sumagre (Rhus coriaria, )
sumagre (Rhus coriaria) é um arbusto ou pequena árvore decídua da família Anacardiaceae, nativo da bacia mediterrânea e do Oriente Médio, com distribuição da Macaronésia ao Afeganistão. Os frutos secos fornecem a especiaria sumagre, enquanto as folhas ricas em taninos foram usadas por muito tempo no curtimento de couros.
Ler maissumagre, Sicilian sumac e Tanner's sumac
Após aclimatação gradual, ofereça algumas horas de sol direto por dia, de preferência pela manhã ou no fim da tarde.






© foto
(c) bobasil, some rights reserved (CC BY-NC), uploaded by bobasil · cc-by-nc
zebedeugalinha · cc-by
Wikimedia Commons · CC BY-SA or Public Domain
Taken Oct 12, 2011 by Tela Botanica − daniel BARTHELEMY (cc-by-sa)
© copyright of the Board of Trustees of the Royal Botanic Gardens, Kew.
Distribuição global
A área nativa de Rhus coriaria cobre a bacia mediterrânea e o Oriente Médio, da Macaronésia ao Afeganistão. Na França, a espécie é dispersa e seu status local varia entre naturalizada, subespontânea e rara protegida, sem comportamento invasor relatado.
- Nativo9
- França
- Espanha
- Itália
- Grécia
- Turquia
- Marrocos
- Irã
- Afeganistão
- Ilhas Canárias
Hexágonos: regiões onde a planta ocorre. Pontos verdes: área nativa.1
Identidade
O sumagre (Rhus coriaria L., 1753) é um arbusto ou pequena árvore decídua do gênero Rhus, da família Anacardiaceae. Suas drupas castanho-avermelhadas e pilosas o distinguem dos sumagres venenosos de Toxicodendron, cujos frutos brancos ou creme e lisos nunca devem ser consumidos. Essa diferença precisa ser conhecida antes do uso culinário ou do cultivo. O epíteto coriaria deriva do latim corium, couro: folhas e casca, ricas em taninos, foram usadas por muito tempo no tratamento das peles, origem do nome francês ligado aos artesãos do couro. 2 3
Nos frutos está a origem de outro nome francês, vinaigrier, ligado ao vinagre: depois de secas e moídas, as drupas ácidas e adstringentes lembram esse sabor. Moído e peneirado, o pó vermelho-escuro constitui a especiaria sumagre, importante na culinária do Levante e da bacia mediterrânea. Frequentemente é combinado ao tomilho na preparação do za’atar. A acidez do sabor e a adstringência são características distintas desses frutos. 8 7
Reconhecimento
Com ramificação densa, Rhus coriaria assume porte de arbusto ou pequena árvore e costuma atingir 1 a 3 m. Exemplares bem estabelecidos podem ultrapassar 4 m. Os ramos jovens mantêm uma cobertura fina de pelos, enquanto a madeira é quebradiça e pode se romper com rajadas fortes. Em locais abertos, essa fragilidade merece atenção ao escolher a posição de plantio. 2 1
Cada folha imparipinada apresenta 7 a 15 folíolos dentados, verde-vivos na face superior e mais claros, quase acinzentados, na inferior. A ráquis pilosa, muitas vezes marcada por um rosa intenso, passa do rosa ao amarelo no outono, antes da queda completa das folhas. A combinação de folíolos dentados, pelos e coloração sazonal ajuda a reconhecer o arbusto. 3 2
Durante o verão na área mediterrânea, flores minúsculas, creme a branco-amareladas, se abrem em panículas densas e perfumadas nas pontas dos ramos. Após a fecundação, formam-se cachos de pequenas drupas pilosas, castanho-avermelhadas quando maduras. Os frutos permanecem no arbusto por boa parte do inverno e servem de alimento para aves, prolongando sua presença depois da queda das folhas. 8 1
Taxonomia útil
Para o POWO/WCVP, Rhus coriaria L. é o nome aceito e corresponde à espécie-tipo do gênero Rhus. Foram descritas variantes botânicas sem um status hortícola próprio:
- Rhus coriaria var. longifolia Sennen, variedade de folíolos alongados
- Rhus coriaria f. longifolia (Sennen) Sennen, forma de folíolos alongados
- Rhus coriaria var. zebaria Shahbaz, variedade descrita no Iraque
Antigamente, Rhus incluía espécies irritantes hoje reclassificadas em Toxicodendron, entre elas Toxicodendron radicans. Essa história taxonômica explica boa parte da confusão entre o sumagre comestível e os sumagres venenosos. As plantas foram separadas em gêneros distintos, mas continuaram compartilhando nomes comuns próximos. Por isso, reconhecer o gênero e a espécie é mais seguro do que confiar apenas no nome popular. 1 6
Habitat e distribuição
Entre a bacia mediterrânea, a Macaronésia e o Afeganistão se estende a distribuição nativa, passando pelo norte da África, Anatólia e Irã. Rhus coriaria coloniza terrenos rochosos, formações arbustivas mediterrâneas do tipo garrigue e taludes, quase sempre calcários. Ocorre do nível do mar até aproximadamente 600 m de altitude, em ambientes que combinam exposição e solos com boa drenagem. 1 2
A avaliação da IUCN classifica Rhus coriaria como pouco preocupante. Sua área de distribuição ampla e contínua sustenta essa categoria, apesar de coletas locais associadas à exploração comercial dos frutos. O status global, portanto, considera a extensão da ocorrência, sem ignorar que a intensidade de retirada pode variar entre localidades. 5
Em território francês, a espécie aparece de forma dispersa, sobretudo na Provença. Seu status muda regionalmente entre naturalizada, subespontânea e rara protegida. Essas diferenças locais não indicam comportamento invasor; não se relata naturalização em larga escala fora da área de origem. Trata-se de um enquadramento regional francês, que não determina por si só o status da planta em outros países. 4
Ciclo e reprodução
A floração se concentra no verão mediterrâneo, com variações conforme o clima. As flores pequenas e creme, reunidas em panículas terminais, atraem abelhas e outros polinizadores. Após a fecundação, os cachos de drupas amadurecem lentamente até o outono e podem permanecer no arbusto durante todo o inverno. O calendário deve ser interpretado pelas estações e pelas condições locais, sem transferir os meses do Hemisfério Norte para o Brasil. 8 1
Na multiplicação por sementes, uma imersão de 24 horas em água quente ajuda a romper a dormência. Outra opção é a estaquia de ramos semilenhosos no verão. Depois que o arbusto se estabelece, produz brotos radiculares em abundância, que também permitem a propagação por divisão. Embora o princípio dessa divisão seja simples, obter uma planta estabelecida continua exigindo tempo. 2
Usos e riscos
Como especiaria, os frutos secos, descascados e moídos produzem um pó de sabor ácido, próximo ao limão, usado em saladas, carnes grelhadas e no za’atar. Em algumas tradições culinárias, os frutos ainda imaturos são preparados como alcaparras. O uso mais difundido, porém, é o fruto maduro transformado em pó, que concentra a aplicação culinária do sumagre. 8 7
No trabalho com couros, folhas e casca ricas em taninos tiveram uso prolongado no curtimento, origem do nome francês associado aos preparadores de peles. Estudos fitoquímicos recentes também confirmam concentrações elevadas de compostos antioxidantes nos frutos e nas folhas. Esses dois aspectos explicam o interesse pela planta tanto como matéria-prima histórica quanto como objeto de pesquisa. 2 7
Ao contrário dos sumagres venenosos de Toxicodendron, cujo urushiol provoca dermatites de contato intensas, Rhus coriaria não é tóxico e não contém esse composto irritante. Ensaios com embriões confirmaram a ausência de toxicidade de extratos de frutos sicilianos nas condições avaliadas. A semelhança entre nomes comuns continua sendo a principal fonte de confusão entre plantas com propriedades muito diferentes. 6 3
Variedades, confusões e plantas próximas
Não se registra um cultivar ornamental estável para esta espécie, cultivada sobretudo pelos frutos. A variedade zebaria, descrita no Iraque, apresenta um perfil fitoquímico próprio e foi estudada por suas atividades antibacterianas. Essa referência a uma variedade botânica não equivale, por si só, à existência de um cultivar ornamental difundido no comércio. 1
Na identificação, a comparação mais importante é com os sumagres venenosos de Toxicodendron, como Toxicodendron radicans: seus frutos brancos ou creme e lisos contrastam com as drupas castanho-avermelhadas e pilosas do sumagre. Na mesma família Anacardiaceae, Pistacia lentiscus, Pistacia vera, Cotinus coggygria e Schinus molle apresentam folhas ou frutos que podem lembrar os do sumagre, mas não compartilham necessariamente a toxicidade nem o uso culinário. O critério dos frutos deve ser observado quando eles estão presentes.
Fontes principais
- Plants of the World Online / Kew, Rhus coriaria L.
- Plants For A Future, Rhus coriaria
- Tela Botanica / eFlore BDTFX, Rhus coriaria
- INPN / MNHN, Rhus coriaria L., 1753
- IUCN Red List, avaliação de Rhus coriaria (Rivers & Harvey-Brown, 2020)
- PMC, caracterização química e toxicidade aguda em embriões de Rhus coriaria L. da Sicília
- PMC, Rhus coriaria L. (sumagre), especiaria versátil rica em polifenóis
- Encyclopaedia Britannica, sumagre-da-sicília
Perguntas frequentes
O sumagre é a planta que fornece a especiaria sumac?
Sim. Os frutos secos e moídos de Rhus coriaria fornecem o pó de sumagre, uma especiaria de sabor ácido básica na cozinha do Levante e da bacia mediterrânea, frequentemente misturada ao tomilho no za’atar.
O sumagre é tóxico?
Não. Rhus coriaria não contém urushiol e não pertence ao grupo dos sumagres venenosos, hoje classificados em Toxicodendron. Ensaios com embriões confirmaram a ausência de toxicidade de extratos de frutos sicilianos nas condições estudadas.
Como distinguir o sumagre de um sumagre venenoso?
A cor dos frutos é o principal sinal. Rhus coriaria tem drupas castanho-avermelhadas e pilosas; os Toxicodendron produzem frutos brancos ou creme, lisos e brilhantes.
Os frutos verdes de sumagre são comestíveis?
Sim. Em algumas tradições culinárias, os frutos ainda verdes são preparados como alcaparras. O uso mais comum continua sendo o fruto maduro e seco, reduzido a pó.
Por que o sumagre era associado aos curtidores de couro?
As folhas e a casca, ricas em taninos, eram usadas no tratamento das peles para o curtimento. Esse trabalho deu origem ao nome francês sumac des corroyeurs, ligado ao artesão que preparava o couro antes do curtidor.
O sumagre resiste ao frio na França?
Sim, nas regiões mediterrâneas e em solo drenante. A espécie tolera geada depois de estabelecida, mas é mais vulnerável quando jovem ou em clima oceânico úmido e frio. Essa condição regional não deve ser generalizada a todos os climas.
O sumagre precisa de solo rico?
Não. É uma espécie pioneira que prospera em solo pobre e calcário, desde que tenha boa drenagem e sol direto para frutificar bem.
Plantas semelhantes
Se tiver dúvidas sobre a toxicidade de uma planta, consulte um botânico ou veterinário.








