daro (Pistacia lentiscus, )
daro (Pistacia lentiscus L.) é um arbusto perene e dioico da família Anacardiaceae, nativo da bacia mediterrânea e das ilhas Canárias. Cultivado desde a Antiguidade pela resina aromática, o mástique, cresce em matagais litorâneos sobre solos pobres, calcários e bem drenados.
Ler maisdaro, Lentisco, Aroeira e Mastic tree
Após aclimatação gradual, ofereça algumas horas de sol direto por dia, de preferência pela manhã ou no fim da tarde.






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Taken Sep 16, 2020 by Omur Rafa (cc-by-sa)
Taken Mar 23, 2021 by Jaime Ghuetu (cc-by-sa)
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Taken Jan 2, 2020 by Stéphane (cc-by-sa)
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Distribuição global
A área nativa de Pistacia lentiscus abrange a bacia mediterrânea e as ilhas Canárias, do litoral ibérico à Turquia e ao Marrocos. A espécie é nativa e comum no Mediterrâneo francês, sem condição invasora documentada.
- Nativo7
- Espanha (península e Canárias)
- França (Provença, Córsega)
- Itália
- Grécia (Quios)
- Turquia
- Marrocos
- Portugal
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
daro (Pistacia lentiscus L., 1753), também conhecido como lentisco, é um arbusto do gênero Pistacia, família Anacardiaceae. Nos solos pobres que ocupa, costuma ficar abaixo de 4 m, chegando às vezes a 5 m em locais protegidos. Plants of the World Online aceita o nome Pistacia lentiscus, descrito por Lineu em 1753 com material da bacia mediterrânea e das ilhas Canárias. 1
A separação entre indivíduos masculinos e femininos caracteriza uma espécie dioica. As flores masculinas são avermelhadas e reunidas em cachos densos; as femininas, mais espaçadas, têm tons verde-amarronzados. Um exemplar isolado pode florescer todos os anos sem formar os pequenos frutos negros. 2
O termo mástique vem do grego mastikhan, mastigar, raiz também relacionada a “mastigação”. A resina já era mascada na Antiguidade para refrescar o hálito, antes de seus usos em doces e cosméticos. Lentisco, do latim lentiscus, remete à flexibilidade da madeira e da casca, fácil de incisar para recolher a seiva resinosa. 8
Reconhecimento
Um arbusto compacto, sempre verde e de 1 a 4 m é o porte descrito pela RHS, embora alcance 5 m em condições muito favoráveis. Populações de locais expostos e com pouco solo podem permanecer menores, em torno de 2 m. Essas diferenças de porte refletem as condições em que a planta cresce. 2 6
As folhas compostas, coriáceas e brilhantes têm até 7 pares de folíolos verde-escuros e nenhum folíolo terminal. A ráquis termina entre o último par, característica útil para distingui-lo de Pistacia terebinthus. Quando amassada, a folha libera cheiro resinoso evidente. 2
A floração ocorre no fim da primavera e início do verão, em pequenos cachos discretos. O fruto é uma drupa de cerca de 4 a 5 mm, vermelha antes de ficar preta na maturidade. Essa mudança de cor permite localizar a planta à distância com mais facilidade que as flores pouco vistosas. 2
Taxonomia útil
Cerca de 10 espécies compõem o gênero Pistacia, dentro das Anacardiaceae. Entre elas estão o Pistache (Pistacia vera L.) e Pistacia terebinthus L., frequentemente confundidos com o daro em campo. A seção botânica Lentiscus reúne arbustos de folhas persistentes e paripinadas, com sementes pequenas; a seção Terebinthus perde as folhas imparipinadas a cada inverno. 1
Na literatura botânica e hortícola ainda aparecem sinônimos e variedades históricas:
- Pistacia lentiscus var. chia Poir., variedade de Quios cultivada pelo mástique
- Pistacia lentiscus var. massiliensis (Mill.) Poir., nome varietal histórico
- Pistacia lentiscus var. latifolia Coss., outra variedade descrita
- Pistacia massiliensis Mill., sinônimo histórico
A combinação aceita Pistacia lentiscus abrange essa variabilidade. A variedade chia é uma forma reconhecida pelo uso, sem constituir um táxon botânico distinto, e não altera a identidade da espécie. 1 4
Habitat e distribuição
Da costa ibérica à Turquia e ao Marrocos, a distribuição nativa cobre a bacia mediterrânea e as ilhas Canárias, passando pelo sul da França, Itália e Grécia. Esse alcance distingue sua origem natural das áreas onde foi plantado posteriormente. 1 5
O daro ocupa garrigues e maquis litorâneos, formações arbustivas mediterrâneas em solos calcários, pobres ou salinos, sempre bem drenados. O pH pode chegar a 8,5. Sua tolerância à seca e à salinidade faz dele uma espécie importante no reflorestamento de solos degradados do norte da África. 6
No litoral da Provença e da Córsega, na França, é uma planta nativa e comum. Em sua área natural francesa, não é considerada ameaçada nem invasora; esse enquadramento se refere àquela região. 5
Ciclo e reprodução
Entre 5 e 10 anos após o plantio, o daro atinge o porte adulto e a floração plena. O vento transporta o pólen, mas a formação de frutos exige plantas masculinas e femininas próximas. Sem essa combinação, a floração se repete ano após ano sem frutificação. 2
A multiplicação por sementes requer embebição prolongada e estratificação fria para acelerar uma germinação naturalmente lenta e irregular. Também se usam estacas semilenhosas retiradas no verão e mergulhia. Estas duas técnicas preservam o sexo do exemplar de origem; nas plantas de semente, ele só se revela depois de anos de crescimento. 3
Em Quios, a extração de resina começa por volta do 5º ano e alcança rendimento máximo, cerca de um quilo por planta, após o 12º ano. A árvore continua produzindo durante décadas, até sua plena maturidade entre 40 e 50 anos. 8
Usos e riscos
Incisões na casca feitas no verão fornecem o mástique, uso mais documentado da espécie. A ilha grega de Quios é a única origem reconhecida para produzir a resina de qualidade alimentar, apesar da ampla distribuição da planta. As gotas endurecem no solo por cerca de quinze dias antes da coleta manual. 8
Tradicionalmente, a resina mascada serve para refrescar o hálito e fortalecer as gengivas. Também entra em doces, sorvetes e bebidas mediterrâneas. O óleo das sementes, rico em ácido oleico e beta-sitosterol, é usado na alimentação tunisiana e estudado por suas propriedades antioxidantes. 3 7
Não há toxicidade animal documentada para a planta inteira. PFAF registra um pequeno risco de diarreia após grande ingestão por crianças pequenas e desaconselha a ingestão direta do óleo essencial concentrado, mais irritante que a resina ou o óleo das sementes. 3
Variedades, confusões e plantas próximas
Cultivada exclusivamente no sul de Quios, a variedade chia fornece o mástique comercializável. As demais populações produzem resina semelhante, pouco explorada. Botanicamente, chia é uma forma mantida pela tradição hortícola, sem um critério morfológico estável que a separe como espécie. 1
As confusões mais comuns envolvem:
- Pistacia terebinthus, de folhas caducas e imparipinadas, com folíolo terminal e frutos maiores e avermelhados;
- Pistacia vera, cultivada pela semente comestível, com folhas caducas e frutos de casca dura;
- alguns Rhus e Schinus, outras Anacardiaceae de folhagem composta superficialmente semelhante.
O cheiro resinoso aparece em todo o gênero e, sozinho, não resolve a identificação. A combinação decisiva reúne folhas persistentes e paripinadas e pequenos frutos que passam do vermelho ao preto, conjunto que nenhuma das espécies próximas compartilha por inteiro. 2
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Pistacia lentiscus L.
- Royal Horticultural Society, Pistacia lentiscus
- Plants For A Future, Pistacia lentiscus
- GBIF, Pistacia lentiscus L.
- Tela Botanica / eFlore, Pistacia lentiscus L.
- PMC, variabilidade entre populações na composição de terpenoides das folhas de Pistacia lentiscus da Argélia
- PMC, propriedades citoprotetoras e antioxidantes do óleo de sementes de Pistacia lentiscus
- Wikipedia EN, mástique (resina vegetal)
Perguntas frequentes
O daro é tóxico para gatos e cães?
Não há toxicidade documentada para a planta inteira em animais domésticos. PFAF aponta apenas um pequeno risco de diarreia após grande ingestão por crianças pequenas e desaconselha ingerir o óleo essencial concentrado.
Qual é a diferença entre daro e Pistacia vera?
O daro conserva folhas paripinadas o ano inteiro, enquanto Pistacia vera perde suas folhas imparipinadas no inverno. Apenas Pistacia vera produz sementes suficientemente grandes e doces para exploração comercial.
Por que meu daro nunca produz frutos?
A espécie é dioica, com plantas masculinas e femininas separadas. Um indivíduo isolado, sem outro do sexo oposto por perto, pode florescer anualmente sem formar frutos.
De onde vem o mástique e por que Quios se destaca na produção?
O mástique é a resina endurecida obtida por incisões na casca. Apenas a variedade chia, cultivada no sul de Quios, produz mástique reconhecido de qualidade alimentar, embora a espécie ocorra em toda a bacia mediterrânea.
O daro é invasor na França?
Não. É nativo do litoral mediterrâneo francês, onde integra a garrigue e o maquis, sem condição invasora documentada.
Como multiplicar o daro?
Por sementes, após embebição prolongada e estratificação fria para superar a dormência, ou por estacas semilenhosas retiradas no verão. A mergulhia é uma opção complementar em ramos jovens e flexíveis.
O daro suporta seca e vento com maresia?
Sim. É um dos arbustos mediterrâneos mais tolerantes à seca e à salinidade, usado no reflorestamento de solos degradados do litoral e do norte da África.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.





