Pereira (Pyrus communis, )
Pereira (Pyrus communis) é uma árvore frutífera caducifólia da família Rosaceae, cultivada pela pera comestível. Resultante de longa domesticação na Europa e na Ásia Ocidental, é multiplicada por enxertia, geralmente precisa de polinização cruzada e é sensível ao fogo bacteriano. É uma das principais frutíferas dos pomares temperados.
Ler maisPereira, Pereira-europeia, European pear, Common pear e Wild pear






© foto
Stephen James McWilliam · cc0
Älven · cc0
Charles Joynson · cc0
Taken Aug 7, 2021 by Giode Tonpino (cc-by-sa)
Taken Sep 6, 2020 by Sylvain Piry (cc-by-sa)
Taken Oct 22, 2022 by Dominik Muczyński (cc-by-sa)
Taken Jun 30, 2022 by anna866392 (cc-by-sa)
Taken Mar 31, 1854 by Tela Botanica − Herbier PONTARLIER-MARICHAL (cc-by-sa)
© copyright of the Board of Trustees of the Royal Botanic Gardens, Kew.
Distribuição global
Pyrus communis tem origem hibridogênica e foi estabilizada pelo cultivo a partir de pereiras silvestres da Europa e da Ásia Ocidental. Sua área natural é difícil de delimitar, pois a agricultura a dispersou muito cedo. Hoje é cultivada em todas as regiões temperadas e se encontra naturalizada pontualmente fora de sua região de origem.
- Nativo5
- Introduzido2
- França metropolitana
- Alemanha
- Itália
- Turquia
- Irã
- Estados Unidos
- Austrália
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Pereira (Pyrus communis L., 1753) é uma árvore frutífera caducifólia das Rosaceae, pertencente ao gênero Pyrus. Uma das principais espécies dos pomares temperados, é cultivada pela pera, fruto carnoso. Sua origem é hibridogênica: o cultivo a estabilizou a partir de pereiras silvestres da Europa e da Ásia Ocidental. 1 4
No pomar, a Pereira é resistente ao frio e duradoura, podendo viver mais de um século. O nome Pereira-europeia distingue a espécie cultivada de numerosas pereiras silvestres de distribuição mais localizada. A multiplicação é feita por enxertia, a polinização cruzada costuma ser necessária e a sensibilidade ao fogo bacteriano merece atenção. 2 3
Reconhecimento
O porte ereto, frequentemente mais estreito e alto que o da macieira, ajuda a reconhecer Pyrus communis. As folhas simples são ovais, finamente dentadas e brilhantes, sustentadas por pecíolos longos. No outono, muitas vezes ficam vermelho-alaranjadas antes de cair. 3 6
As flores brancas de cinco pétalas cobrem a árvore na primavera, reunidas em corimbos, com anteras que passam do vermelho ao preto. A pera que se forma depois é carnosa, tipicamente mais larga na base. Sua polpa tem pequenas células pétreas em torno do miolo, característica que a distingue da maçã. 4 2
Ramos curtos especializados, chamados dardos e lamburdas, concentram gemas florais e futuros frutos. A casca começa lisa e se fende com a idade em pequenas placas cinzentas. Em pomares, uma árvore adulta costuma ter 4 a 8 m; uma Pereira de pé-franco sem poda pode ultrapassar 15 a 20 m. 3 5
Taxonomia útil
A descrição de Linné, de 1753, estabeleceu Pyrus communis L. O gênero Pyrus reúne muitas espécies silvestres, e a Pereira cultivada recebeu vários nomes antigos hoje tratados como sinônimos. Entre os principais estão:
- Pyrus communis subsp. communis, subespécie típica
- Pyrus communis var. sativa (DC.) DC., nome na sinonímia
- Pyrus achras Gaertn., nome na sinonímia
- Pyrus domestica Medik., nome na sinonímia
- Malus communis (L.) Poir., nome na sinonímia
O nome científico aceito, Pyrus communis, é a referência para a espécie. Nomes como Williams e Conférence identificam seleções hortícolas, e não espécies ou variedades botânicas distintas. A subespécie típica, Pyrus communis subsp. communis, corresponde à forma cultivada amplamente difundida. 1 7
Habitat e distribuição
A origem hibridogênica de Pyrus communis torna difícil delimitar sua área natural. A agricultura a dispersou desde muito cedo a partir de pereiras silvestres da Europa e da Ásia Ocidental. Hoje é cultivada nas regiões temperadas de todo o mundo. 1 4
Solos profundos, frescos mas bem drenados e próximos do neutro favorecem a Pereira. Terrenos muito calcários podem provocar clorose em certos porta-enxertos, enquanto o encharcamento favorece podridões radiculares. Um local quente e ensolarado ajuda os frutos a amadurecer. 6 2
Além dos pomares, formas mais ou menos silvestres aparecem em cercas rurais, bordas e bosques abertos. Por vezes estão naturalizadas fora da região de origem, como na América do Norte e na Austrália. São ocorrências de uma planta introduzida pelo cultivo, distintas de pereiras realmente espontâneas. 7 3
Ciclo e reprodução
Como outras Rosaceae de frutos pomáceos, a Pereira floresce na primavera, pouco antes ou durante a abertura das folhas. As flores hermafroditas são polinizadas por insetos, sobretudo abelhas. A maioria dos cultivares é autoestéril e exige polinização cruzada com outro cultivar compatível que floresça no mesmo período, levando ao plantio de várias árvores no pomar. 4 2
Depois da fecundação, ovário e receptáculo se desenvolvem na pera, fruto carnoso que abriga as sementes. Geadas tardias podem destruir flores abertas e comprometer toda a safra. Geralmente as peras são colhidas ainda firmes e terminam de amadurecer no armazenamento; do contrário, muitas variedades passam do ponto a partir do miolo ainda na árvore. 3 5
Para reproduzir fielmente um cultivar, usa-se enxertia, pois as sementes não preservam suas características. O enxerto é unido a um porta-enxerto escolhido pelo vigor: o marmeleiro gera árvores anãs e precoces, adequadas a espaldeiras e recipientes; a Pereira de pé-franco produz árvores grandes, vigorosas e longevas. Sementes servem sobretudo à obtenção de porta-enxertos ou à pesquisa de cultivares. Da enxertia à primeira colheita significativa, passam quatro a oito anos, conforme o porta-enxerto e a condução. 6 5
Usos e riscos
A produção de frutos é o uso principal da Pereira. A pera pode ser consumida fresca ou entrar em compotas, tortas, conservas em calda, aguardentes e uma bebida fermentada semelhante à sidra, feita de peras. A madeira dura e homogênea é procurada para marcenaria fina, instrumentos musicais e gravura. A floração primaveril também fornece recursos às abelhas. 4 5
A polpa da pera é comestível e segura. Como em outras Rosaceae, somente as sementes contêm amigdalina, um glicosídeo cianogênico. Seria necessário triturar e ingerir grandes quantidades para liberar cianeto suficiente e provocar efeitos; o cuidado é, portanto, teórico no consumo normal do fruto. Para animais domésticos, a parte carnosa não é classificada como tóxica, mas grandes quantidades de sementes exigem a mesma reserva. 5 2
A doença mais preocupante da árvore é o fogo bacteriano, causado por Erwinia amylovora. Flores e brotos jovens escurecem e se curvam em gancho, podendo a planta morrer. O controle envolve cortar bem abaixo das partes afetadas, desinfetar ferramentas e limitar o nitrogênio. Sarna, ferrugem associada a zimbros próximos e psilídeos da Pereira completam os problemas comuns do pomar. 2 6
Variedades, confusões e plantas próximas
Entre as numerosas seleções hortícolas, Williams é uma pera de verão aromática e de polpa macia; Conférence e Doyenné du Comice são peras de outono renomadas. Beurré Hardy e Louise Bonne d’Avranches ampliam o período de colheita e favorecem a polinização cruzada. Esses nomes não designam espécies separadas. Antes da compra, confira cultivar, porta-enxerto e compatibilidade de floração. 2
Outras Rosaceae de frutos pomáceos podem causar confusão:
- Malus domestica, a macieira, com fruto redondo sem células pétreas;
- Cydonia oblonga, o marmeleiro, também usado como porta-enxerto da Pereira;
- Pyrus pyraster, a pereira silvestre, frequentemente espinhosa e com frutos pequenos e adstringentes.
A forma de pera, as células pétreas da polpa e o porte mais ereto que o da macieira são os sinais mais confiáveis para confirmar a identificação de Pyrus communis. 3 1
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Pyrus communis L.
- Royal Horticultural Society, Pyrus communis - pereira
- Missouri Botanical Garden, Pyrus communis
- Encyclopaedia Britannica, Pyrus communis
- Plants For A Future, Pyrus communis
- North Carolina State Extension, Pyrus communis
- USDA PLANTS Database, Pyrus communis L.
Perguntas frequentes
A pera é tóxica?
A polpa da pera é comestível e segura para humanos. Somente as sementes contêm amigdalina, composto cianogênico. Seria preciso triturar e ingerir grandes quantidades para produzir um efeito real, tornando o risco desprezível na prática.
Preciso de duas pereiras para colher frutos?
Em geral, sim. A maioria dos cultivares é autoestéril e precisa de polinização cruzada com outro cultivar compatível que floresça na mesma época. Alguns, como Conférence, são parcialmente autoférteis, mas produzem melhor em conjunto.
Por que a Pereira é enxertada?
Uma semente de pera não reproduz o cultivar original e gera uma árvore de características imprevisíveis, muitas vezes tardia para frutificar. A enxertia de um cultivar sobre um porta-enxerto garante o tipo de pera e permite escolher o vigor da árvore.
O que é o fogo bacteriano da Pereira?
É uma doença grave causada por Erwinia amylovora. Escurece flores e brotos jovens, que se curvam em gancho, e pode matar a árvore. Corta-se bem abaixo das partes afetadas e desinfetam-se as ferramentas; excesso de nitrogênio aumenta a sensibilidade.
Quando colher as peras?
A maioria é colhida firme, antes da maturação completa, e termina de amadurecer no local de armazenamento. Quando colhidas tarde demais, muitas variedades passam do ponto a partir do miolo ou ficam farinhentas na árvore.
Quais plantas podem ser confundidas com a Pereira?
Sobretudo outras Rosaceae de frutos com sementes no miolo, como macieira e marmeleiro. A forma de pera, as células pétreas na polpa e o porte mais ereto que o da macieira são bons sinais.
A Pereira cresce bem em vaso?
Sim, sobre um porta-enxerto ananizante, como o marmeleiro, em recipiente grande, profundo e drenado. É preciso regar com mais regularidade, acompanhar a adubação e manter por perto um cultivar polinizador.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.







