Levístico (Levisticum officinale, W.D.J.Koch 1824)

Levístico (Levisticum officinale W.D.J.Koch, 1824) é uma Apiaceae perene, única espécie do gênero Levisticum, nativa do sul do Irã e do Afeganistão. Cultivado desde a Antiguidade pelas folhas de aroma intenso de aipo e caldo, forma uma roseta de folhas brilhantes e uma haste floral alta e oca, com umbelas amarelo-esverdeadas seguidas de sementes aromáticas.

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Nome científicoLevisticum officinale
GêneroLevisticum
OrdemApiales

Levístico e Lovage

Identidade
Toxicidade
Tóxico para cães, gatos e cavalos (óleos voláteis diuréticos)
Nível de cuidados
Alto
Tipo de folhas
Caducifólia
Ciclo de vida
Perene
País de origem
IrãAfeganistão
Habitat
Pastagens de montanha, sebes e margens de cursos d’água em solo fértil e úmido; cultivado em hortas de planície
Sazonalidade
Época de floração
Verão
Colheita
PrimaveraVerãoOutono
Crescimento
Dormência
Dormente no inverno
Velocidade de crescimento
6/10
Tempo de maturação
Folhas desde o primeiro ano; raiz com sabor pleno por volta de 2 a 3 anos
Propagação
Semeadura, Divisão
Clima e água
Temperatura
Rusticidade
Resistência ao vento
Baixa, haste floral alta e oca; tutor útil em locais com vento
Umidade
50–70 %
Rega
Muito baixa
Baixa
Moderada
Alta
Muito alta
Tolerância à seca
Não
Solo
pH do solo
Tipos de solo
Solo rico, Solo de fresco a húmido
Solo salino
Não tolerado
Luz e localização
Exposição à luz

Sol pleno

Após aclimatação gradual, ofereça algumas horas de sol direto por dia, de preferência pela manhã ou no fim da tarde.

Sol pleno a meia-sombra leve
Área externa
Horta, Canteiro a pleno sol
Vasos
Recipiente grande
Aparência
Altura150–250 cmLargura50–100 cm
Folhas
Verde
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — folhas 1
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — folhas 2
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — folhas 3
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — folhas 4
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — folhas 5
Flores
AmareloVerdeTamanho10–15 cm
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — flores 1
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — flores 2
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — flores 3
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — flores 4
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — flores 5
Frutos
MarromTamanho0.4–0.7 cm
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — frutos 1
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — frutos 2
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — frutos 3
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — frutos 4
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — frutos 5
Porte
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — porte 1
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — porte 2
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — porte 3
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — porte 4
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — porte 5
Casca
Verde
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — casca 1
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — casca 2
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — casca 3
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — casca 4
Levístico (Levisticum officinale): origem e usos — casca 5

Distribuição global

A área nativa de Levisticum officinale se limita ao sul do Irã e ao Afeganistão, segundo POWO. Cultivado na Europa desde a Antiguidade, naturalizou-se amplamente fora dessa área restrita. Assim, a maioria das populações europeias e norte-americanas resulta de introduções antigas, e não de distribuição nativa.

  • Nativo2
  • Introduzido4
  • Irã
  • Afghanistan
  • França metropolitana
  • Reino Unido
  • Estados Unidos
  • Canada

Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1

Identidade

Levístico (Levisticum officinale W.D.J.Koch, 1824) é uma herbácea perene da família Apiaceae e a única espécie aceita do gênero Levisticum. Carl von Linné já a havia descrito em 1753 como Ligusticum levisticum; em 1824, Wilhelm Daniel Joseph Koch a transferiu para um gênero distinto. 1 7

O inglês lovage vem de love-ache, alteração popular do francês antigo levesche. Na Idade Média, ache designava a salsa e plantas próximas; levesche deriva do latim levisticum, oriundo de ligusticum, “da Ligúria”, região italiana onde a planta era muito cultivada. O apelido francês de erva Maggi surgiu pela semelhança de sabor com caldos industrializados em cubos, sem significado botânico. 7

Reconhecimento

Primeiro surge uma roseta basal de folhas brilhantes, verde-escuras a verde-amareladas; depois, uma haste floral oca e sulcada, de 1,5 a 2,5 m quando madura. As folhas basais, trifoliadas e recortadas, chegam a 70 cm. Mais acima, as folhas das hastes são bem menores e menos divididas. 7 2

Ao amassar a planta, percebe-se um cheiro intenso de aipo, muito mais pronunciado que o do aipo de talos da horta. O odor pode orientar o reconhecimento, mas as umbelas só aparecem no fim da primavera e no verão; fora desse período, esse sinal floral não está disponível. 5

Pequenas flores amarelas a amarelo-esverdeadas se agrupam em umbelas compostas globosas de 10 a 15 cm de diâmetro, no fim da primavera e no verão. O fruto é um esquizocarpo seco de 4 a 7 mm, castanho quando maduro, com costelas longitudinais marcadas. 7

Taxonomia útil

Para esta espécie, Plants of the World Online aceita Levisticum officinale W.D.J.Koch, cujo basiônimo é Ligusticum levisticum L. Vários sinônimos homotípicos ainda aparecem em floras e catálogos antigos:

  • Hipposelinum levisticum (L.) Britton, sinônimo histórico
  • Selinum levisticum (L.) E.H.L.Krause, sinônimo histórico
  • Angelica levisticum (L.) All., sinônimo histórico
  • Levisticum vulgare Rchb., sinônimo histórico
  • Levisticum paludapifolium Asch., sinônimo histórico

Esses quatro gêneros, Ligusticum, Hipposelinum, Selinum e Angelica, já abrigaram a espécie em diferentes momentos da classificação. O próprio nome Levisticum guarda essa história: deriva do sinônimo antigo, em vez de uma raiz botânica independente. 1 10

Habitat e distribuição

Do sul do Irã ao Afeganistão estende-se a área nativa indicada pelo POWO. Na Europa, a espécie também ocorre de forma subespontânea nos Alpes, nos Pireneus e no Cáucaso, em pastagens de montanha e sebes de locais úmidos abaixo de 1.800 m de altitude. 1 8

As populações europeias de montanha não ampliam, por si só, a área nativa estrita. A maioria das populações da Europa e da América do Norte decorre de introduções culinárias antigas. O INPN registra o levístico na França como planta introduzida e cultivada, em vez de espontânea nativa do território. 9

Entre as zonas 4 e 9 do sistema USDA situa-se sua tolerância climática. Ainda assim, o Missouri Botanical Garden considera os cuidados exigentes: o solo precisa manter umidade e nunca secar por completo no verão. 4 3

Ciclo e cultivo

Somente no segundo ou terceiro ano costuma surgir a floração, pois a touceira e a raiz profunda precisam se estabelecer. Sementes frescas germinam em 3 a 6 semanas; sementes antigas germinam mais devagar e irregularmente. Por isso, muitos jardineiros preferem a divisão da touceira, na primavera ou no outono. 5 2

Depois de estabelecido, o levístico precisa de solo fértil, profundo e úmido, a pleno sol ou meia-sombra leve. Colher folhas e hastes jovens regularmente estimula a rebrota e retarda a produção de sementes. Sem divisão por mais de 3 a 4 anos, a touceira envelhece e a raiz se torna lenhosa e amarga. 2 4

A cada inverno, a parte aérea morre; ela pode ser cortada no outono. A base perene suporta geadas prolongadas até cerca de -20 °C e volta a brotar na primavera seguinte. 2

Usos e riscos

Na culinária, aproveitam-se folhas, hastes, raiz, sementes e até flores de Levisticum officinale. Folhas frescas aromatizam sopas e saladas; hastes branqueadas substituem o aipo; sementes secas temperam pães e cozidos. A raiz, com sabor de caldo, pode ser ralada ou preparada em infusão. 5 4

Segundo a ASPCA, o levístico é tóxico para cães, gatos e cavalos. Seus óleos voláteis, especialmente lactonas ftálicas, provocam efeito diurético e aumento da micção após ingestão. O óleo essencial da raiz também contém furocumarinas fotossensibilizantes, capazes de causar reação cutânea após contato com a seiva seguido de exposição ao sol, risco compartilhado com várias Apiaceae. 6 7

Na medicina tradicional, o levístico tem uso carminativo e diurético, para indigestão ou distúrbios urinários; a Comissão E alemã reconhece seu uso contra infecções urinárias. Ainda assim, é desaconselhado em caso de inflamação renal e durante a gravidez, devido às propriedades emenagogas relatadas. 5

Confusões e plantas próximas

Quanto às seleções de jardim, não há cultivar de levístico amplamente difundido. O comércio de sementes oferece sobretudo a espécie típica, sem seleção varietal comparável à do aipo ou da salsa. 2

Plantas jovens podem ser confundidas com aipo de talos (Apium graveolens), principalmente antes de florir. No levístico, o cheiro é muito mais intenso e a haste floral chega a 2,5 m, enquanto o aipo se mantém mais baixo e compacto. A angélica (Angelica archangelica), outra Apiaceae alta de umbelas, tem porte semelhante, mas odor diferente, mais anisado que o de aipo ou caldo. 5

Uma identificação aproximada de Apiaceae pode levar a confusões perigosas com espécies tóxicas da mesma família. No levístico, conferir o nome científico e o cheiro característico das folhas amassadas é mais seguro que considerar apenas a forma das folhas ou a cor das flores.

Fontes principais

Perguntas frequentes

O levístico é tóxico para gatos e cães?

Sim. A ASPCA classifica Levisticum officinale como tóxico para cães, gatos e cavalos devido aos óleos voláteis que causam efeito diurético e aumento da micção após a ingestão.

Qual é a diferença entre levístico e aipo?

Ambos têm cheiro de aipo, mas no levístico ele é muito mais intenso, próximo ao de caldo. O levístico também é perene e ultrapassa bastante o porte do aipo de talos, cultivado como anual ou bienal.

Por que o levístico recebe o apelido de erva Maggi?

O apelido se deve à semelhança entre seu cheiro intenso e o de caldos industrializados em cubos. É uma associação de sabor, sem indicar parentesco botânico.

Todas as partes do levístico são comestíveis?

Sim. Folhas, hastes, raiz, sementes e até flores são comestíveis, com usos culinários que variam conforme a parte colhida e a estação.

Por que meu levístico demora a florescer?

A floração geralmente só aparece no segundo ou terceiro ano, enquanto a touceira e as raízes se estabelecem. Isso é normal nessa perene de crescimento inicial lento.

É perigoso colher levístico sob o sol?

O óleo essencial da raiz contém furocumarinas fotossensibilizantes, capazes de provocar reações cutâneas após contato com a seiva seguido de exposição ao sol. Várias Apiaceae compartilham esse risco.

Há quanto tempo o levístico é cultivado na Europa?

O Capitular De Villis, texto do fim do século VIII ou início do IX que lista as plantas dos domínios agrícolas de Carlos Magno, já menciona o levístico entre as ervas a cultivar.

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Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.