Pepino-de-são-gregório (Ecballium elaterium, )
Pepino-de-são-gregório (Ecballium elaterium (L.) A.Rich., 1824) é a única espécie do gênero Ecballium, uma Cucurbitaceae rasteira e coberta de pelos, originária da região mediterrânea até o Irã. Ao contrário de suas parentes cultivadas na horta, não possui gavinhas. Seu fruto eriçado se desprende e explode ao menor contato quando maduro, lançando sementes a vários metros.
Ler maisPepino-de-são-gregório, Pepino-do-diabo, Pepino-explosivo, Squirting cucumber e Exploding cucumber
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Distribuição global
A área nativa de Ecballium elaterium vai das ilhas Canárias ao Irã, passando por toda a região mediterrânea e pelo norte da África. Introduzida fora dessa área como curiosidade ou acidentalmente com importações de gado, a espécie se naturalizou em diversas regiões de clima mediterrâneo, onde às vezes é regulamentada como planta daninha.
- Nativo5
- Introduzido1
- Invasivo1
- França metropolitana
- Espanha, Itália, Grécia
- Ilhas Canárias
- Norte da África
- Irã e Ásia ocidental
- Estados Unidos (Califórnia)
- Austrália
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.↗
Identidade
O Pepino-de-são-gregório (Ecballium elaterium (L.) A.Rich., 1824), também conhecido como pepino-do-diabo ou pepino-explosivo, é a única espécie do gênero Ecballium, da família Cucurbitaceae. Carl von Linné o descreveu em 1753 como Momordica elaterium; Achille Richard o transferiu para Ecballium em 1824, combinação que permanece aceita. 1 5
A origem de Ecballium está no grego ekballein, “lançar para fora”: uma referência direta ao fruto maduro, que explode ao menor contato e arremessa as sementes. O epíteto elaterium designava inicialmente a seiva seca do fruto, um purgativo empregado desde a Antiguidade, antes de integrar o nome científico da planta. 6
Reconhecimento
Com caules rasteiros e cobertos de pelos ásperos, Ecballium elaterium se estende por 50 cm a 1,50 m sobre o solo, sem subir. Um caráter permite reconhecê-lo no campo: ao contrário da maioria das Cucurbitaceae, a espécie não possui gavinhas em nenhuma fase do crescimento. 3 2
Folhas espessas, em forma de coração, têm cor verde-acinzentada e superfície rugosa coberta de pelos curtos. A planta é monoica: flores masculinas amarelo-claras, reunidas em pequenos cachos, e flores femininas solitárias, campanuladas, com 18 a 20 mm de diâmetro, aparecem no mesmo indivíduo. 2
O fruto ovoide, coberto de pequenos espinhos, mede 4 a 5,5 cm de comprimento por cerca de 2,5 cm de largura. Quando amadurece, solta-se do pedúnculo à menor pressão e ejeta violentamente a seiva carregada de sementes, comportamento muito característico da espécie. 2 8
Taxonomia útil
A combinação Ecballium elaterium (L.) A.Rich. permanece aceita para a única espécie reconhecida no gênero monotípico Ecballium. São reconhecidas duas subespécies: Ecballium elaterium subsp. elaterium, monoica e amplamente distribuída das Canárias ao Irã, e Ecballium elaterium subsp. dioicum (Batt.) Costich, forma dioica, com indivíduos masculinos e femininos separados, restrita ao sul da península Ibérica e ao noroeste da África. 5 1
Entre os sinônimos do século XIX ainda encontrados em floras regionais estão Ecballium officinale T.Nees, Ecballium officinarum Rich. ex M.Roem. e Ecballium purgans Schrad., todos associados ao mesmo nome aceito. 1
Na ordem Cucurbitales, a espécie é parente dos pepinos, melões e abóboras cultivados. Seu teor de cucurbitacinas, porém, chega a 3,84% do peso seco do fruto, muito acima dos valores inferiores a 0,3% registrados para esses compostos amargos nas espécies cultivadas de Cucurbitaceae. 6
Habitat e distribuição
Das ilhas Canárias ao Irã, a área nativa abrange toda a região mediterrânea e o norte da África. A planta ocupa terrenos baldios, entulho, taludes secos e margens de caminhos, quase sempre sob sol pleno, em solos pobres. O solo descoberto e a luz favorecem a germinação rápida, enquanto a ausência de concorrentes já estabelecidos deixa espaço disponível. 4 3
Como curiosidade de jardim ou por introdução acidental com importações de gado, a espécie chegou a locais fora de sua área nativa. Naturalizou-se na Austrália desde o início do século XX, onde continua sujeita a controle regulamentar, e também na Califórnia e em outras regiões de clima mediterrâneo. 4
Ciclo e reprodução
No calendário mediterrâneo do Hemisfério Norte, a floração vai de junho a agosto, com flores masculinas e femininas distintas no mesmo indivíduo da subespécie típica. Os frutos amadurecem de agosto a outubro, quando o mecanismo de ejeção se torna plenamente ativo. Esses meses não representam automaticamente o calendário de cultivo no Brasil. 2
Poucos dias antes da ejeção, o fruto perde volume enquanto o caule que o sustenta incha: seu raio aumenta cerca de 20% e seu comprimento aproximadamente 45%, sem ganho de massa no conjunto. O líquido interno migra, portanto, do fruto para o caule, mecanismo documentado pela primeira vez nessa espécie. 8
Ao ser tocado, o pedúnculo se rompe em cerca de trinta milissegundos, e o fruto ejeta a seiva a aproximadamente 16 a 20 metros por segundo, sob diferença de pressão próxima de 1,7 bar. As sementes caem a até 10 metros da planta-mãe, cerca de 250 vezes o comprimento do fruto. 8
Usos e riscos
Conhecida historicamente como elatério, a seiva seca do fruto foi usada durante mais de dois mil anos como purgativo potente contra edemas de origem renal ou cardíaca. Esse uso ainda aparece em algumas farmacopeias tradicionais tunisianas, argelinas e turcas. Continua perigoso fora de acompanhamento médico estrito: doses excessivas causaram gastroenterites graves e até mortes. 6
As cucurbitacinas, triterpenos amargos concentrados sobretudo no fruto, tornam toda a planta tóxica. Um jato de seiva nos olhos pode causar em poucos minutos conjuntivite, edema ao redor dos olhos e erosões da córnea. Isso foi documentado em um agricultor de 70 anos, tratado com lavagem e corticoides locais, com recuperação em quatro dias. A ingestão acidental pode causar vômitos, aceleração do pulso e, nos casos extremos, convulsões. 7 6
Variedades, confusões e plantas próximas
Não há cultivar hortícola reconhecido de Ecballium elaterium: trata-se de uma planta silvestre, sem seleção para ornamentação ou consumo. 3
Mudas de Cucurbitaceae de horta, como Cucumis sativus ou Cucurbita pepo, são as principais confusões a descartar: elas desenvolvem rapidamente gavinhas, ausentes em Ecballium elaterium em qualquer idade. Momordica charantia, cujo gênero abrigou o basiônimo desta espécie, apresenta frutos alongados e verrucosos, nunca explosivos. Citrullus colocynthis compartilha a toxicidade por cucurbitacinas, mas produz um fruto redondo que não se abre por pressão. 1
O comportamento do fruto maduro é o indício decisivo: um fruto que se desprende e lança um jato ao menor contato identifica o pepino-de-são-gregório; nenhuma outra planta da região mediterrânea compartilha esse caráter.
Fontes principais
- International Plant Names Index (Kew), Ecballium elaterium (L.) A.Rich.
- Missouri Botanical Garden Plant Finder, Ecballium elaterium
- Plants For A Future, Ecballium elaterium
- USDA PLANTS Database, Ecballium elaterium (L.) A. Rich.
- USDA GRIN Taxonomy, gênero Ecballium
- PMC, Squirting Cucumber - chemical and pharmacological profile update
- PMC, Keratoconjunctivitis and Periorbital Edema due to Ecballium elaterium
- PMC, Uncovering the mechanical secrets of the squirting cucumber
Perguntas frequentes
O pepino-de-são-gregório é tóxico?
Sim. Toda a planta contém cucurbitacinas, concentradas sobretudo no fruto. A ingestão causa distúrbios digestivos graves, e o contato da seiva com os olhos provoca conjuntivite e edema documentados clinicamente.
Dá para confundir o pepino-de-são-gregório com o pepino comum?
Raramente na fase adulta. A planta nunca apresenta gavinhas, ao contrário das mudas de pepino ou abobrinha, que logo as desenvolvem para subir.
Como funciona o lançamento explosivo das sementes?
O pedúnculo se rompe sob pressão interna, e o fruto lança a seiva com sementes a cerca de 16 a 20 m/s, em aproximadamente trinta milissegundos, a distâncias que podem chegar a 10 m.
De onde vem o pepino-de-são-gregório?
Son aire native va des îles Canaries jusqu'en Iran, en passant par tout le pourtour méditerranéen. L'espèce s'est naturalisée ailleurs, notamment en Austrália depuis le début du XXᵉ siècle.
O pepino-de-são-gregório tem uso medicinal?
Historicamente, sim. Sua seiva seca, chamada elatério, foi usada por mais de dois mil anos como purgativo potente. Doses excessivas causaram intoxicações graves, e esse uso continua perigoso fora de acompanhamento médico.
O pepino-de-são-gregório é invasor?
En Austrália, où il a été introduit au début du XXᵉ siècle, il est soumis à un contrôle réglementaire. Dans son aire native méditerranéenne, il reste une adventice commune des friches et des décombres.
O que fazer se a seiva atingir os olhos?
Lave com bastante água limpa e procure atendimento médico rapidamente. Um caso clínico documentado exigiu lavagem e corticoides locais, com recuperação completa em quatro dias.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.







