Nespereira (Eriobotrya japonica, (Thunb.) Lindl. 1821)

Nespereira (Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl., 1821) é uma árvore frutífera perene da família Rosaceae, originária das montanhas subtropicais do sudoeste da China. Sua floração no outono ou no inverno, rara entre frutíferas, antecede frutos que amadurecem apenas no fim do inverno ou no início da primavera.

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Nome científicoEriobotrya japonica
GêneroEriobotrya
OrdemRosales

Nespereira, Nespereira-do-japão, Loquat e Pípá

Identidade
Toxicidade
Fruto comestível; sementes tóxicas se partidas e ingeridas
Nível de cuidados
Baixo
Tipo de planta
Tipo de folhas
Perenifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
China
Habitat
Florestas e matagais subtropicais de montanha; cultivada em pomares, isolada ou em vasos conforme o clima
Sazonalidade
Época de floração
OutonoInverno
Colheita
InvernoPrimavera
Crescimento
Dormência
Sem dormência
Velocidade de crescimento
7/10
Tempo de maturação
Frutifica a partir de 2 anos se enxertada; de 7 a 10 anos por semente
Propagação
Enxertia, Semeadura, Alporquia
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
40–60 km/h
Umidade
40–70 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Sim
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo bem drenado, Solo calcário
Solo salino
Tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Em geral, coloque em sol pleno, com luz direta intensa durante boa parte do dia.

Sol pleno, indispensável à floração
Interior
Jardim de inverno, Estufa
Área externa
Pomar, Canteiro a pleno sol
Vasos
Vaso de terracota, Recipiente grande
Aparência
Altura300–800 cmLargura300–600 cm
Folhas
VerdeMarrom
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — folhas 1
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — folhas 2
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — folhas 3
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — folhas 4
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — folhas 5
Flores
BrancoCremeTamanho1–2 cm
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — flores 1
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — flores 2
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — flores 3
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — flores 4
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — flores 5
Frutos
AmareloLaranjaTamanho2.5–5 cm
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — frutos 1
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — frutos 2
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — frutos 3
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — frutos 4
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — frutos 5
Porte
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — porte 1
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — porte 2
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — porte 3
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — porte 4
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — porte 5
Casca
Marrom
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — casca 1
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — casca 2
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — casca 3
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — casca 4
Nespereira (Eriobotrya japonica): origem e usos — casca 5

Distribuição global

A área nativa de Eriobotrya japonica fica nas montanhas subtropicais do sudoeste da China, entre 900 e 2.000 m de altitude, com provável centro de domesticação na província de Hubei. É cultivada no Japão há mais de mil anos e na bacia mediterrânea desde o século XVII. Fora da área nativa, aves e mamíferos que comem os frutos dispersam sementes longe dos pomares, originando naturalizações por vezes invasoras na Austrália, no Havaí, na Reunião e na África do Sul.

  • Nativo1
  • Introduzido3
  • Invasivo4
  • China
  • Japão
  • Índia
  • Chile
  • Leste da Austrália
  • Havaí
  • Reunião
  • África do Sul

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

A Nespereira (Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl., 1821), também chamada nespereira-do-japão, é uma árvore frutífera de folhas perenes da família Rosaceae, tribo Maleae. Carl Peter Thunberg a descreveu em 1784 como Mespilus japonica; em 1821, John Lindley a transferiu para o novo gênero Eriobotrya, separado das nespereiras verdadeiras. 1 5

A origem de Eriobotrya está no grego erion (lã) e botrys (cacho), literalmente “cacho lanoso”: ramos jovens, gemas e panículas florais têm uma fina penugem. Os nomes franceses bibacier e bibassier derivam do chinês pípá, nome do fruto por sua semelhança com o instrumento de cordas homônimo. Essa mesma associação deu nome ao lago Biwa, perto de Kyoto; loquat é outro nome internacional da planta. 5

Reconhecimento

Folhas simples, alternas e coriáceas alcançam 25 cm, com borda dentada, face superior verde-escura e brilhante e verso tomentoso, castanho-avermelhado. Esse verso feltrado não aparece no louro-cereja nem na oliveira, duas perenes de folhagem superficialmente semelhante cujo verso é liso e glabro: é uma pista de campo que dispensa lupa. 3 5

A floração outonal ou no início do inverno, incomum em frutíferas, forma panículas terminais brancas e perfumadas; os frutos amadurecem só no fim do inverno ou no começo da primavera. As flores congelam a partir de -5 °C, de modo que um fim de outono ameno influencia diretamente a colheita seguinte. 3 5

Com 3 a 5 cm, o fruto ovoide varia de amarelo-alaranjado a marfim conforme o cultivar, com polpa suculenta e levemente ácida e uma a cinco sementes grandes, castanho-escuras. Plantas de sementes sem seleção produzem polpa fina; as melhores seleções frutíferas têm sementes menores e mais polpa. 2 5

Taxonomia útil

A espécie aceita permanece Eriobotrya japonica, mas seu enquadramento foi rediscutido em 2020: um estudo do genoma do cloroplasto e do DNA ribossômico nuclear situou Eriobotrya geneticamente dentro de Rhaphiolepis. Isso levou à publicação de Rhaphiolepis loquata B.B.Liu & J.Wen como possível nome substituto. 9

Botânicos propuseram depois conservar Eriobotrya como nome de gênero apesar da ligação genética com Rhaphiolepis, para preservar um nome hortícola e comercial usado há dois séculos. As bases de referência mantêm Eriobotrya japonica como nome aceito e Rhaphiolepis loquata como sinônimo homotípico, informação útil ao interpretar etiquetas de viveiro. 1

Entre os sinônimos antigos de catálogo estão Photinia japonica (Thunb.) Hemsl., Crataegus bibas Lour. e Pyrus bibas (Lour.) M.F.Fay & Christenh.. São reclassificações do mesmo táxon, sem representar espécies diferentes. 1

Habitat e distribuição

Nas montanhas subtropicais do sudoeste chinês, a área nativa ocupa altitudes de 900 a 2.000 m. O provável centro de domesticação fica em Hubei, segundo sequenciamento de plantas silvestres de Sichuan e Yunnan. Na China, o cultivo da nespereira é documentado há cerca de dois milênios, antes de sua introdução no Japão. 5

O cultivo japonês, acompanhado de naturalização, existe há mais de mil anos. A nespereira chegou depois à bacia mediterrânea no século XVII e, em seguida, à Índia, às Américas e à Oceania. Mais de mil cultivares foram descritos na área chinesa de domesticação primária; Japão e Espanha mantêm importantes coleções de variedades. 5 4

Aves e mamíferos atraídos pelos frutos maduros dispersam sementes longe dos pomares. Fora da área nativa, há registros de invasão em regiões mediterrâneas, na Austrália, no Havaí, na Reunião e na África do Sul, por vezes com povoamentos densos no sub-bosque ou nas margens de cursos de água. 7

Ciclo e reprodução

Sementes frescas germinam em menos de um mês, mas árvores obtidas por semeadura levam 7 a 10 anos para frutificar, geralmente com polpa mais fina que a de plantas enxertadas de cultivares selecionados. A propagação comercial usa sobretudo enxertia, em fenda, borbulhia ou coroa: nespereiras de semente servem para árvores altas, e marmeleiros ou espinheiros para formas anãs. 5

Uma muda enxertada pode frutificar aos 2 anos, mas sua longevidade cai para cerca de 20 anos, contra 40 anos em árvore enxertada sobre nespereira de semente. Alporquia e estaquia também são métodos confiáveis, porém mais lentos, usados principalmente na propagação ornamental. 5

Depois do pegamento, um primeiro raleio mantém apenas as inflorescências terminais, mais precoces e produtivas. No fim do inverno, um segundo raleio deixa 2 ou 3 frutos por cacho para aumentar seu tamanho e reduzir a alternância bienal entre colheitas abundantes e escassas. No Japão, os cachos às vezes são ensacados para acelerar a maturação e protegê-los das aves. 5

Usos e riscos

Frescos, cozidos ou transformados em xarope, vinho e licor, os frutos fornecem vitamina A, vitamina B6, potássio e ferro. As folhas secas e em infusão dão um chá tradicional muito consumido na China e no Japão; também são usadas em cataplasmas na medicina tradicional chinesa. 3 5

Embora a polpa não apresente risco particular, as sementes contêm glicosídeos cianogênicos, como a amigdalina, capazes de liberar cianeto de hidrogênio quando partidas e digeridas. Uma análise de sementes secas mediu concentração média de 5.900 mg/kg de amigdalina e risco de ultrapassar a dose aguda de referência para cianeto em mais da metade das amostras. A ingestão de muitas sementes partidas pode causar de fraqueza a convulsões. 8 3

A amigdalina foi usada por muito tempo para fabricar laetrila, suposto tratamento contra o câncer sem eficácia demonstrada, cuja venda é proibida nos Estados Unidos. Sementes torradas também são tradicionalmente usadas em pequenas quantidades como substituto de café; esse uso não elimina os cuidados com sementes cruas ou partidas em grande quantidade. 5

Variedades, confusões e plantas próximas

Dois grupos hortícolas tradicionais diferem pela forma do fruto. O grupo chinês reúne cultivares de folhas estreitas e frutos alaranjados, piriformes ou redondos, precoces, como Tanaka, seleção tardia resistente ao frio introduzida nos Estados Unidos em 1902, e Algérie, variedade doce de meia-estação mais cultivada na Andaluzia. O grupo japonês tem folhas largas e frutos amarelo-claros, mais tardios, como Champagne e Advance, selecionados na Califórnia por C. P. Taft no início do século XX. 5

O nome nespereira também designa Mespilus germanica, árvore diferente, resistente ao frio (USDA 5–8), cujo fruto se consome sobremaduro e amolecido. Já a nespereira-do-japão exige clima quente (USDA 8–11) e é colhida madura. Thunberg havia incluído a espécie em Mespilus antes de Lindley separá-la em 1821. 4 5

Fontes principais

Perguntas frequentes

A nespereira é tóxica?

A polpa é consumida normalmente e não apresenta risco particular. As sementes, porém, contêm glicosídeos cianogênicos, como a amigdalina, que podem liberar cianeto de hidrogênio quando partidas e ingeridas em quantidade.

A nespereira é a mesma árvore que Mespilus germanica?

Não. Mespilus germanica tolera climas frios e seu fruto é consumido sobremaduro e amolecido, enquanto a nespereira exige clima quente e é colhida madura. As duas espécies compartilham apenas o nome comum.

Por que a nespereira floresce no outono?

É uma característica rara em frutíferas, ligada à origem subtropical. A floração no outono ou no inverno antecede a maturação lenta dos frutos, que só ocorre no fim do inverno ou no início da primavera.

Posso comer sementes de nêspera?

Não é recomendado. Elas contêm amigdalina, composto por muito tempo usado para fabricar laetrila, um tratamento contra o câncer sem eficácia demonstrada. O consumo em grande quantidade traz risco real de intoxicação por cianeto.

Preciso enxertar a nespereira para colher mais cedo?

Uma planta de semente leva de 7 a 10 anos para frutificar e costuma produzir polpa fina. Uma planta enxertada sobre nespereira de semente ou marmeleiro frutifica a partir de 2 anos e reproduz as qualidades do cultivar escolhido.

A nespereira pode ser invasora?

Ela é registrada como invasora em regiões fora da área nativa, sobretudo na Austrália, no Havaí e na África do Sul, onde aves dispersam suas sementes longe dos pomares.

Qual é a temperatura mínima suportada por uma nespereira estabelecida?

Uma árvore adulta bem estabelecida resiste a geadas de até cerca de -11 °C. As flores são muito mais frágeis e congelam a partir de -5 °C, ameaçando a próxima colheita durante uma queda tardia de temperatura no outono.

Plantas semelhantes

Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.