, fausse-ramie, fleurit-Noël, langue à chat e guérit-tout. Em inglês, predomina Siam weed, também ligado à associação geográfica equivocada, ao lado de Jack in the bush. No próprio Laos, a planta é chamada de erva dos franceses, referência à introdução colonial. 7
Sem uso ornamental reconhecido para jardins, Chromolaena odorata está entre as cem espécies exóticas invasoras mais preocupantes do mundo segundo a IUCN. Seu impacto justifica aprender a identificá-la e comunicar ocorrências, em vez de incentivar o cultivo. 5
Reconhecimento
Em vegetação aberta, a erva-do-sião forma moitas densas e emaranhadas com 1,5 a 2 m de altura. À sombra, pode alcançar 6 m quando sobe em um suporte. O caule inicialmente herbáceo se torna lenhoso com a idade e ramifica intensamente. 5
Opostas e triangulares a ovais, as folhas apresentam três nervuras marcadas e margens grosseiramente dentadas. Quando amassadas, liberam odor acre e penetrante, que ajuda a diferenciá-las de outras Asteraceae arbustivas de folhas dentadas mesmo antes da floração. 5
Brancas a lilás-claras, as flores se reúnem em capítulos de 10 a 35 flósculos, agrupados em grandes panículas terminais que cobrem a planta no fim da estação. Daí o nome francês fleurit-Noël. Cada capítulo produz 25 a 30 aquênios escuros, com papilho de cerdas brancas que favorece a dispersão pelo vento a longas distâncias. 7 8
Na maior parte dos casos, as raízes permanecem superficiais, limitadas a 20–30 cm de profundidade. Esse sistema favorece a rápida ocupação do solo, em vez de uma ancoragem profunda. 5
Taxonomia e nomes
Para identificar a espécie na literatura, a referência é Chromolaena odorata (L.) R.M.King & H.Rob. O basiônimo, Eupatorium odoratum L., foi publicado em 1759. A combinação atual data de 1970, quando King e Robinson dividiram o antigo gênero Eupatorium e transferiram a espécie para Chromolaena. 2 4
Publicações antigas também podem usar o sinônimo menos frequente Osmia odorata (L.) Sch.Bip. As mudanças de gênero explicam por que textos científicos mais antigos, sobretudo africanos, continuam às vezes a empregar Eupatorium odoratum. 3
No ITIS, a espécie recebe o número de série taxonômico TSN 37034. Esse identificador permite comparar registros sem depender dos numerosos nomes populares, que variam entre regiões. 3
Habitat e distribuição
Das Américas tropicais vem Chromolaena odorata: sua área nativa abrange a Flórida e o Texas, nos Estados Unidos, o México, o Caribe e o norte da Argentina e do Brasil. 1 6
Durante o século XIX, a espécie chegou à Ásia, provavelmente pelo jardim botânico de Calcutá, e se espalhou pelo subcontinente indiano e pelo Sudeste Asiático. Na África, foi introduzida intencionalmente na Costa do Marfim em 1952 como cobertura para conter gramíneas concorrentes. Depois avançou pela África Ocidental e Central. No Queensland australiano, chegou em 1994. 5
No Pacífico, a planta tornou-se invasora na Nova Caledônia, território francês, além de ocorrer como invasora na Indonésia, no Timor-Leste e nas Filipinas. 7
Solos perturbados são seus ambientes preferidos: bordas de florestas, terrenos baldios, margens de estradas, obras e pastagens degradadas. A espécie suporta precipitações muito distintas, desde florestas úmidas com mais de 1.500 mm anuais até savanas arbustivas com 500 mm. Já a sombra densa de uma floresta com dossel fechado impede a germinação. 5
Ciclo e reprodução
Entre os arbustos, Chromolaena odorata apresenta crescimento particularmente rápido: em condições favoráveis, um broto pode crescer mais de 3 cm por dia. Da germinação à primeira floração, o ciclo leva apenas 8 a 12 meses, enquanto muitos arbustos perenes da mesma família precisam de vários anos. 5
Uma erva-do-sião adulta produz 80.000 a 90.000 sementes. Algumas estimativas chegam a 260.000 sementes por metro quadrado em populações densas. A germinação varia de 20 a 46%, e o banco de sementes permanece viável por até cinco anos, impedindo a erradicação em uma única estação de roçada. 5
Graças ao papilho dos aquênios, o vento é o principal meio de dispersão. As sementes também aderem aos pelos do gado, às roupas e às máquinas agrícolas ou florestais. Esse transporte ajuda a explicar a rapidez de novas colonizações ao longo das vias de circulação. 5
Usos e toxicidade
Em países da África Ocidental e Central, como Gana e República Democrática do Congo, a seiva e as folhas amassadas são tradicionalmente usadas para estancar pequenos sangramentos e proteger feridas recentes. Esse uso popular explica o nome francês guérit-tout, equivalente a “cura-tudo”. Em Gana, as folhas também protegem as superfícies cortadas dos caules após a poda em viveiros. 7
A ingestão repetida das folhas provoca distúrbios digestivos no gado, e publicações agronômicas classificam a planta como tóxica para bovinos. Em humanos sensíveis, o contato com a seiva e a inalação de pólen podem desencadear alergias cutâneas e respiratórias. 6 8
Como planta melífera, a espécie também oferece recursos às abelhas. Seu uso local como cobertura contra erosão foi uma das práticas agronômicas que favoreceram sua disseminação inicial na África Ocidental. 7
Impacto, controle e confusões
Moitas formadas exclusivamente por Chromolaena odorata impedem a regeneração natural das florestas após corte ou agricultura itinerante. As folhas secas e inflamáveis levam incêndios às bordas florestais. Na zona úmida de Santa Lúcia, na África do Sul, a planta sombreia locais de postura do crocodilo-do-nilo e altera a temperatura de incubação dos ovos, aumentando a proporção de fêmeas. 5
Para controlar a invasão, combinam-se roçadas repetidas antes da floração, herbicidas direcionados, como o triclopir, prevenção do transporte de material contaminado e controle biológico. A mosca galhadora Cecidochares connexa, introduzida na Indonésia desde 1995, pode matar a planta em 3 a 5 anos sob clima favorável. A lagarta desfolhadora Pareuchaetes pseudoinsulata foi usada com sucesso no Pacífico e em Guam. Nenhum agente sozinho elimina o banco de sementes. 5
Outras Asteraceae arbustivas invasoras podem apresentar folhas dentadas e panículas brancas parecidas. A conferência do nome científico, associada ao odor acre característico das folhas amassadas, ajuda a evitar confusões antes de comunicar uma ocorrência ou intervir. 8
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Chromolaena odorata (L.) R.M.King & H.Rob.
- International Plant Names Index, Chromolaena odorata, registro
- ITIS, Chromolaena odorata (L.) R.M. King & H. Rob., TSN 37034
- USDA ARS GRIN-Global, Chromolaena odorata registro taxonômico
- IUCN / ISSG Global Invasive Species Database, Chromolaena odorata descrição completa
- USDA PLANTS Database, Chromolaena odorata perfil da planta (CHOD)
- Wikipédia, Chromolaena odorata (artigo em francês)
- Wikipedia, Chromolaena odorata (artigo em inglês)
Perguntas frequentes
A erva-do-sião é originária da Ásia?
Não. A espécie vem da América tropical, da Flórida e do Texas ao norte da Argentina e do Brasil. O nome francês herbe du Laos remete à antiga introdução no Sudeste Asiático, e não à origem geográfica real.
Por que a erva-do-sião é considerada invasora?
Ela forma moitas densas que impedem a regeneração florestal, pega fogo facilmente na estação seca e está entre as cem espécies exóticas invasoras mais preocupantes listadas pela IUCN.
A planta é tóxica?
A ingestão de grandes quantidades de folhas provoca distúrbios digestivos no gado. O contato ou a inalação do pólen pode desencadear alergias cutâneas ou respiratórias em pessoas sensíveis.
Por que recebe um nome equivalente a cura-tudo na África Ocidental?
A seiva e as folhas amassadas são usadas tradicionalmente para estancar pequenos sangramentos e proteger feridas recentes. Esse uso popular explica o apelido local.
Como reconhecer a erva-do-sião no campo?
É um arbusto denso com folhas triangulares, opostas e aromáticas quando amassadas. No fim da estação, apresenta grandes panículas de pequenas flores brancas a lilás-claras.
Como é feito o controle dessa planta daninha?
O manejo combina roçadas repetidas antes da floração, herbicidas direcionados e controle biológico, especialmente com a mosca galhadora Cecidochares connexa e a lagarta desfolhadora Pareuchaetes pseudoinsulata, introduzidas na Ásia e no Pacífico.
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Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.



