Hortelã-das-veigas (Mentha arvensis, )
Hortelã-das-veigas (Mentha arvensis) é uma perene da família Lamiaceae, espontânea na Europa e na Ásia temperada. Suas flores se agrupam em verticilos nas axilas das folhas, sem espiga terminal. Habita locais úmidos e margens de cultivos e é frequentemente confundida com a hortelã cultivada para mentol, que pertence a uma espécie próxima, mas distinta.
Ler maisHortelã-das-veigas, Hortelã-brava, Corn mint, Field mint e Wild mint
Em geral, ofereça bastante luz ambiente, sem sol direto sobre as folhas.






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Irene Saltini · cc0
Brandon McCracken · CC BY-NC
Taken Aug 25, 2013 by Tela Botanica − Paul FABRE (cc-by-sa)
Taken Aug 24, 2014 by Tela Botanica − Gérard LEVESLIN (cc-by-sa)
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Distribuição global
A área nativa de Mentha arvensis abrange a Europa temperada e a Ásia ocidental e central, até o Himalaia e Kamchatka. A planta cultivada para mentol na Índia e na China pertence a outra espécie, Mentha canadensis, nativa da Sibéria, do leste asiático e da América do Norte. As duas foram confundidas por muito tempo sob o mesmo nome.
- Nativo5
- França
- Reino Unido
- Alemanha
- Rússia (Sibéria)
- Nepal
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
Hortelã-das-veigas (Mentha arvensis L., 1753) é uma Lamiaceae perene do gênero Mentha, descrita por Lineu em Species Plantarum. O epíteto latino arvensis significa “dos campos cultivados”: indica uma planta de margens agrícolas e locais úmidos revolvidos, em vez de uma espécie de sub-bosque ou de jardim ornamental. 4 1
Conhecida também como hortelã-brava, recebe em inglês os nomes corn mint, field mint e wild mint. Na França, os nomes menthe sauvage e herbe d’anguille se referem ao crescimento espontâneo e às valas e pontos de água onde ocorre; o segundo não indica relação botânica com a enguia. 5
Durante a floração, a espécie apresenta um traço claro: flores em verticilos apertados nas axilas das folhas, ao longo de caules de 15 a 60 cm, sem espiga terminal como a da hortelã-verde ou da hortelã-pimenta.
Reconhecimento
Hastes eretas ou parcialmente deitadas, de seção quadrangular, atingem normalmente 15 a 60 cm, com registros ocasionais de 1 m em solos muito úmidos. As folhas opostas, ovais a lanceoladas, medem 2 a 6,5 cm de comprimento por 1 a 2 cm de largura, são pilosas na face inferior e têm margem nitidamente dentada. 4 3
Mais segura que o cheiro mentolado, a inflorescência inteiramente axilar é a principal pista de identificação. As flores lilases, às vezes brancas ou rosadas, aparecem em verticilos compactos nas axilas das folhas por todo o caule, sem formar uma espiga na ponta. Nas hortelãs cultivadas mais conhecidas, as flores se concentram justamente nessa espiga terminal. 4 5
O cheiro das folhas amassadas varia conforme a população, de mentol intenso a notas mais suaves de linalol. Essa variação explica em parte por que a planta não tem o mesmo valor industrial da espécie aparentada cultivada para mentol. 5
Taxonomia útil
Uma antiga confusão de nomes ainda aparece no comércio e na divulgação sobre Mentha arvensis. A hortelã cultivada em grande escala na Índia e na China para produzir mentol natural em cristais, antes chamada Mentha arvensis var. piperascens, é tratada pelo POWO como espécie distinta: Mentha canadensis L., nativa da Sibéria, do leste asiático e da América do Norte. 2 6
No sentido estrito adotado por Kew, Mentha arvensis conserva uma área mais europeia, da Europa temperada ao Himalaia e a Kamchatka. Seu óleo essencial é mais rico em linalol que o da chamada hortelã-japonesa, responsável pela maior parte do mentol comercial mundial. 1 5
Quando a aparência deixa dúvida, a contagem cromossômica oferece um critério de laboratório mais seguro que cheiro ou formato das folhas: Mentha arvensis tem 2n = 72, enquanto Mentha canadensis apresenta 2n = 96. 5
Nomes históricos e sinônimos ainda circulam sob essa designação:
- Mentha arvensis var. piperascens Malinv. ex Holmes, nome histórico ligado à confusão com a hortelã-japonesa;
- Mentha arvensis subsp. piperascens (Malinv. ex Holmes) H.Hara, outra combinação histórica;
- Mentha arvensis subsp. agrestis (Sole) Hartm., nome de formas regionais europeias;
- Mentha arvensis f. glabrata (Benth.) S.R.Stewart, nome também presente nessa sinonímia histórica.
Diante desses nomes, convém distinguir explicitamente Mentha arvensis L., aceita pelo POWO, de Mentha canadensis em rótulos e embalagens de sementes. O nome antigo, sozinho, não resolve a identidade da planta oferecida. 1 2
Habitat e distribuição
Prados úmidos, valas e margens de rios e campos cultivados são os ambientes característicos da hortelã-das-veigas. Na França, ocorre em quase todo o território, com exceção do litoral mediterrâneo, cujo clima é seco demais para ela. A associação com as bordas dos cultivos explica seu epíteto. 5 3
A distribuição nativa vai da Europa temperada pela Ásia ocidental e central até o Himalaia e Kamchatka. Essa extensão faz dela uma das hortelãs mais amplamente distribuídas no continente eurasiático; a ocorrência cultivada sob nomes semelhantes não deve ser confundida automaticamente com essa área nativa. 1 4
Sem barreiras, os rizomas rastejantes ocupam rapidamente solo encharcado ou pesado. Esse comportamento, compartilhado com muitas hortelãs, torna-se especialmente evidente em situações úmidas e com pouca competição de outras plantas. 3
Ciclo e reprodução
Diferentemente de um híbrido estéril como Mentha × piperita, a hortelã-das-veigas produz sementes viáveis em abundância e se ressemeia facilmente, além de se multiplicar por rizomas. A floração vai de julho a outubro no contexto temperado do Hemisfério Norte, conforme o clima, abrangendo o verão e parte do outono. Os meses descrevem esse contexto de origem, sem constituir um calendário fixo para o Brasil. 3 5
Dividir a touceira ou fazer estacas de caules sem flores são as formas mais rápidas de obter uma planta igual à matriz. A semeadura na primavera permite instalar uma nova população, mas não garante uma cópia fiel do quimiotipo da planta-mãe, isto é, do perfil de compostos aromáticos. 3
Usos e riscos
Folhas frescas em saladas e infusões contra desconfortos digestivos fazem parte dos usos culinários e medicinais tradicionais. Mais raramente, a espécie entra em algumas sopas polonesas de urtiga ou serve de tempero em cozinhas dos Bálcãs. Esses usos se referem à planta identificada, e não tornam todas as preparações concentradas equivalentes às folhas. 5 3
O óleo essencial corresponde a cerca de 0,2 % do peso das folhas frescas e é usado para aromatizar balas e bebidas. Em doses elevadas, porém, é descrito como abortivo e desaconselhado a gestantes. A reserva é especialmente relevante ao distinguir uso culinário e óleo concentrado. 3
Para os animais, a ASPCA classifica o gênero Mentha como tóxico para gatos, cães e cavalos quando há ingestão importante de óleo essencial concentrado. Uma ingestão maciça provoca vômitos e diarreia. 7
Variedades, confusões e plantas próximas
Formas regionais como subsp. agrestis descrevem sobretudo populações de folhas mais estreitas na flora europeia. Não constituem variedades comerciais estáveis nem têm estatuto hortícola distinto. O nome infraespecífico pode, portanto, aparecer na literatura sem indicar um cultivar selecionado. 5
Entre as principais confusões estão:
- Mentha canadensis, a hortelã-japonesa cultivada para mentol, durante muito tempo confundida sob o mesmo nome;
- Mentha aquatica, de folhas mais arredondadas e inflorescência terminal além dos verticilos axilares;
- Mentha × verticillata, híbrido espontâneo de Mentha arvensis com Mentha aquatica, com características intermediárias.
Para uma identificação rápida, procure os verticilos exclusivamente axilares, apertados ao longo do caule, sem qualquer espiga terminal visível. Esse traço não ocorre na hortelã-verde nem na hortelã-pimenta. Observar a planta em plena floração, entre julho e outubro nas regiões temperadas citadas, permite comparar os quatro táxons antes da colheita ou da compra. 4
Fontes principais
Perguntas frequentes
Mentha arvensis é tóxica para gatos e cães?
A ASPCA classifica o gênero Mentha, que inclui a hortelã-das-veigas, como tóxico para gatos, cães e cavalos após ingestão importante de óleo essencial concentrado. Folhas frescas em pequena quantidade apresentam risco menor.
Mentha arvensis é a mesma planta cultivada para produzir mentol?
Não. A hortelã-japonesa ou cornmint cultivada em grande escala na Índia e na China para produzir mentol é hoje classificada como outra espécie, Mentha canadensis. O antigo nome Mentha arvensis var. piperascens ainda aparece na literatura e no comércio.
Como reconhecer Mentha arvensis sem lupa?
A pista mais confiável é a inflorescência, em verticilos compactos nas axilas das folhas ao longo do caule, sem nenhuma espiga terminal, ao contrário da hortelã-verde ou da hortelã-pimenta.
Por que Mentha arvensis cresce nas bordas de campos?
O epíteto arvensis significa “dos campos cultivados”. A espécie coloniza solos frescos e revolvidos nas margens de cultivos e de prados úmidos, em vez de sub-bosques ou jardins secos.
É preciso conter Mentha arvensis no jardim?
Sim. Seus rizomas rastejantes colonizam rapidamente o solo úmido sem barreira. Uma jardineira ou um vaso enterrado perto da água evita que avance sobre as plantas vizinhas.
Qual é o cheiro de Mentha arvensis?
Varia conforme a população, de mentol intenso, próximo ao da hortelã-pimenta, a notas mais suaves de linalol. Isso ajuda a explicar por que seu óleo essencial não tem o mesmo valor comercial que o de Mentha canadensis.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.






